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POESIA E MÚSICA DA RESISTÊNCIA

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01
Mar18

HISTÓRIA . O INFERNO NA TERRA

António Garrochinho



Seja qual for a terminologia que você levar em conta: Sheol, Geena, Hades, Diyu, Jahannam, Naraka ou simplesmente Inferno; a humanidade está repleta de representações mitológicas de uma vida brutal de sofrimentos após a morte. No entanto, essas descrições parecem quase triviais em comparação com algumas experiências devastadoras da realidade. Esses infernais, esses trágicos momentos da história humana, expuseram  as desafortunadas pessoas envolvidas neles, à dor, tortura, sofrimento e terror indescritíveis. Falamos de ...


 Os pântanos de Ramree

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O teatro asiático da Segunda Guerra Mundial foi o palco de uma batalha verdadeiramente horrível em fevereiro de 1945. Os japoneses estacionados na ilha fortaleza de Ramree, no sul da Birmânia, foram forçados a recuar para os manguezais, depois da ilha ter sido invadida por um contingente da marinha britânica. Se os cerca de 1.000 soldados japoneses que entraram no pântano tivessem ideia do inferno que enfrentariam, eles certamente teriam se rendido aos britânicos.
Os fugitivos, muitos dos quais feridos e com pouca munição, foram atacados pelos crocodilos de água salgada, cujo tamanho médio é de 4,50 metros de comprimento. Os ataques desses animais a pessoas estão bem documentados,  o excesso de sangue da batalha apenas catalisou o frenesi das feras. O naturalista britânico Bruce Wright, que estava na ilha, observou que "dos 1.000 soldados japoneses que entraram nos pântanos de Ramree, apenas cerca de 20 foram encontrados vivos."

A Grande Revolta dos Judeus

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A Grande Revolta dos Judeus em 66 depois de Cristo contra os romanos, que tinham sido por muito tempo os opressores da Judéia, terminou quando os antigos mestres retornaram para dar uma punição exemplar aos rebeldes. Durante anos, o sentimento anti-romano sufocava os judeus e cresceu mais ainda devido às ações insanas do louco imperador Calígula. Mesmo décadas após a morte de Calígula, o espírito de revolta permaneceu entre os judeus. No ano 66, depois dos romanos terem saqueado o templo judaico, levando grandes quantidades de prata e ouro, os judeus se revoltaram, aniquilando a pequena guarnição romana estacionada em Jerusalém.
Querendo abafar rapidamente esta insurreição, Roma enviou 60.000 fortemente armados e experientes legionários. Os romanos cercaram Jerusalém, e, no ano 70 depois de Cristo, finalmente quebraram as defesas da cidade. Os romanos furiosos mataram, estupraram e pilharam indiscriminadamente. Para eles, todos os judeus eram considerados parte da revolta original. Pensar no inferno vivido pelos judeus é de estremecer. Muitos dos habitantes da cidade foram mortos, crucificados ou vendidos como escravos. Embora os registros variem, mais de um milhão de judeus morreram, e o templo sagrado, onde Jesus ensinara, foi destruído.

Colonização do Império Asteca

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Ser um asteca no século XVI, era realmente experimentar o inferno na Terra. Antes da invasão espanhola da América Central, liderada por Hernán Cortés, o povo asteca só havia guerreado contra seus rivais primitivos, como os Totonac e o povo Tlaxcaltec. Agora, eles enfrentavam a força dos invasores espanhóis, com armas que os astecas nunca tinha visto ou mesmo imaginado. Não é nenhuma surpresa que os espanhóis tenham oprimido o povo asteca. No entanto, os métodos violentos que eles usaram contra toda a população, em vez de apenas para com os combatentes, foi o que tornou a invasão verdadeiramente infernal. O fato surpreendente é que houve um debate papal, para discutir se os habitantes da América Central eram realmente humanos, na tentativa de justificar o tratamento cruel dado aos povos do Novo Mundo.
Juntamente com a invasão, a introdução da varíola pelos invasores europeus, matou incontáveis ??milhões de astecas, que, sem nunca terem encontrado a doença, não tinham desenvolvido nenhuma imunidade contra ela.

A Peste Negra
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Com o pico entre 1348 e 1350, a peste negra matou cerca de  200 milhões de pessoas na Europa: um escalonamento de 60% ??do total da população europeia da época. O verão de 1348 foi particularmente úmido em todo o Velho Mundo; grãos encharcados apodreciam nos campos e  havia uma agitação generalizada causada pela iminente escassez de alimentos. Esse problema, no entanto, desvaneceu-se com o surto da peste bubônica. A epidemia espalhou-se rapidamente, em especial nas cidades, onde a superlotação  e as terríveis condições sanitárias  aceleraram a velocidade com que os moradores malfadados sucumbiam à doença fatal.
Na pessoa infectada logo surgiria bulbos, furúnculos do tamanho de punhos, mais comumente encontrados ao redor da virilha, axilas e no peito. Esses inchaços intensamente dolorosos, a princípio eram vermelhos antes de tornarem pretos, dando a epidemia seu nome. Uma vez que o indivíduo desenvolvesse esses furúnculos, a morte dele estava prevista para os próximos dois dias. Era um inferno terrível para os sobreviventes, obrigados a testemunhar a morte dolorosa de todos os seus amigos e familiares, vendo cadáveres apodrecendo nas ruas e vivendo com o medo de contrair a doença; talvez, um destino pior do que sucumbir à praga.

 A Batalha de Stalingrado

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Embora os envolvidos tenham sido vítimas do frio extremo, ao contrário do tradicional calor atribuído ao inferno, não há dúvidas de que a experiência do 6 º Exército Alemão na Batalha de Stalingrado foi totalmente infernal. Os alemães assaltaram a cidade em 23 de agosto de 1942 e envolvera-se em um conflito com os russos, que só terminou quando os nazis finalmente se renderam no dia 2 de fevereiro de 1943. Entre estas datas, as duas facções suportaram a força do cruel inverno russo, embora seja inegável que os alemães, despreparados, sem mantimentos e roupas adequadas, verdadeiramente atravessaram o inferno na terra.
Uma manobra do Exército Vermelho deixou cerca de 230.000 soldados alemães isolados e cercados no centro da cidade, o local se tornaria um túmulo congelado para muitos deles. Não querendo admitir a perda da cidade estrategicamente inestimável, o alto comando alemão proibiu a retirada de seus soldados. Em vez disso, tentaram fornecer-lhes munição, roupas e alimentos por ar, embora o fornecimento para um número tão grande fosse quase impossível. Na falta de abastecimento adequado de alimentos e roupas para o frio, os alemães que não pereceram de fome foram obrigados a suportar o inferno russo. Relatos revelam que os dedos de alguns homens estavam tão inchados por causa do frio, que eles não podiam colocá-los nos gatilhos de seus rifles. 

O comércio de escravos africanos
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Embora  restos de ódio racial ainda permaneçam em alguns bolsões da sociedade atual, é indiscutível que a humanidade já percorreu um longo caminho desde o inferno desprezível que era o comércio de escravos africanos, onde inúmeras pessoas foram violentamente arrancadas de seus lares e  forçadas a partir para o outro lado do Atlântico. Essas viagens resultaram na morte milhões de pessoas, incapazes de suportar os tormentos dos navios negreiros. Os sobreviventes, saíam de um inferno para entrar em outro ainda mais cruel, onde eram obrigados a trabalhar de graça, em péssimas condições, para  senhores sem nenhuma compaixão.
No ano passado, fomos lembrados muito sem rodeios sobre a realidade infernal enfrentada pelos escravos nos Estados Unidos, graças a Quentin Tarantino,  no dolorosamente sincero Django Livre. A visão da escravidão americana de Tarantino, lamentavelmente, não se desvia para muito longe da verdade. De fato, há centenas de relatos terríveis que  rivalizam com Django em sua natureza infernal. Um dos mais tristes é o de Margaret Garner que - tendo escapado por um breve tempo de seus opressores com  seu filho - decidiu matar a criança, em vez de correr o risco de vê-la jogada novamente no inferno da escravidão.

 O genocídio em Ruanda

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A luta violenta entre os tutsis e hutus, os dois grupos étnicos de Ruanda, havia começado muito antes de sua escalada catastrófica em 1994. Os hutus, o grupo ao qual a maioria dos cidadãos ruandeses pertence, havia tomado o poder das mãos dos tutsis em 1962. Ao longo dos próximos 30 anos, as tensões raciais entre os dois grupos se acumulava e explodiu em 1994, quando o assassinato do presidente hutu Juvenal Habyarimana levou a matança em massa de tutsis, bem como  de seus simpatizantes. Durante os próximos 100 dias, os hutus tentariam exterminar seus rivais seculares, tentativa que resultou na morte de cerca de um milhão de tutsis.
Como se essa matança implacável não fosse infernal o suficiente, extremistas hutus acrescentaram uma vil e repugnante arma ao seu arsenal. Tendo assassinado os maridos de centenas de milhares de mulheres tutsis, a etnia hutu queria garantir que elas não fossem mais capazes de trazer tutsis ao mundo. Existem inúmeros relatos de mulheres que foram mutiladas sexualmente com facas, facões, água fervendo e ácido. Os hutus, em um exemplo de como o ser humano pode ser mau,  alistaram muitos homens infectados pelo HIV, para estuprarem as viúvas tutsis, quase sempre exultantes, por terem  negado às essas mulheres, uma morte rápida e indolor.

 O Holocausto

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Considerando que este foi o episódio mais negro da história da humanidade, não havia nenhuma maneira de o Holocausto não estar no primeiro lugar dessa lista. Dizer que a experiência dos judeus, poloneses, ciganos e homossexuais (entre outros) na Alemanha nazi foi infernal, é de certa forma, diminuir o verdadeiro horror do Holocausto.
Embora haja uma infinidade de histórias de horror dos campos de concentração nazistas, talvez as mais chocantes sejam as que envolvem Josef Mengele, o "Anjo da Morte". Mengele, pós-graduado em antropologia e medicina, realizou uma série de experimentos com seres humanos, usando os prisioneiros de Auschwitz como cobaias. Essa experiências incluíam a tentativa de mudar a cor dos olhos através de várias injeções na íris, amputações de membros e a união de duas pessoas por meio de cirurgia, a fim de que se tornassem "gêmeos". Nem mesmo o poeta Dante, em seus mais inspirados pesadelos poéticos, seria capaz de pensar em torturas tão cruéis.


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01
Mar18

Conheça a vila silenciosa onde todos falam por sinais

António Garrochinho


 


























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Um pequeno vilarejo na ilha de Bali, Indonésia, abriga cerca de 3 mil habitantes, todos fluentes em kata kolok, uma língua não falada em que a comunicação é feita somente a partir de sinais. Lá o nascimento de pessoas surdas é 15 vezes maior do que a média mundial. Isso por conta de um gene recessivo que passou por gerações.


Bengkala é o nome do lugar conhecido como “vila dos surdos”, berço desta linguagem que é única e independente. “A lenda que corre por aqui é que duas pessoas com poderes mágicos lutaram entre si e foram amaldiçoadas e perderam a audição como castigo”, contaIda Mardana, prefeito de Bengkala – que fala inglês e kata kolok. “O nome da nossa cidade pode ser traduzido como ‘um lugar para se esconder'”, ele completa em entrevista à Vice.
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O prefeito conta também que lá os professores são obrigados a aprender a linguagem de sinais, mesmo aqueles que ouvem. Assim, todos podem aprender juntos duas línguas diferentes. O escritor Irfan Kortschak descreve a ilha no livro Invisible People (Pessoas Invisíveis) como “um lugar onde ser deficiente auditivo não é uma coisa para se preocupar. É uma questão de comunidade”.
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Imagens: Google Maps ©Matt Alesevich, para a Vice.
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01
Mar18

A história inacreditável da menina de 11 anos que sobreviveu ao massacre de toda a sua família em um veleiro

António Garrochinho

A história inacreditável da menina de 11 anos que sobreviveu ao massacre de toda a sua família em um veleiro
Em 8 de novembro de 1961, os cinco membros da família Duperrault embarcaram no veleiro Bluebelle para iniciar a viagem que tanto tinham planejado. Pela frente, uma semana experimentando a vida no mar. Arthur Duperrault comentou a seus parentes dias antes qual era a ideia da família. O homem, um bem sucedido empresário, tinha o dinheiro suficiente para deixar tudo e viver um ano com o resto da família navegando pelo mundo. No entanto, os Duperrault jamais regressaram daquela semana de teste.

A história inacreditável da menina de 11 anos que sobreviveu ao assassinato de toda a sua família em um veleiro
Arthur pensou que o melhor era começar com uma primeira viagem de prova, durante uma semana navegando para comprovar como era a vida no mar e, se tudo saísse conforme o planejado, poderiam prolongar o ano de férias. A família decidiu começar a aventura em pleno inverno em Wisconsin, de onde eram naturais. Desta forma, o pai, sua esposa, Jean, seu filho, Brian (de 14 anos), e as filhas Terry Jo (de 11), e René (de sete), dirigiram-se às Bahamas a bordo de um veleiro alugado, o Bluebelle.
A história inacreditável da menina de 11 anos que sobreviveu ao assassinato de toda a sua família em um veleiro
Os Duperrault.
Os Duperrault contrataram Julian Harvey, um ex-piloto da Força Aérea e um experimentado marinheiro para capitanear o barco. A esposa de Harvey, Dene, se uniria ao grupo mais tarde.

Com tudo pronto, a tripulação do Bluebelle zarpou na manhã do 8 de novembro. O Capitão Harvey levou o barco para fora do berço navegando pela corrente do Golfo, passando entre a Flórida e Bahamas. Durante os seguintes quatro dias, Harvey navegou o Bluebelle para o leste, em direção à pequena cadeia de ilhas de Bimini, para depois ir a Sandy Point, uma pequena aldeia no extremo sudoeste da ilha Ábaco.

Neste lugar o grupo passou a semana mergulhando e passeando pelas praias, um meio idílico, até que chegou a hora de regressar. Antes, Arthur esteve com Roderick Pinder, o homem de Sandy Point encarregado de aprovar os formulários para sair das Bahamas e voltar aos Estados Unidos. Arthur chegou a comentar que "voltariam antes do Natal".
A história inacreditável da menina de 11 anos que sobreviveu ao assassinato de toda a sua família em um veleiro
O Bluebelle.
Essa noite, todos jantaram no Bluebelle. Seria a última refeição para quase todos eles e a anfitriã foi Dene, a mulher de Harvey que se uniu ao grupo em Sandy Point.

Pouco antes da meia-noite, Terry Jo foi para baixo do convés a seu dormitório, a menina tinha uma espécie de pequena barraca na parte traseira do barco. Pelo geral, René dormia ali também, mas essa noite sua irmã pequena seguia com seus pais e seu irmão no convés da cabine.

Quando chegou a meia noite, Terry Jo acordou com os gritos de seu irmão:

- "Socorro, papai! Socorro!" A menina também escutou alguns ruídos de passos muito rápidos, como se alguém estivesse correndo. Depois, silêncio absoluto. A pequena ficou imóvel em sua cama tremendo, desorientada e aterrorizada, não sabia o que devia fazer.
A história inacreditável da menina de 11 anos que sobreviveu ao assassinato de toda a sua família em um veleiro
Julian Harvey.
Depois de cinco minutos, talvez mais um pouquinho, Terry Jo saiu discretamente de seu quarto. Tão logo saiu viu sua mãe e seu irmão largados em uma poça de sangue na área principal do camarote, uma área que funcionava como cozinha e copa durante o dia e se transformava em dormitório pela noite. A menina soube no instante que ambos estavam mortos.

Lentamente, subiu as escadas e colocou a cabeça pela escotilha. Ali viu mais sangue acumulado na parte detrás da cabine e um arma pungente, provavelmente uma faca. Terry Jo subiu ao convés e virou-se para a parte dianteira do barco. De repente, o capitão Harvey lançou-se sobre ela e a empurrou escadas abaixo. Com o coração batendo a mil por hora, Terry Jo desviou a mirada dos corpos de sua mãe e seu irmão, e voltou correndo a seu dormitório para se esconder na barraca.

Ali, tremendo de medo, começou a escutar um barulho estranho. Em pouco tempo, a água começou a entrar em sua cabine e cobriu o piso. Terry Jo deu-se conta de que o barco estava afundando, mas tinha medo de se mover. Nesse momento, a pequena escutou um ruído, virou a cabeça e viu a sombra do capitão na porta. O homem olhava-a fixamente e tinha algo entre as mãos, parecia um rifle.

Alguns segundos depois, o homem deu meia volta e subiu ao convés. Com a água chegando à parte superior de seu colchão, a menina sabia que devia sair dali ou morreria. Caminhando com a água na altura de sua cintura, subiu à parte de cima de novo. Não viu o capitão, mas devido a luz de um farol sobre o mastro principal da embarcação observou que o barco salva-vidas de borracha estava flutuando.

De repente, Harvey apareceu por trás e disse que o barco se está afundando. Assinalou o pequeno bote e a pequena subiu enquanto deixava que a corda que o mantinha unido com o veleiro se soltasse. O bote afastou-se lentamente enquanto o Bluebelle afundava. Harvey saltou pela borda e inclusive Terry Jo viu o homem nadar atrás do salva-vidas enquanto desaparecia na noite.

Assim começou uma odisseia de quatro dias onde a pequena Terry Jo, sem saber muito bem que tipo de horror tinha levado até aquela situação, se manteve aferrada a um flutuador sem tirar os olhos do horizonte, temerosa de que o capitão a espreitasse.

Não tinha água, nem comida, e a roupa que usava não ia protegê-la do frio da noite. À manhã seguinte, uma segunda-feira, a pequena contou que o sol surgiu forte secando seu corpo. No entanto, logo razoou que suporia um perigo maior. À medida que avançava o dia, a temperatura subiu rapidamente, e o sol começou a queimá-la.

Não só isso, o flutuador também começou a desmantelar, expondo suas pernas e pés que já não podiam ficar na água. A cada hora que passava, sua língua se tornava mais seca. Ainda assim, a pequena recordou não ter especial apetite ou sede.

No segundo dia, um pequeno avião vermelho sobrevoou em círculos. A jovem olhou e agitou os braços, o avião passou diretamente sobre ela, mas em um ângulo que tornava impossível que os pilotos a vissem. A verdade é que as possibilidades de que alguém em um barco ou avião que passasse descobrisse a Terry Jo eram cada vez mais escassas.
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Terry Jo quando foi encontrada.
O terceiro dia amanheceu brilhante e claro, voltava a fazer muito calor. Todos seus músculos doíam. A pele estava completamente queimada, seus lábios estavam inchados, e mal sentia seu corpo. As poucas forças que restavam eram utilizadas para manter o equilíbrio nas bordas do flutuador instável, já que grande parte do mesmo estava destruído.

A pequena começou a ter alucinações, imaginando uma pequena ilha deserta com uma única palmeira solitária. De fato, creu vê-la de frente e tratou de remar para ela. Alguns minutos depois, Terry Jo caiu inconsciente.

No quarto dia a menina não sentia os raios do sol. Com poucas esperanças de viver, no meio manhã levantou os olhos e divisou uma grande sombra junto a um rugido. Quando levantou os olhos, viu cabeças e pessoas agitando os braços. Podia ouvir vozes que gritavam. Finalmente, vários braços levantaram-na lentamente enquanto voltava a cair inconsciente.
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O resgate da menina.
Quando Julian Harvey foi contratado como capitão do Bluebelle, a família não sabia muito sobre sua vida anterior. O homem era tenente coronel aposentado da Força Aérea, casado com Mary Dene Jordan, uma aspirante a escritora e ex-aeromoça. No dia após que o Bluebelle afundou, um petroleiro com destino a Porto Rico viu um pequeno bote de madeira flutuando no meio do Canal de Providence.

Quando o capitão se aproximou viu um homem no bote que gritava. Identificou-se como Julian Harvey, capitão do Bluebelle. Nos dias que seguiram, Harvey explicou que ele foi o único sobrevivente de um grave acidente. O homem contou que no meio da noite anterior, uma tempestade repentina danificou o veleiro.
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Terry Jo enquanto se recuperava.
Segundo ele, sua esposa e os Duperraults foram golpeados pelos mastros. O gás na sala de máquinas vazou e o barco incendiou-se enquanto afundava lentamente. Harvey disse que tinha conseguido lançar o bote e a balsa e se atirou pela borda, mas o incêndio acabou atingindo todos os demais a bordo.

Alguns dias mais tarde, enquanto estava se recuperando em um hotel, Harvey ouviu no rádio que Terry Jo tinha sobrevivido. No dia seguinte, uma criada do estabelecimento viu sangue nos lençóis do quarto Harvey. A mulher não conseguiu abrir a porta do banheiro e chamou a polícia. Forçaram a porta e encontraram o corpo ensanguentado e sem vida de Harvey no solo, tinha se suicidado.
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O flutuador que salvou a vida da garota.
Esta é parte do relato que Terry Jo contou através de seu livro "Alone: Orphaned on the Ocean" 50 anos após o episódio. Uma semana após seu resgate, as autoridades interrogaram Terry Jo na cama de hospital. Sua história atirava por terra o relato de Harvey.

Ao que parece, sua família, junto com Dene Harvey, foram assassinados a bordo do Bluebelle por Julian Harvey. A polícia suspeitou que Harvey matou sua esposa para receber o dinheiro de seguro de vida, e esta teoria sugere que Duperrault surpreendeu Harvey no ato, o que provocou os outros assassinatos.
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Terry Jo hoje em dia.
57 anos já se passaram desde aquele terrível episódio e Terry Jo não fica um dia sem se perguntar: - "Por que Harvey não acabou com minha vida naquele dia?".
Fonte: Reader Digest.


www.mdig.com.br
01
Mar18

01 de Março de 1692: Começa a caça às bruxas de Salém

António Garrochinho


Na povoação de Salém, ao norte de Boston, na colónia de Massachusetts Bay, Nova Inglaterra, Sarah Goode, Sarah Osborne e Tituba, uma escrava indígena de Barbados, foram acusadas em 1 de Março de 1692 de prática ilegal de feitiçaria. Naquele mesmo dia, Tituba, possivelmente debaixo de coerção, confessou o crime, encorajando as autoridades a iniciar uma caça às bruxas de Salém. A onda de intolerância e fanatismo religioso que se seguiu vitimou no início quase 20 pessoas.


Os problemas na pequena comunidade puritana começaram no mês anterior, quando Elizabeth Parris de nove anos e Abigail Williams de 11 anos, filha e sobrinha, respectivamente, do reverendo Samuel Parris, passaram a sofrer ataques e outras misteriosas doenças. Um doutor concluiu que as meninas estavam a sofrer os efeitos de bruxarias. Elas corroboraram o diagnóstico médico.


Com o encorajamento de muitos adultos da comunidade, as jovenzinhas, às quais se juntaram prontamente outros “aflitos” residentes de Salém, acusaram um amplo círculo de habitantes locais de prática de feitiçaria, a maioria mulheres de meia-idade, mas também diversos homens e até uma criança de quatro anos. Durante os meses que se seguiram, atormentados moradores daquela área incriminaram mais de 150 mulheres e homens de Salém e zonas circunvizinhas de práticas satânicas.

Em Junho de 1692,o tribunal de Oyer, para as “audiências” e o tribunal de Terminer, para as “decisões”, reuniram-se em Salém sob a presidência do juiz William Stoughton para julgar os acusados. A primeira a ser julgada foi Bridget Bishop de Salém, considerada culpada e executada na forca em 10 de Junho. Treze outras mulheres e quatro homens de todas as idades foram também conduzidos ao patíbulo e um homem, Giles Corey, foi executado por esmagamento. A maioria dos submetidos a julgamento foi condenada com base no comportamento das próprias testemunhas durante os procedimentos judiciais, caracterizado por ataques e alucinações que alegavam estar a ser causados pelos acusados naquele mesmo momento.


Em Outubro de 1692, o governador William Phipps de Massachusetts ordenou que os Tribunais de Oyer e Terminer fossem dissolvidos e substituídos por um Tribunal Superior  que proibiu esse tipo de testemunho sensacionalista nos julgamentos subsequentes.


As execuções cessaram e o Tribunal Superior finalmente libertou todos os acusados que aguardavam julgamento e indultou aqueles sentenciados à pena de morte. Terminava assim os processos das feiticeiras de Salém que resultou na execução de 19 mulheres e homens inocentes.


As perseguições às bruxas de Salém serviram, dois séculos e meio depois, como tema para que o dramaturgo Arthur Miller – sofrendo as intimidações feitas pelo Comité de Actividades Antiamericanas do senador Joseph McCarthy –, escrevesse a peça de teatro The Crucible,  conhecida como As Bruxas de Salém. Encenada no início dos anos 1950, eram evidentes as analogias que Miller fez entre as perseguições à esquerda americana na época da Guerra Fria, com os tormentos sofridos pelas “bruxas” de Salém.


Na Idade Média, as pessoas acusadas levianamente de praticar bruxaria ou magia, depois da acusação eram perseguidas, caçadas e levadas à fogueira. Os episódios de Salém tornaram modernamente “caça às bruxas” como acusação e perseguição indiscriminada às pessoas sem provas reais e sem o devido processo.

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

Ilustração de 1876 da sala de audiências
O Reverendo Samuel Parris
01
Mar18

"Enquanto você chorava, eles riam", lembra homem vendido como escravo na Líbia.

António Garrochinho


Ganês foi sequestrado quando migrava para a Europa e vendido como escravo na Líbia.
Enoch Yeboah foi sequestrado na Líbia quando tentava migrar para a Europa. Em entrevista a DW, ele narra momentos de horror desde o processo que foi sequestrado até o período no qual serviu como escravo após ser vendido por intermediários na Líbia. "Nós éramos mesmo mais do que escravos porque você não podia nem ir para a farmácia comprar medicamentos se você não estivesse se sentindo bem. Você não podia sair, você não podia fazer nada. Às vezes você nem poderia tomar um banho. Nós éramos tratados como animais", lembra. 

VÍDEO



www.dw.com
01
Mar18

"Os EUA recebem migrantes em células congeladas e com assédio sexual"

António Garrochinho



Mulheres e crianças em células de imigração no Arizona, em setembro de 2015, tornaram público depois de denunciarem as condições de sua detenção. 

Um novo relatório da organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) revela que mulheres e crianças detidas por agentes dos Estados Unidos ao longo da fronteira com o México sofrem várias formas de abuso, entre eles, permanecendo em células muito frias. 

O relatório, intitulado "No arrefecimento: condições abusivas para mulheres e crianças em células de detenção de imigração nos Estados Unidos" e divulgado na quarta-feira, documenta mais de 100 casos de imigrantes em células frias além do período de três dias recomendado nas diretrizes do Escritório de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, por sua sigla em inglês).

Em suas 44 páginas, o documento revela que os agentes estão limitados a fornecer aos mendigos  plástico resistente ao calor e geralmente encontrados em kits de primeiros socorros para aquecer. 

As células geladas nem sequer têm beliches, colchões ou qualquer outro conforto para dormir, e os agentes da fronteira geralmente fazem com que as mulheres e os filhos retirem suas roupas até ficarem com apenas uma camada. O relatório exemplifica o caso de um migrante que deve escolher entre ficar com a blusa ou a camisola. A maioria dos entrevistados referiu seu tratamento nas células como "crueles e desumanas", especialmente devido à baixa temperatura dos espaços onde estavam confinados.

"As práticas persistentes nas células de detenção de imigração são degradantes e punitivas (...) As autoridades de imigração devem manter as famílias juntas e não devem manter as crianças durante a noite em células de detenção", disse Michael García Bochenek, conselheiro da Divisão dos Direitos da Criança da HRW. 

As mulheres, no entanto, não só enfrentam células de detenção frias e inóspitas, mas também assédio sexual, de acordo com uma carta escrita por 45 representantes do Congresso dos EUA. enviou terça-feira ao Departamento de Segurança Nacional (DSN), que supervisiona a aplicação das leis de imigração nos Estados Unidos.

Embora esses problemas tenham sido relatados anteriormente, a nova administração dos EUA, sob o presidente Donald Trump, adotou uma linha de máxima dureza contra os imigrantes. Essas políticas, além das declarações xenófobas e racistas do presidente, geraram mais ódio e uma barragem de rejeição e críticas nos Estados Unidos. como no mundo inteiro. 

snr / ncl / alg / HispanTv

www.marchaverde.com.br
01
Mar18

Ó Cristas, Ó Cristas, tanta malandrice à vista!

António Garrochinho





Ontem, durante o debate quinzenal, Assunção Cristas atacou António Costa por causa da limpeza das matas. 
Por vias travessas, depois de várias acusações ao governo, questionava a líder centrista o dever dos privados na limpeza das matas, sugerindo que essa tarefa devia ser da competência do Estado. 
António Costa reagiu acusando Assunção Cristas de nada ter feito para fazer cumprir a legislação de 2006 e lembrou que "é aos privados que compete fazer a limpeza do espaço florestal privado".
É verdade que se o governo em funções tivesse sido mais rigoroso na fiscalização do cumprimento da legislação em vigor, os incêndios de 15 de Outubro não teriam tido aquelas proporções.
Em primeiro lugar, porque as autarquias teriam desempenhado as tarefas  que a legislação lhes atribui em vez de, 10 anos depois de a legislação ter entrado em vigor, virem reclamar que não têm dinheiro.
Em segundo lugar, porque as pessoas não arriscariam  violar a lei fazendo queimadas com aquelas condições atmosféricas.  
Finalmente, se a lei fosse integralmente cumprida, os senhores Párocos que em conluio com  os autarcas andam a patrocinar romarias incendiárias, teriam mais recato nas manifestações de fervor religioso, deixando de acoplar às procissões o habitual foguetório incendiário. 
O busílis na interpelação de Cristas porém, não é esse.  É a insistência da direita em submeter o Estado aos superiores interesses dos  privados.  Para a direita, os privados devem ficar com o lombo e o Estado com o osso.
Ao fim e ao cabo a mesma postura que PSD e CDS têm relativamente aos subsídios ao ensino privado, enquanto se opõem de forma veemente à distribuição gratuita de livros no ensino público.

cronicasdorochedo.blogspot.pt

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