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POESIA E MÚSICA DA RESISTÊNCIA

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05
Mar18

Ativista despe-se contra Berlusconni

António Garrochinho



No momento em que Silvio Berlusconi se preparava para votar, uma mulher do movimento feminista Femen saltou para cima da mesa de voto em tronco nu. Escrita no corpo estava a frase: “Berlusconi o teu tempo esgotou-se”. O mesmo que a mulher gritou, até ser retirada por agentes de segurança da secção de voto.


O líder da Força Itália foi, este domingo, interrompido por ativistas do movimento Femen enquanto votava, em Milão. Uma mulher, em tronco nu, subiu para cima da mesa de voto, no local onde Silvio Berlusconi está inscrito para votar e enfrentou o ex-primeiro ministro italiano aos gritos de "Belusconi, o teu tempo esgotou".
Numas eleições marcadas por uma forte abstenção, o incidente está a ser destacado pela imprensa italiana. Até ao meio dia, apenas 19% dos eleitores tinham comparecido nas urnas. Segundo o "La Stampa" recorda, já em 2013, três ativistas do mesmo movimento aproveitaram a deslocação de Sivio Berlusconi à sua secção de voto para, também em topless, protestarem contra o líder da direita italiana que abandonou o parlamento nesse ano, dois anos depois de ter renunciado ao cargo de primeiro-ministro
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expresso.sapo.pt


05
Mar18

Sem surpresas

António Garrochinho





A noite de ontem não trouxe surpresas
Nas eleições em Itália ganhou o 5 Estrelas mas quem vai governar é a coligação de direita. 

A instabilidade política em Itália segue dentro de momentos, coisa a que já todos estamos habituados. A extrema direita continua a ganhar espaço, mas a Europa continua a assobiar para o lado e toda a gente está muito feliz porque a Alemanha conseguiu  formar um governo de coligação. 

Do outro lado do Atlântico, em Hollywood, também não houve surpresa. Os Óscares para  melhor filme ( A Forma da Água) , melhor realizador (Benicio del Toro)  melhor actriz (Frances Mc Dormand) e melhor actor ( Gary Oldman) foram entregues de acordo com o guião previsto.

E para que tudo corresse  com a sensaboria prevista, não faltou o vestidinho preto e a perna ao léu até à cintura, para protestar contra o assédio sexual.

Este mundo está a ficar cada vez mais previsível. 

A guerra comercial lançada por Trump desencadeará uma escalada de convulsões sociais um pouco por todo o mundo. As guerras começam sempre assim e Trump está danadinho por ficar ligado à História, por ter desencadeado mais um conflito à escala global, onde aparecerá como vítima da incompreensão do mundo inteiro.

Andam a esticar a corda há oito anos, um dia ela rebenta. Talvez fique por cá alguém para contar como foi e começar tudo de novo.
Tenham uma excelente semana.

05
Mar18

Presidente da Raríssimas em entrevista: “A Paula Costa continua a ter um salário, tal como o marido e o filho” (inclui vídeo)

António Garrochinho

Um mês e meio depois da eleição, Sónia Margarida Laygue revela que a ex-presidente da IPSS continua a ser remunerada. Também fala dos mecenas perdidos com o escândalo. E da doença da filha, de 3 anos.
Há um ano e meio que passava todas as manhãs, de segunda a sexta-feira, na Casa dos Marcos, da Raríssimas, a acompanhar a filha, Ema, hoje com 3 anos. Depois de outro ano e meio a saltar de hospital em hospital e de clínica em clínica, porque não existia um único local que congregasse todas as terapias de que a menina precisava, Sónia Margarida Cardiga Silva Laygue (lê-se Légue, é francês e o apelido que adotou depois do casamento), 37 anos, encontrou ali, na Moita, a solução.
Pela primeira vez desde os três meses da filha, altura em que o pediatra a sentou com o marido para a “consulta de choque” e confirmou as piores suspeitas da família — Ema sofria de um síndrome raro, indetetável durante a gravidez –, tinha alguma qualidade de vida e sentia que a filha estava a receber os melhores cuidados possíveis. Foi por isso com choque que no passado dia 9 de dezembro, enquanto jantava com a família, viu a reportagem da TVI que revelou que Paula Brito Costa, fundadora e então presidente da associação, era suspeita de gestão danosa e desvio de fundos da instituição em proveito próprio.
"Pensei que aquilo não podia estar a acontecer, que não era real. Fiquei preocupada, mas não sabia como funcionava o mundo das associações nem das IPSS, pensei que fosse tudo acontecer a uma rapidez diferente, pensei que viesse logo uma nova direção."
Margarida Laygue, presidente da Raríssimas
Na altura, confessa, não percebeu logo que o escândalo poderia colocar em causa a existência da Raríssimas. “Pensei que aquilo não podia estar a acontecer, que não era real. Fiquei preocupada, mas não sabia como funcionava o mundo das associações nem das IPSS, pensei que fosse tudo acontecer a uma rapidez diferente, pensei que viesse logo uma nova direção.” Só mais tarde, em conversa com outros pais e colaboradores da Casa dos Marcos, é que percebeu a gravidade da situação. Juntos, decidiram fazer uma lista, que apresentaram a votação na Assembleia Geral da associação, no passado dia 3 de janeiro.
Sem concorrência, foram eleitos. Com Margarida (depois de uma infância passada nos anos 80, entre Sandras, Sofias e Sónias, aceitou a sugestão de diferenciação da professora primária e passou a responder pelo segundo nome) como presidente. “Estávamos todos numa sala a ver os papéis e as funções que havia em aberto e foram-se lançando nomes para o ar. Todos dissemos que faríamos o que fosse necessário para ajudar: ‘Tu ficas como tesoureiro, tu ficas como vogal’. No meio desta conversa, surgiu: ‘A Margarida tem de ir para presidente’. Eu, pronto, fiquei um pouco, nem sei qual é a expressão… mas disse que se era naquele papel que precisavam de mim então era para ali que eu ia. Não me apresentei com essa intenção, mas como mais do que uma voz insistiu para que ficasse eu, aceitei o desafio”, explica.
Neste último mês e meio, em que é que a nova direção tem estado concentrada?Temos estado concentrados na situação financeira e dos mecenas, na crise reputacional e de imagem que estamos a viver, devido a toda a polémica, e por conseguinte na perda de confiança na instituição. Temos estado com dificuldades financeiras, temos uma auditoria financeira às contas de 2017 a decorrer, para termos a realidade concreta da nossa situação financeira. Temos estado a reunir com fornecedores para negociar condições e vermos custos, estamos a tentar negociar a nossa dívida ou chegar a acordo com fornecedores, e temos estado a reunir também com mecenas, no sentido de perceber qual era o histórico e em que medida é que nos podem continuar a ajudar.
Falou-se muito na entrega do BMW de serviço da anterior presidente. Que outros cortes foram feitos?Esse é um exemplo, outro é o facto de dois colaboradores que saíram não terem sido substituídos; reafectámos outras pessoas para essas áreas. Vamos reorganizar-nos internamente para darmos as mesmas respostas sem essas pessoas. Estamos neste momento também a ver a nível de mercado que respostas a serviços de que precisamos existem, de forma a encontrar os melhores parceiros, tendo em conta a qualidade de que precisamos, reduzindo custos também. E temos toda uma análise ainda por fazer a nível organizacional e de estrutura, que vamos fazendo aos poucos, para percebermos onde poderemos mais cortar. A nossa prioridade passa muito por essa redução de custos.
Está prevista mais alguma redução de funcionários?Atenção, esta redução não foi feita por nós! Foram funcionários que tiveram outras oportunidades de trabalho.
O marido e o filho da ex-presidente eram também — ou são, não sei — funcionários da Raríssimas. Foram eles que saíram?Não. Mas encontram-se também suspensos, está a decorrer um inquérito interno para se averiguar determinados factos, mas relativamente a isso não posso falar.
Portanto, estão suspensos, tal como Paula Costa, que está suspensa do cargo de diretora-geral. Essa suspensão é com remuneração ou sem remuneração?É com remuneração, qualquer suspensão, até serem averiguados os factos e enquanto estiver a decorrer o inquérito interno, é remunerada. A Paula Costa continua a ter um salário, tal como o marido e o filho.
[A suspensão de Paula Brito e Costa. A foto que saiu. Os mecenas que desapareceram e os que continuam. O cargo sem salário. E a doença da filha. Veja no vídeo as respostas-chave da nova presidente da Raríssimas]
VÍDEO


A Margarida é então presidente da Raríssimas, não diretora-geral.Sim, existe um conselho diretivo que dirige a Raríssimas. Somos os cinco que entrámos e os quatro que transitaram da anterior direção.
O que significa que não está a ser remunerada?Não. Estou a fazer tudo pro bono, não tenho nenhum tipo de remuneração. Existem estatutos relacionados com as associações que prevêem a remuneração ou não de órgãos sociais, e a situação de remuneração enquanto cargo de presidente está muito ligada a se a pessoa exerce outra atividade profissional e tem outra fonte de rendimento. É uma situação que tem de ser votada e aprovada em Assembleia Geral. No entanto no meu caso nada disso de aplica, porque desde o primeiro dia disse que iria fazê-lo pro bono.
E tenciona manter-se assim?Tenciono manter-me assim.
Porquê?Porque… é um momento em que a associação precisa dos esforços de toda a gente, porque eu também tenho uma filha rara e também preciso desta associação para me ajudar a sobreviver todos os dias, tal como todas as outras famílias, e é por eles todos que eu também estou a fazer isto.
Mas não é uma injustiça brutal?Não é brutal… possivelmente vai chegar o momento em que se eu tiver de ter remuneração terei de a discutir com a Assembleia Geral e com os outros diretores. Neste momento estou a fazer aquilo que é preciso ser feito pela associação, só isso. Eu e os outros membros da direção, que também não são remunerados.

A fotografia apagada de Paula Brito Costa

Pode até só ter um mês e meio no cargo — ninguém o adivinharia. Sorridente, Margarida Laygue circula pelos corredores da Casa dos Marcos, na Moita, como se sempre ali tivesse estado, vai distribuindo abraços e mimos às crianças no Centro de Atividades Ocupacionais; bate à porta da Residência Autónoma, com capacidade para cinco utentes onde neste momento vivem apenas quatro, com o acompanhamento permanente de um funcionário, e sabe que o rapaz de 31 anos e doença rara que lhe abre a porta é fanático da novela Morangos com Açúcar e das coleções de cromos de Pokémon.
Para a reportagem do Observador, faz de cicerone numa visita rápida pela Casa, inaugurada em 2014 por Paula Brito e Costa, com o nome do filho entretanto falecido, com o síndrome de Cornelia de Lange. Mostra o Centro de Desenvolvimento e Reabilitação, o Lar Residencial, a Unidade de Cuidados Continuados e a sofisticada sala de terapia Snoezelen. Explica quão importante é reabilitar a imagem da Raríssimas, de forma a recuperar a confiança dos portugueses e dos mecenas que, a par do Estado, são essenciais para a continuidade do projeto.
Garante que apesar de ser real a possibilidade de a associação encerrar, esse desfecho não passa sequer pela cabeça da atual direção: “Temos todos consciência de que este primeiro ano vai ser um ano muito duro e de muito trabalho, principalmente na reconquista da confiança de todos, mas acreditamos todos que conseguimos dar a volta à situação e que a Raríssimas se vai manter”.
Falou da necessidade de mudar a imagem da Raríssimas. Reparei que a fotografia da anterior presidente, que estava numa das portas à entrada da Casa dos Marcos, já lá não está. Ainda assim, a porta que dá acesso aos escritórios tem uma outra imagem de Paula Brito e Costa. Porque foi mudada uma fotografia, porque se manteve outra, como tem sido gerida essa questão da imagem?Confesso que não foi nada falado ou estudado relativamente a tirar fotografias. Relativamente à fotografia da anterior presidente que estava à entrada das Respostas Sociais, o que achámos foi que, dado ser a entrada para uma área onde estão todos os nossos meninos raros a fazer atividades, a porta devia estar decorada com uma obra criada por eles. Aliás, se quando saírem espreitarem, vão ver que eles estão a fazer pinturas com as próprias mãos. No fundo, é a entrada para o mundo deles: o Centro de Atividades Ocupacionais e o Lar Residencial, onde eles passam a maior parte do tempo. No entanto, por uma questão de respeito pela História desta casa, claro que continuam a existir fotografias da anterior presidente, Paula Costa, tal como continua a estar à entrada o busto do Marco, que era o filho. Não nos podemos esquecer de que esta é uma obra notável que foi criada por ela e ela faz parte da História desta instituição.
Falou com ela desde que tomou posse?Não, não, nunca falei com a Paula Costa.

Na porta que dá acesso aos escritórios da Raríssimas mantém-se a fotografia da anterior presidente, Paula Brito Costa
E antes disso?Eu já frequentava a Casa dos Marcos, como mãe. Sou mãe de uma menina rara que faz aqui diariamente tratamentos, e as oportunidades que tive de a ver foram quando vinha com a minha filha às terapias. Ou a via a entrar ou a sair. Nunca conversámos. Aconteceu simplesmente uma situação: penso que era o aniversário dela, andava a circular pela Casa a tirar selfiescom as pessoas. Eu estava a falar com um terapeuta e com outra mãe, ela colocou-se ao nosso lado e também tirou uma selfie. Foi a única interação que tivemos e nem sequer falámos, foram segundos.
Não sentiu necessidade disso quando tomou posse? Houve até uma questão relativa a uns dossiers ou caixas que ela teria levado. Conseguiu perceber o que continham, o que eram?Não, não, não. Nunca consegui perceber, nunca me debrucei também para perceber. Tendo em conta todo o contexto e a polémica e todos os trâmites legais que estavam a decorrer não me pareceu necessário falar com a Paula Costa. Realmente há muita informação que não conseguimos encontrar, mas não faço ideia a que dossiers é que se refere. Lá está, não estava cá, não vi, não sei.
Que tipo de informação é que não conseguem encontrar? Nos levantamentos que têm feito, o que é que falta?
Os levantamentos que estamos a fazer agora são mais a nível do histórico, perceber as atas das Assembleias, tudo o que está para trás, porque tal como a Paula Costa saiu, também outros membros da direção saíram. No fundo estamos só a tentar recuperar esse histórico para podermos dar continuidade aos trabalhos e às situações que estavam em cima da mesa. Relativamente ao que foi levado — ou não foi — não faço ideia.
Referiu os membros que saíram. Houve também membros da anterior direção que ficaram. Isso foi uma questão muito falada no dia da eleição da lista que a Margarida encabeçava. O que aconteceu realmente? Esperavam que eles saíssem e eles não quiseram sair?Nós viemos integrar as vagas que ficaram em aberto num corpo diretivo, viemos integrar um mandato que está em curso e termina em 2019. Logo, houve a continuidade dos cargos e das pessoas que estavam e que não saíram nessa altura…
E que poderiam ter saído voluntariamente ou não…Poderiam ter saído voluntariamente ou não. O que aconteceu nessa altura, aquando da apresentação da nossa lista, foi que nós, de uma maneira muito aberta e transparente, falámos com esses quatro elementos que transitaram da anterior direção e perguntámos-lhes se tinham a disponibilidade e a energia para continuarem connosco a defender a causa da Raríssimas, ao que eles responderam que sim. Não se identificando também com a polémica, continuavam com o mesmo empenho e pronto, fazem parte da direção.
Como é que está a ser feita a ligação entre os novos e os velhos membros?É um caminho que estamos a construir; nós chegámos de novo, ainda temos muita coisa para aprender e para perceber; e eles acabaram por passar por uma fase muito delicada e muito complicada, e também tiveram de estar aqui a segurar o barco.
Na altura da tomada de posse li que eles não a congratularam pela vitória. Foi mesmo assim? Houve esse mal-estar?Não, não houve mal-estar. Acho que estamos a construir um caminho, eles passaram por uma situação muito complicada, o que faz com que no fundo acabem por questionar mais  — o que é bom, ainda bem, e é legítimo depois de tudo o que passaram –; e nós estamos a fazer um trabalho de equipa com eles, de decisões concertadas e partilhadas. Por exemplo, uma das coisas que não existia era um comité de direção, que se reunisse com regularidade semanal e em que os membros da direção trabalhassem e tomassem decisões em conjunto, e neste momento é o que acontece, entre os novos e os anteriores. Criámos ainda uma comissão coordenadora, que é uma equipa de cinco profissionais — o responsável pelo centro de desenvolvimento e reabilitação, a diretora clínica, o enfermeiro-chefe da unidade de cuidados continuados, o responsável pelos projetos de internacionalização e uma financeira — que dão resposta à gestão operacional e corrente do dia a dia.
Antigamente tudo tinha de passar pela presidente?Pelo que percebi da cultura, sim. Era a prática da casa. Era altamente centralizado e é uma das coisas que estamos a tentar mudar no modelo de gestão. Todas as semanas se reúnem para discutirem todos os assuntos e concertadamente tomarem as decisões. Tudo o que for de um foro mais financeiro ou mais complexo terá de vir à direção, mas eles fazem uma filtragem e são mais eficazes e eficientes a dar resposta aos problemas que vão surgindo, não estando dependentes de uma só pessoa.
O que aconteceu à questão dos mecenas? Qual foi o valor dos apoios que perderam?A Raríssimas tem várias respostas sociais aos utentes que chegam através do Estado, existem contratualizações com a tutela, neste caso da Saúde e da Segurança Social, para darmos determinadas respostas e nesse sentido apoiar estes utentes. Por outro lado, temos toda uma estrutura a funcionar à volta, com outros serviços e respostas, desde áreas de apoio, como por exemplo uma Linha Rara, que não são as ditas áreas produtivas diretamente mas que também precisam de um financiamento para funcionarem. É aí que a parte dos donativos é importante. De uma forma aproximada, no nosso plano e no nosso orçamento, o contributo dos mecenas representa 30%, o que é um peso grande.
No Relatório e Contas de 2016 lê-se que a Raríssimas recebeu 50 mil euros de mecenas e de entidades públicas 890 mil euros, mais os pagamentos diretos dos utentes, que esses, sim, serão a maior fatia…Não sei de cabeça… nós aqui quando falamos em donativos, falamos donativos financeiros, sim, mas também em donativos de tratamentos, que também são financeiros mas dirigidos só a tratamentos especificamente. Temos um programa que é o Olha por Mim, que é um género de um programa de apadrinhamento em que qualquer pessoa individual ou empresa pode financiar o tratamento de uma criança rara. Estes donativos relativamente a 2016 não sei, não estava cá e não me vou pronunciar, sei que neste momento o último orçamento que temos, que foi feito com a anterior direção e está a ser também auditado, diz que os donativos tinham uma componente de aproximadamente 30%.
E o que está a acontecer é que não atingem esse montante?Não.
Por quanto?Ainda estamos em fevereiro, não sabemos. Tivemos várias situações: há mecenas que continuam a apoiar-nos, como sempre e independentemente da polémica; há mecenas dos quais não conseguimos obter qualquer resposta, estamos a tentar reunir com eles para perceber qual é a posição deles perante tudo o que se passou; e temos mecenas que nos disseram que dada toda a situação e a polémica não iriam continuar a ajudar-nos. Estamos junto dos que não nos respondem a tentar perceber porquê e junto daqueles que não nos apoiam a dar a cara e a apresentar-nos como nova direção. Sabendo que também precisamos de tempo para dar provas e para as pessoas e para a sociedade confiarem em nós.
Tem ideia de quantas entidades ou pessoas vos disseram diretamente que não?Não foram muitos, mas muitos não responderam, o que me deixa preocupada. Já tivemos algumas reuniões, e de facto percebemos que houve uma quebra de confiança com tudo o que se passou. No entanto são entidades que acreditam na causa e estão até certo ponto a dar-nos um voto de confiança. Se calhar não nos financiam diretamente, mas ajudam-nos de outra maneira, através de donativos em géneros. Isto também ajuda. Sim, precisamos de dinheiro para manter a estrutura toda a funcionar, mas ao fazerem donativos de comida nós já estamos a reduzir custos.
Tendo em conta tudo o que aconteceu, como ficaram os outros projetos da Raríssimas? As delegações continuam abertas?As delegações continuam todas a funcionar, mantemos exatamente os mesmos serviços, com a mesma qualidade e o mesmo profissionalismo. Aliás, tem sido uma das prioridades da direção os nossos utentes não serem afetados por nada do que se está a passar.
O número de utentes não foi afetado?
Não, não foi.
E os projetos em curso — a Casa dos Marquinhos, por exemplo, tinha até um terreno atribuído — continuam a decorrer?Para já, não. O nosso foco neste momento está muito em salvar e manter a Raríssimas, ajudar a Raríssimas a criar uma base sustentável que lhe permita ser durável ao longo do tempo e criar parcerias, através de projetos, que nos tragam mais conhecimento na área das doenças raras e também inovação dentro deste domínio. Não estamos muito focados nesses projetos todos paralelos que existiam. O nosso único foco neste momento é dar a volta à situação, recuperar a imagem, recuperar a confiança, para voltar a ter alguma estabilidade financeira e adaptar o modelo e o orçamento à situação real financeira para que continuemos a ser sustentáveis no futuro.

Depois da “consulta de choque” a vida mudou

Nas paredes da Casa dos Marcos, maior projeto da Raríssimas, fundada em 2002 e reconhecida oficialmente como Instituição Particular de Solidariedade Social de utilidade pública no ano seguinte, há inúmeras fotografias de momentos-chave da história da instituição. Como o dia de 2014 em que o caminho de Letizia, rainha de Espanha, se cruzou com o de Paula Brito e Costa, ou os vários momentos que a ex-primeira dama Maria Cavaco Silva, madrinha da instituição desde 2006, partilhou com a então presidente da IPSS.
Margarida Laygue prefere chamar a atenção para as imagens dos “meninos e meninas raras” que ornamentam as inúmeras portas do labiríntico edifício com grandes jardins. Também ela já se encontrou com a ex-primeira dama que, apesar do escândalo, continua a dar a cara pela causa da Raríssimas. “Já tive oportunidade de ter um momento de partilha com ela, de falar um bocadinho sobre este desafio que eu abracei, tal como os outros elementos da direção — o doutor António Veiga esteve comigo nessa reunião. E ela também fez a partilha connosco de vários momentos e histórias que partilhou com a associação e os meninos raros, também para nos ajudar a conhecer melhor a instituição”, conta a atual presidente da associação.
Desde que tomou posse, tem passado os dias a ler documentos e em reuniões — mas com Vieira da Silva, ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, ainda não se encontrou. Em compensação, já esteve com Marcelo Rebelo de Sousa e com Cláudia Joaquim, secretária de Estado da Segurança Social. “Já passei aqui cinco horas, já passei doze. Depende de como consigo organizar as coisas com a Ema, se tenho alguém para ficar com ela ou não. Tenho tido muito apoio dos meus amigos e da minha família.”
Formada em Sociologia, Margarida Laygue está há três anos longe do trabalho, na área dos recursos humanos — quando saiu era funcionária da Axa, hoje a empresa chama-se Ageas. “Estou com uma licença para assistência a filho com doença crónica ou deficiência, o que me permitiu desde o nascimento da Ema parar a minha atividade profissional para a acompanhar em todos os tratamentos e terapias. Mas no fundo ainda sou trabalhadora da empresa.”

Margarida Laygue, a nova presidente da associação, é mãe de uma "menina rara"
Talvez por isso, garante, não se imagina a recandidatar-se ao cargo: o mais importante é garantir que a Raríssimas sobrevive e que a filha, tal como os restantes cerca de 200 utentes da associação, continua a ter acesso aos melhores cuidados médicos. A partir de 2019, se tudo correr bem, os seus dias voltam a ser maioritariamente dedicados a Ema.
A Ema tem agora 3 anos e continua por diagnosticar. Faz tratamentos todos os dias?Sim, vem todos os dias e continua sem diagnóstico. Foi a minha diretora na altura que me disse que tinha uma amiga de infância que trabalhava na Raríssimas e que eu devia conhecer a Casa dos Marcos, porque podia ser que tivessem respostas para a situação da Ema. Vim cá um dia e a partir daí a minha vida mudou para melhor, porque consegui encontrar um sítio que congregasse todas as atividades terapêuticas e em que o trabalho fosse feito de forma concertada, com reuniões multidisciplinares entre os diferentes profissionais, o que faz com que os tratamentos também sejam mais eficazes e mais rápidos.
Foi há um ano e meio, o que significa que ainda passou outro ano e meio a saltar de hospital em hospital.Desde os 3 meses que a Ema faz tratamentos e efetivamente os tratamentos que íamos conseguindo obter para ela estavam dispersos por hospitais, o que para a organização familiar é complicado. Para além de que, não estando num sítio que congregue todas estas especialidades ou terapias, depois o trabalho também não é tão coordenado nem tão eficaz.
Os sintomas da Ema surgiram logo à nascença ou só aos 3 meses?As crianças raras ou as crianças com síndromes pouco comuns são muito difíceis de diagnosticar logo quando nascem. Aliás, antes dos três anos é muito complicado ter-se um diagnóstico porque há determinados sinais que só são evidentes e perceptíveis quando atingimos um determinado nível de desenvolvimento. É quando as coisas não estão lá: tem 3 anos e ainda não anda, tem 3 anos e ainda não fala. Quando são muito bebés ainda não se conseguem verificar muitos sinais desses atrasos. Mas efetivamente quando a Ema nasceu apercebemo-nos de que havia algo diferente. Mas os médicos também não conseguiam perceber bem se seria algum síndrome ou não, ou o que se passava. Tivemos de deixar passar algum tempo. E aos 3 meses tivemos o que eu chamo a consulta de choque em que o pediatra nos disse que realmente tinha a certeza de que a nossa filha tinha um síndrome e era preciso fazer análises e iniciar um conjunto de investigações no campo genético, porque a maior parte das doenças raras são do foro genético, e pronto, assim começámos o nosso caminho. Enquanto família aquilo que entendemos é que independentemente de não termos ainda o diagnóstico, tudo o que pudermos fazer para minimizar os impactos vamos fazer já. A Ema tem algumas dificuldades motoras e nesse sentido desde os 3 meses que faz terapias. Sendo que de há um ano e meio para cá nos concentrámos aqui na Casa dos Marcos. Antes era uma terapia num hospital, outra noutro, outra numa clínica, andávamos sempre de um lado para o outro com a Ema.
Ela faz várias terapias por dia, ocupam o dia inteiro?Não, não ocupam o dia inteiro. Na Casa dos Marcos a Ema faz uma a duas terapias por dia, depois tem outras que as complementam, mas também aqui perto. Tudo da parte da manhã, que é o horário em que a Ema é mais recetiva. Depois ainda tem a parte do colégio, para ter todo o estímulo de todas as crianças e das atividades ditas normais, que acabam por ser um grande estímulo para ela também. Passa lá duas ou três horas por dia. E depois sou eu e o pai em casa, que fazemos muita ginástica com ela e muitas atividades e brincadeiras, para a ajudar e estimular. É o que eu costumo dizer: com crianças raras é um dia de cada vez.
Como é que a Ema está hoje?
A Ema tem feito um grande progresso, tem feito várias conquistas. Claro que não está ao nível de um menino de 3 anos, nas etapas que classificamos como normais nas escalas de desenvolvimento mas tem feito muitos progressos.
Quais são essencialmente as dificuldades dela?São motoras, e também são cognitivas, mas mais concretamente são a nível da manipulação de objetos, ter funcionalidade com as mãos, por exemplo, entre outras características.
Quando fala na consulta de choque…Chamo-lhe assim porque é aquela consulta em que estamos em frente aos médicos e eles nos dizem, olho no olho, finalmente…
Depois de uma gravidez em que tudo correu bem?Não, houve uma suspeita de que qualquer coisa poderia não estar bem. Foi uma gravidez acompanhada clínica e medicamente. Fiz uma biópsia, depois uma amniocentese, fiz o exame bioquímico ao sangue, fiz todos os exames. A biópsia não foi conclusiva, depois a amniocentese veio dizer que estava tudo bem, o exame bioquímico disse que a probabilidade de haver algum problema era tipo de 1 para um milhão, e, pronto, respirámos fundo. As ecografias iniciais dão sinais que às vezes são rasteiras, nem são bem reais, e depois vamos fazer estes exames e verifica-se que não há nada. No nosso caso, depois de fazermos todos os exames chegou-se à conclusão de que não havia qualquer problema. O que não veio a verificar-se efetivamente quando a Ema nasceu. Mas, lá está, estes exames também — e por isso é que existe um mundo de doenças raras — o que vão testar e analisar é aquilo que conhecemos e o mais frequente, não vão a estas particularidades raras e por isso não conseguem nunca descartar a 100% que não há algum risco. Mas é aquela coisa, que é da natureza humana: achamos sempre que não nos vai acontecer a nós. Até nos acontecer. E a partir daí a realidade da família e do casal e de tudo altera-se e tem de se adaptar.
Com a dificuldade acrescida de não se saber sequer o que é.Acho que é uma das maiores dificuldades para quem é portador de uma doença rara e para as famílias. Primeiro é conseguir ter um diagnóstico e centros especializados e dedicados a esta área onde possamos ir; a parte financeira, o financiamento das terapêuticas e dos tratamentos; a parte logística, de encontrarmos sítios que congreguem todas as especialidades; e é a parte psicológica, que é o aceitar. O aceitar que isto me aconteceu a mim, que aconteceu à nossa família e que a partir daqui a nossa realidade vai ser diferente. E vai ter de se adaptar para conseguirmos continuar a ser felizes.

http://observador.pt
05
Mar18

05 de Março de 1871: Nasce Rosa Luxemburgo

António Garrochinho


Rosa Luxemburgo, a líder de uma facção revolucionária do Partido Social-Democrata Alemão durante a Primeira Guerra Mundial, nasceu no dia 5 de Março de 1871, em  Zamośc, Polónia, região que à época estava sob controlo russo. 


A mais nova de cinco filhos de uma família judaica de classe média baixa,  Rosa Luxemburgo interessou-se por política desde muito jovem. Em 1889, deixou a Polónia e o regime repressivo czarista de Alexander III, o predecessor do czar Nicolau II e foi para Zurique, Suíça, onde estudou ciências naturais e economia política.


Em 1898, Luxemburgo casou-se com um trabalhador alemão, Gustavo Lubeck, adquirindo então a cidadania alemã. Estabeleceu residência em Berlim, onde se filiou ao Partido Social-Democrata alemão, conhecido como SPD, na ocasião a mais importante organização do socialismo internacional de todo o planeta. 


Nos anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial, Luxemburgo adoptou posições firmes e decididas a nível ideológico, defendendo uma greve geral como catalisadora que radicalizaria a acção dos trabalhadores e daria lugar a uma revolução socialista internacional. 


Ela e os seus companheiros da ala mais à esquerda do SPD opuseram-se duramente à participação da Alemanha na Guerra, vendo-a como um conflito imperialista que de modo algum iria beneficiar a população. Esta postura afastou-a da liderança do partido, que defendia o esforço de guerra na esperança de que a vitória germânica levasse a um conjunto de reformas. 


Em Dezembro de 1914, Luxemburgo e o socialista alemão Karl Liebknecht formaram a facção revolucionária do SPD designada  Liga Espartaquista, em homenagem a Espartaco, escravo que, em 73 a.C., lidera uma rebelião de 78 escravos que escaparam da escola de gladiadores em Cápua contra a classe dirigente da República Romana e que lutou durante dois anos ao comando de 90 mil homens. 



Rosa Luxemburgo publicou um livro em 1916, “A crise na Social-Democracia alemã” em que acusa a social-democracia de ter traído a classe operária alemã por endossar um esforço de guerra de cunho essencialmente capitalista e imperialista. A única solução para a crise, acreditava Luxemburgo, era uma revolução internacional de classe. 


Após uma manifestação espartaquista em Maio de 1916 contra a guerra, Luxemburgo foi  presa, tendo permanecido na cadeia até ao fim da guerra. Após a sua libertação, em Novembro de 1918, determinada pela decisão do chanceler germânico, Max von Baden, de libertar todos os prisioneiros políticos, Luxemburgo começou a transformar a Liga Espartaquista no Partido Comunista da Alemanha (KPD). 

No mês de Janeiro seguinte, os Espartaquistas, reuniram-se em Berlim para desencadear uma rebelião contra o governo de coligação de Von Baden e Friedrich Ebert, o líder do SPD, Luxemburgo juntou-se a eles relutantemente, instando os seus seguidores a não tentar iniciar a insurreição antes de conseguir formar um suficiente apoio popular. Não teve condições de impedi-los e os rebeldes espartaquistas lançaram-se ao ataque em 10 de Janeiro. 


Ebert imediatamente ordenou que o exército alemão subjugasse a rebelião. No conflito que se seguiu, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht foram capturados e assassinados. O corpo dela, atirado  a um canal de Berlim, só foi recuperado cinco meses mais tarde. 


Com a sua morte, Luxemburgo tornou-se mártir da causa da revolução socialista internacional. São de Rosa Luxemburgo as famosas frases: “Há todo um velho mundo ainda por destruir e todo um novo mundo a construir. Mas nós conseguiremos, jovens amigos, não é verdade?”; “Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.”; e “Socialismo ou barbárie”. 

Fontes: DW
wikipedia (imagens)

Ficheiro:Rosa Luxemburg.jpg
Retrato de Rosa Luxemburgo (data desconhecida)
File:LuxemburgSpeech.jpg
Rosa Luxemburgo em 1907
05
Mar18

05 de Março de 1917: Morre Manuel de Arriaga, Primeiro presidente constitucional da República Portuguesa

António Garrochinho


Manuel José de Arriaga Brum da Silveira nasceu em 8 de Julho de 1840, na cidade da Horta, filho de Sebastião de Arriaga e de D. Maria Antónia Pardal Ramos Caldeira de Arriaga, ambos descendentes de famílias nobres açorianas.


Casou com D. Lucrécia de Brito Berredo Furtado de Melo, neta do comandante da polícia do Porto e partidário das forças liberais à data da revolução de 1820, de quem teve seis filhos, dois rapazes e quatro raparigas. Faleceu em 5 de Março de 1917, com 77 anos de idade.

 

Na Universidade de Coimbra, onde se formou em Leis, cedo manifestou simpatia pelas ideias republicanas, o que provocou um conflito insanável com o pai, que o deserdou e lhe deixou de custear os estudos. Para sobreviver e pagar a Faculdade, teve então de dar aulas de Inglês no liceu.


Em 1866, concorreu a leitor da décima cadeira da Escola Politécnica e da cadeira de História do Curso Superior de Letras. Não conseguindo a nomeação para qualquer delas, teve de continuar, agora em Lisboa, a leccionar a mesma disciplina de Inglês. Dez anos depois, em 26 de Agosto de 1876, já faz parte da Comissão para a Reforma da Instrução Secundária. Simultaneamente, vai cimentando a sua posição como advogado, tornando-se um notável casuísta graças à sua honestidade e saber. Entre as várias causas defendidas destaca-se, em 1890, a defesa de António José de Almeida, após este ter escrito no jornal académico O Ultimatum, o artigo "Bragança, o último", contra o rei D. Carlos.


Na sequência dos acontecimentos de 5 de Outubro de 1910, e para serenar os ânimos agitados dos estudantes da Universidade de Coimbra, é nomeado reitor daquela Universidade, tomando posse em 17 de Outubro de 1910.


Filiado no Partido Republicano, foi eleito por quatro vezes deputado pelo círculo da Madeira. Em 1890, foi preso em consequência das manifestações patrióticas de 11 de Fevereiro, relativas ao Ultimato Inglês.


Em 1891, aquando da revolta de 31 de Janeiro, já fazia parte do directório daquele Partido, em conjunto com Jacinto Nunes, Azevedo e Silva, Bernardino Pinheiro, Teófilo Braga e Francisco Homem Cristo.


Nos últimos anos da monarquia, sofre um certo apagamento, dado que o movimento republicano tinha chegado, entretanto, à conclusão que a substituição do regime monárquico não seria levada a cabo por uma forma pacífica. Os republicanos doutrinários são, então, substituídos pelos homens de acção que irão fazer a ligação à Maçonaria e à Carbonária.

Depois da proclamação do regime republicano foi então chamado a desempenhar as funções de Procurador da República.


ELEIÇÕES E PERÍODO PRESIDENCIAL


Foi eleito em 24 de Agosto de 1911, proposto por António José de Almeida, chefe da tendência evolucionista, contra o candidato mais directo, Bernardino Machado, proposto pela tendência que no futuro irá dar origem ao Partido Democrático de Afonso Costa.


O escrutínio teve o seguinte resultado:


Manuel de Arriaga 121 votos

Bernardino Luís Machado Guimarães 86 votos

Duarte Leite Pereira da Silva 1 voto

Sebastião de Magalhães Lima 1 voto

Alves da Veiga 1 voto

Listas brancas 4 votos


Assiste-se na época à divisão efectiva das forças Republicanas. De 27 a 30 de Outubro de 1911, reúne-se, em Lisboa, o Congresso do Partido republicano em que é eleita a lista de confiança de Afonso Costa, passando o partido a denominar-se Partido Democrático. 


Em 24 de Fevereiro de 1912, por discordar da nova linha política seguida pela nova direcção, António José de Almeida funda o Partido Evolucionista, e dois dias depois, Brito Camacho, o Partido União Republicana, divisão que, no entanto, pouco adiantará para a resolução das contradições deste período deveras conturbado. O início da Primeira Grande Guerra vem agravar ainda mais a situação, dando origem à polémica entre guerristas e antiguerristas.



O Ministério de Victor Hugo de Azevedo Coutinho, alcunhado de Os Miseráveis, que vigora entre 12 de Dezembro de 1914 e 25 de Janeiro de 1915, não vem alterar em nada a situação, acabando por ser demitido na sequência dos acontecimentos provocados pelo "Movimento das Espadas", de âmbito militar, onde se destacaram o capitão Martins de Lima e o comandante Machado Santos.


O Presidente Manuel de Arriaga tenta inutilmente chamar as forças republicanas à razão, envidando esforços no sentido de se conseguir um entendimento entre os principais dirigentes partidários. Goradas estas diligências, não dispondo de quaisquer poderes que lhe possibilitassem arbitrar os diferendos e impor as soluções adequadas e pressionado pelos meios militares, vai então convidar o general Pimenta de Castro para formar governo que é empossado em 23 de Janeiro de 1915.


O encerramento do Parlamento e a amnistia de Paiva Couceiro vão transformar em certezas as desconfianças que os sectores republicanos tinham acerca daquele militar, desde o governo de João Chagas onde ocupara a pasta da Guerra e evidenciara uma atitude permissiva face às tentativas monárquicas de Couceiro. A revolta não se fez esperar. Em 13 de Maio do mesmo ano, sectores da Armada chefiados por Leote do Rego e José de Freitas Ribeiro demitem o Governo que é substituído pelo do Dr. José de Castro, que inicia as suas funções em 17 do mesmo mês.


O Presidente é obrigado a resignar em 26 de Maio de 1915, saindo do Palácio de Belém escoltado por forças da Guarda Republicana.

 

Manuel de Arriaga não conseguiu recuperar deste desaire, morrendo amargurado dois anos depois, em 5 de Março de 1917. Foi substituído pelo Dr. Teófilo Braga.

wikipedia (imagens)
 
Manuel de Arriaga
Cartaz comemorativo da eleição de Manuel de Arriaga
05
Mar18

05 de Março de 1953: Morte de Estaline

António Garrochinho





Josef Vissariónovitch Stalin

18 de dezembro de 1878 — Moscovo, 5 de março de 1953) foi secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e do Comitê Central a partir de 1922 até a sua morte em 1953, sendo assim o líder da União Soviética.


Sob a liderança de Stalin, a União Soviética desempenhou um papel decisivo na derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) e passou a atingir o estatuto de superpotência, após rápida industrialização e melhoras nas condições sociais do povo soviético. Durante esse período, o país também expandiu seu território para um tamanho semelhante ao do antigo Império Russo. 

Nascido em uma pequena cabana na cidade georgiana de Gori, filho da costureira Ketevan Geladze (1858-1937) e do sapateiro Besarion Jughashvili (1849 ou 1850 - 1909), o jovem Stalin teve uma infância difícil .




Chegou a estudar em um colégio religioso de Tiflis, capital georgiana, para satisfazer os anseios de sua mãe, que queria vê-lo seminarista.

Mas logo acabou enveredando pelas atividades revolucionárias contra o regime tsarista. Na juventude, adotou o nome Koba mas também era conhecido como David, Nijeradze, Chijikov, Ivanovitch e, antes da I Guerra Mundial, mudou seu nome definitivamente para Stalin (homem de aço).




Stalin em 1902.


Nos anos de 1901 e 1902, tornou-se membro em Tíflis, em comitês de Batumi do POSDR. Em 1901, depois de uma manifestação organizada por ele e reprimida violentamente pelas autoridades, tentou sem sucesso eleger-se líder do já combalido POSDR de Tíflis.
Neste mesmo ano, foi expulso do partido de forma unânime pelos Mencheviques, acusado de caluniador e agente provocador.

Em 1901, Stalin, enquanto na clandestinidade, organizava greves e manifestações, agitando os trabalhadores em Baku nas fábricas de Alexander Mantáshev

Em 1903, aliou-se a Vladimir Lenin e aos outros Bolcheviques, que planeavam a Revolução Russa.

Entre 1902 e 1913 foi preso seis vezes, fugindo 4 vezes, em 1906 a 1907 supervisionou as desapropriações no Cáucaso. 

Segundo alguns historiadores organizou assaltos, sendo acusado de participar indiretamente na "expropriação do banco de Tíflis em 1907" 







Stalin chegou ao posto de secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética entre 1922 e 1953 e, por conseguinte, o chefe de Estado da URSS durante cerca de um quarto de século, transformando o país numa superpotência.

Antes da Revolução Russa de 1917, Stalin era o editor do jornal do partido, o Pravda ("A Verdade"), jornal que foi fundado por Leon Trotsky como uma publicação social-democrata e editado em Viena até o dia 12 de abril de 1912, quando passou a ser editado em São Petersburgo e a sua edição sendo efetivamente controlada por dia por Molotov e Stalin antes de sua prisão em março de 1913. Stalin teve uma ascensão rápida, tornando-se em novembro de 1922 o Secretário-geral do Comitê Central, um cargo que lhe deu bases para ascender aos mais altos poderes. Após a morte de Lenin, em 1924, tornou-se a figura dominante da política soviética . 

Lênin elogiaria Stalin pela sua obra O Marxismo e o Problema Nacional e Colonial. Nessa obra Stalin estabelecia os fundamentos do programa nacional do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR), e citava os problemas nacionalistas de conflitos interétnicos, de lutas nacionais e revolucionárias na Rússia da época, e que a Democracia formal ajudava, cujo parlamento era o principal.



Lenin sofreu um derrame em 1922, forçando-o a semi-aposentadoria em Gorki. Stalin foi visitá-lo diversas vezes, agindo como seu intermediário com o mundo exterior.


Lenin morreu de um ataque cardíaco em 21 de janeiro de 1924.



05
Mar18

Jerónimo de Sousa acusa PS de ser "incapaz de se afirmar de esquerda"

António Garrochinho


O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou hoje o PS de ser "incapaz de se afirmar claramente de esquerda", afirmando que nas questões laborais os socialistas estão "do lado do capital".  
Jerónimo de Sousa acusa PS de ser "incapaz de se afirmar de esquerda"   
Lusa


Intervindo num almoço-comício na Aldeia de Paio Pires, Seixal, para assinalar os 97 anos do PCP, Jerónimo de Sousa reforçou críticas que tinha deixado ao PS numa iniciativa no sábado em Lisboa, sobre o "posicionamento de classe" dos socialistas.

Jerónimo de Sousa assinalou que o PSD e o CDS-PP criticam o "governo das esquerdas" -- aludindo ao acordo entre o PCP, BE e o PS para a viabilização do governo minoritário socialista -- mas, no parlamento, "alinham com o PS" quando se trata dos direitos dos trabalhadores.

"Porque eles sabem que o PS é incapaz de se afirmar claramente como um partido de esquerda, como uma força de esquerda", sustentou.

"Estamos a falar de salários, de direitos, da reposição de horários de trabalho, da contratação colectiva (...) o PS não está nessa, está do lado do capital, está do lado dos interesses de classe", acrescentou.

Perante centenas de militantes e reconhecendo no comício, no Seixal, alguns trabalhadores da fábrica da Autoeuropa, em Palmela, Jerónimo de Sousa disse que o PCP foi "fustigado por uma onda ideológica que o acusava de querer destruir" a fábrica de automóveis, responsável por grande parte do emprego no distrito.

"Nós queremos que ela cresça, mas que isso não seja incompatível com a existência do trabalho, do seu direito ao horário, do seu direito ao salário. Foi isso que esteve me causa na Autoeuropa", justificou.

O secretário-geral comunista voltou a referir-se também ao "caminho de consensos" que disse ver entre o PS e do PSD, afirmando recear que aqueles partidos comecem pela "descentralização" para "voos mais largos em que a Segurança Social volta a marcar lugar".

Jerónimo de Sousa disse que "há elementos positivos na situação do país", nomeadamente o crescimento económico, as "melhorias nas pensões e nos salários, o desagravamento fiscal do trabalho", entre outros.

Tais "avanços", disse, só ocorreram por causa "da influência do PCP e da sua intervenção", já que, "noutras circunstâncias, o PS nunca os adoptaria como não adoptou no passado".

Contudo, "há problemas que carecem de resposta" e que não são enfrentados porque o "PS, em convergência com o PSD e o CDS, confirma a sua submissão às imposições do euro e da União Europeia", acrescentou Jerónimo de Sousa.

Antes de Jerónimo de Sousa, a dirigente concelhia Susete Oliveira alertou para alguns dos problemas da região, criticando a supressão de carreiras na travessia fluvial entre Lisboa e o Seixal: "não é possível ter um único barco a fazer piscinas no Tejo como acontece nestes dias", criticou.

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05
Mar18

TEATRO NUCLEAR - A rapaziada vulgar do jornalismo de sarjeta que se pratica em Portugal, esconde ou desconhece a recente informação que o presidente da Rússia deu ao mundo.

António Garrochinho


TEATRO NUCLEAR

A rapaziada vulgar do jornalismo de sarjeta que se pratica em Portugal, esconde ou desconhece a recente informação que o presidente da Rússia deu ao mundo. Quando o cerco à Rússia é cada vez mais uma evidência, pela decisão da organização fascista da NATO, através da Ucrânia, da Polónia e da Roménia, Putin avisou todas as forças fascistas e imperialistas que devem escutar, com muita atenção, a sua declaração inequívoca sobre a guerra que os EUA e a NATO pretendem desencadear.
Face ao novo armamento militar de que dispõe a Rússia, torna obsoletos os mísseis navais e aero-navais inimigos.
(…) «A Rússia reserva-se o direito de utilizar armas nucleares unicamente em resposta a um ataque nuclear, ou a um ataque com armas de destruição em massa contra o país ou seus aliados, ou um acto de agressão contra nós com a utilização de armas convencionais que ameacem a própria existência do Estado. Tudo isto é muito claro e específico.
Como tal, considero do meu dever anunciar o seguinte: Qualquer utilização de armas nucleares contra a Rússia ou seus aliados, armas de curto, médio ou qualquer alcance, será considerado como um ataque nuclear a este país. A retaliação será imediata, com todas as consequências decorrentes.» (…)
Os russos descobriram que os mísseis anti-balísticos dos EUA não podem interceptar nenhum míssil hipersónico na mesosfera (entre 35.000/80.000 m). Os indetectáveis Avangard.
A superioridade da tecnologia militar russa é neste momento de tal forma esmagadora, que os especialistas afirmam que, por exemplo, as respostas hipersónicas de reacção a um ataque inimigo têm um impacto arrasador num tempo que pode levar aos 12 mil km/h.
(Entretanto a Rússia salva a Europa de morrer congelada, através da autorização de venda de gás dada à Gazprom para conter o desespero de governos sem outra resposta adequada)

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António Garrochinho

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