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POESIA E MÚSICA DA RESISTÊNCIA

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13
Jun18

em rota de despedida

António Garrochinho

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13
Jun18

chegou o verão

António Garrochinho

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13
Jun18

CARTOON

António Garrochinho

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13
Jun18

PAPA LÉGUAS

António Garrochinho


MARCELO O PAPA LÉGUAS VAI BATER O RECORDE DO PAPA JOÃO PAULO II E O DO BOCHECHAS.
AINDA ESTA SEMANA ESTEVE NOS EUA E DAQUI POR MAIS UNS DIAS LÁ VAI ELE NOVAMENTE LAMBER O CU A DONALD TRUMP.
NÃO HÁ DINHEIRO PARA NADA NESTE PAÍS MAS PARA ESTA GENTE NUNCA FALTA NADA .
AG

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13
Jun18

MAU TEMPO - UM GIF ANIMADO de António garrochinho

António Garrochinho

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13
Jun18

ISTO É ESPECTACULAR ! - Garota nervosa encarna «Deusa do Rock» no Got Talent e recebe o botão dourado

António Garrochinho



Evidentemente que esta coisa de "encarnar" é só uma metáfora para ilustrar a apresentação de Courtney Hadwin, no Got Talent americano, na noite de ontem (você já vai entender). Apesar de que a ideia de uma consciência que sobrevive à morte e reencarna em novos corpos seja tão antiga quanto a fé em divindades, é apenas mais uma das crendices do ser humano sem nenhum respaldo científico. De qualquer forma, algumas situações acabam dando lugar a este tipo de pensamento, como o da referida garota.

Teria sido difícil prever que a jovem de 13 anos receberia a honra da purpurina e fitas douradas quando subiu ao palco, reconhecidamente "um pouco nervosa" e tropeçando em questões de Mel B. Mas um pouco antes que a canção "Hard to Handle", de Black Crowes, começasse, Courtney fez uma sugestiva pose para incorporar-se e quebrou tudo. A garota tímida se transforma em uma cantora desabitada com presença de palco e confiança em seus movimentos.

VÍDEO


Antes de apertar o botão dourado, Howie Mandel falou sobre como as habilidades de Courtney estão "fora dessa época" antes de chamá-la de a próxima Janis Joplin. E não exagerou de forma alguma.


VÍDEO

Não é a primeira vez que Courtney Hadwin deixa público e jurados boquiabertos. Em 2017, ela participou do The Voice Kidsbritânico com uma performance absolutamente notável do clássico de James Brown "I Got You (I Feel Good)".



https://www.mdig.com.br

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13
Jun18

NO 13ª ANIVERSÁRIO DA MORTE DE ÁLVARO CUNHAL

António Garrochinho

Álvaro Cunhal, o homem que recusou ser comum








Cioso da sua privacidade, e do sentido de verdade, nunca foi homem de paredes de vidro (por herança dos anos de clandestinidade, propósitos de conveniência política ou traço de temperamento.), rejeitava o culto da personalidade, sempre recusou colocar uma fotografia sua em cartazes eleitorais, não gostava de montras mediáticas, não expunha as companheiras, nem a filha, nem os netos. Mantinha o seu quotidiano recatado. E, no entanto, quem lidava com ele de perto sempre se comove ao lembrar a preocupação carinhosa com os outros, que tanto contrastava com a imagem de homem duro: desdobrava-se em atenções, indagava da saúde, do bem-estar, da família, dos filhos dos camaradas. Um véu de suposta aridez emocional que ocultava um homem cheio de afetos. Estudava certeiro as poucas entrevistas que concedia, sempre se recusou a autobiografar-se, e até a desmentir os dados fantasiosos que, volta e meia, se insinuavam. E o que não se sabia ao certo, a comunicação social sempre fez questão de realçar, alimentar especulações, insondáveis enigmas. Onde vivia, com quem vivia, que doença o atacava nos últimos anos. Mas ele proclamava a modéstia, uma certa obscuridade, vivia na heteronímia (na política, antes do 25 de Abril, foi Duarte, Daniel, António. e na literatura Manuel Tiago), mas ainda assim ou talvez muito por causa disto se foi criando o mito queCunhal sempre rejeitou. Recusando o culto, reforçou-o. A sua presença fascinava, hipnotizava, até os guardas da prisão embatucavam quando com ele se cruzavam.



Esta tendência para o disfarce, o segredo, um registo de vida quase espartana, as regras estritas, muito para além das necessárias, esta contumácia de guardador zeloso e meticuloso da sua vida privada, garantiram-lhe alguns voyeurismos intrometidos. Algumas biografias não desejadas. Alguns equívocos e perplexidades. Conta-se que, uma vez, lhe organizaram uma festa de aniversário-surpresa, na Soeiro Pereira Gomes.

Álvaro Cunhal recusou-se a apagar as velas, fechou-se num gabinete, o bolo foi recambiado, foram-se desgostosas as camaradas.

A sua obstinação pela luta antifascista, desde muito jovem, a abnegada ligação ao partido, trouxeram-lhe, para além da perseguição política, da clandestinidade e do exílio, e das inúmeras separações daqueles que mais amava, algumas desavenças familiares vindo da alta burguesia, Álvaro (filiado no PCP aos 17 anos) não era filho da classe operária (o pai era o reputado advogado, republicano e laico Avelino Cunhal, também pintor e escritor, a mãe católica ferverosa) mas, contavam amigos próximos, gostava de andar pela casa de fato de macaco para desespero materno.

Mercedes Cunhal perdeu três filhos: um para a política, dois para a tuberculose. Só 14 anos mais tarde nasceu a irmã mais nova, Eugénia, primeira tradutora de Tchekov, em Portugal.

A convivência com a mãe tornou-se fragmentada, ao ritmo dos desaparecimentos políticos, clandestinidades, prisões, isolamentos e exílio. Morreria antes do 25 de Abril, sem jamais o rever. Cunhal saiu de casa com 20 anos, trocou o conforto da alta burguesia, das criadas fardadas, da comida na mesa, pelo regime duro e despojado, imposto aos militantes comunistas, durante a perseguição fascista. O homem que gostava de Rembrandt, de Rodin, renunciou até à sua arte dizse que poderia ter ido muito mais longe, enquanto pintor e escritor por acreditar num dever patriótico e sentido revolucionário até ao fim. No centenário do seu nascimento, o PCP organizou uma exposição com fotos e factos inéditos, no Terreiro do Paço, com uma comissão de homenagem que inclui os mais altos e díspares vultos, um congresso, uma fotobiografia, e um comício de homenagem no Campo Pequeno no próximo domingo, 10 de novembro.

1 - 1937: A primeira prisão

Aos 23 anos, detido pela primeira vez, já a sua posição já estava bem firmada no PCP. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1931 (na mesma data em que se filia no PCP).Designado, enquanto Daniel, líder das Juventudes Comunistas Portuguesas, vai a Moscovo em 1935. Às insurreições operárias que acontecem por todo o País, em particular na Marinha Grande (18 de janeiro de 1934) e à Revolta dos Marinheiros (8 de setembro de 1936), o regime de Salazar reage ferozmente. É criado o campo de concentração de Tarrafal, para onde é enviado Bento Gonçalves, o então secretário-geral do PCP (sobreviverá apenas sete anos). Em Espanha, o jovem Cunhal participa, ao lado dos comunistas espanhóis, na luta contra a sublevação fascista. Apanhado numa cilada de um provocador infiltrado, é preso pela PVDE (predecessora da PIDE) e sujeito às mais bárbaras sevícias: dois meses de incomunicabilidade, espancado a murro e com cavalo-marinho, obrigado a caminhar depois de feridas e inchadas as plantas dos pés. Perdeu os sentidos, levou cinco dias até dar acordo de si. Em casa, com apenas 10 anos, a irmã Eugénia vê a mãe a lavar a roupa ensanguentada do irmão, enviada do Aljube. A mãe dizia-lhe que eram bichos da cadeia que lhe mordiam. Enviado para Penamacor, na qualidade de "soldado corrécio", entrou em greve da fome, por duas semanas, até ser enviado para o hospital de Coimbra.

2 - 1942: A reorganização do PCP

Decapitadas as cúpulas do partido, é a Cunhal quem cabe segurar-lhe as rédeas. Após nova prisão, dá-se a célebre defesa da sua tese sobre o aborto (preparada e concluída na cadeia), que, apesar do arrojo do tema e de um dos arguentes ser Marcello Caetano, foi aprovada com 16 valores. Salazar, na sua falsa neutralidade, apoia Hitler e Mussolini à custa do agravamento das condições de vida dos portugueses. É o tempo das senhas de racionamento, das grandes fomes, da exploração dos trabalhadores e do desemprego, das brutais condições de empobrecimento e das grandes greves, também. São os tempos dos passeios doutrinários, no Tejo, casas conspirativas flutuantes, com Soeiro Pereira Gomes, Alves Redol e Dias Lourenço.

Depois de solto e na clandestinidade, Álvaro (agora Duarte) assume a liderança partidária. Com menos de 30 anos, tomava para si as maiores responsabilidades. A partir daqui, o partido torna-se em AC e DC (antes e depois de Cunhal): disciplina reforçada, mais regras, maior rigidez. É ele quem redige o opúsculo Se Fores Preso Camarada, com instruções para os interrogatórios, resistência à tortura e para não denunciar nunca.

CASA ONDE CUNHAL VIVEU NA CLANDESTINIDADE

3 - Anos 40: A clandestinidade

Nunca se referindo, em particular, às condições em que viveu, Álvaro Cunhal foi deixando pistas, nos seus livros.

Nomeadamente em 5 Dias, 5 Noites (adaptado ao cinema, por Fonseca e Costa, em 1996), sobre a fuga a salto de um jovem citadino por uma fronteira nortenha e a estranha relação com o seu rural passador (interpretados por Paulo Pires e Vítor Norte). Mas é sobretudo no romance Até Amanhã, Camaradas (que depois da série televisiva de Joaquim Leitão se estreará em sala, como filme, a 7 de novembro) que se recolhe alguns fragmentos da vida na clandestinidade destes "revolucionários profissionais". O livro de Manuel Tiago mostra a fome, crianças de ventre dilatado, mulheres descarnadas, trabalhadores escolhidos como escravos, nas praças de jorna. Quanto aos clandestinos, como se não lhes bastasse o perigo, a perseguição e a prisão sempre iminente, a sobrevivência era dura, não tendo, ainda por cima, acesso às senhas de racionamento e ao mercado negro. O livro elucida-nos sobre o quotidiano dos clandestinos: a monotonia das tarefas partidárias, os quilómetros calcorreados de bicicleta, a solidão, o constrangimento das mulheres, tantas vezes confinadas a meras guardiãs das casas clandestinas, os casais forçados que, sem se conhecerem, tinham de partilhar a cama e rotinas, o absurdo de certas regras conspirativas como ter de fazer a barba todos os dias ou nunca apanhar frutos das árvores.

4 - 1949: A longa prisão

Aos 35 anos, Cunhal é apanhado na casa clandestina, no Luso, juntamente com Sofia Ferreira e Militão Ribeiro.

O pai, Avelino, coloca um anúncio em código no jornal, para advertir o partido de que Duarte (o nome que então usava) estava preso. Já não o torturaram não valia a pena. Mas pensa-se, e este ainda foi um dado pouco explorado pelos historiadores, que a PIDE tinha a intenção de eliminar Cunhal, no momento. Se não o fez, então, tentou que soçobrasse por força de uma das mais inclementes provações carcerárias. Indício disso são as cartas com inventários dos seus bens, agora reveladas na Fotobiografia das Edições Avante!, admitindo a hipótese de morrer.

Entre elas, um comovente pedido ao diretor da penitenciária, solicitando apanhar um ramo de flores dos jardins da cadeia para serem entregues à mãe aniversariante. Mantiveram--no oito anos incomunicável, numa cela de dois por quatro metros, na Penitenciária de Lisboa, sem papel sequer para tomar apontamentos e preparar a sua defesa em julgamento.

Militão Ribeiro sucumbiria, vítima das cruéis condições prisionais: uma foto revela o seu corpo num estado de subnutrição impressionante. Entretanto, Cunhal elabora a sua longa defesa, recorrendo a um método de memorizar e projetar mentalmente os tópicos, no lajedo da cela. A defesa terminaria assim: ". então que se sentem os fascistas no banco dos réus, então que se sentem no banco dos réus os atuais governantes da nação e seu chefe Salazar." É perante o tribunal plenário que se declara "filho adotivo da classe operária". Após o julgamento, atenuado o regime de privações, dedica-se, tenazmente, à pintura (são desta época os famosos Desenhos de Prisão), traduz o Rei Lear, de Shakespeare, escreve Até Amanhã, Camaradas, e 5 Dias, 5 Noites e A Arte, o Artista e a Sociedade. O trabalho, o estudo, a arte tornam-se forma de resistência. Entretanto, a figura de Álvaro Cunhal ganha contornos internacionais, Neruda dedica-lhe o poema A Lâmpada Marinha, Jorge Amado apela do outro lado do Atlântico, chovem pedidos de amnistia.

Álvaro Cunhal torna-se uma personalidade maior. Porventura, maior até que o próprio partido.



5 - 1960: A grande evasão



A mais ousada fuga coletiva das prisões políticas portuguesas não só constituiu um reforço das cúpulas do PCP (entre os dez fugitivos do forte de Peniche estavam alguns dos seus mais altos dirigentes), como dela resultou uma grande humilhação de Salazar. Além de um enorme gáudio nas parangonas do Avante!.

Nas barbas do regime, da inexpugnável fortaleza, uma das mais bem guardadas prisões do fascismo (Cunhal tinha sido para aí transferido em 1956), graças a uma articulação metódica, aos pormenores estudados com a perícia de relojoeiro, conexões cá fora, cumplicidade de um guarda, lá dentro, um carcereiro narcotizado e uma dose imensa de coragem, dez presos evadem-se. Nas celas vazias, ficou a tocar a Sinfonia Patética, de Tchaikovsky. A aura de Cunhal cresceu ainda mais até à sua dimensão lendária.

Tanto que, na descida, através de uma corda, pelas dezenas de metros das muralhas, Cunhal traz consigo, como Homero ou Camões, escondidos num colete fabricado para o efeito, os manuscritos de Até Amanhã Camaradas (na altura, ainda intitulado A Mulher do Lenço Preto na fuga acabou por se perder uma das partes, que o autor mais tarde reconstituiu). Também nesta fase se abre uma porta na vida familiar. Escondido numa casa clandestina, no Penedo, Sintra, Álvaro Cunhal, então com 47 anos, conhece Isaura Moreira, com 18, que seria a mãe da sua única filha, Ana (nascida a 25 de dezembro do mesmo ano). Em março de 1961, Cunhal é eleito secretário-geral do partido e parte, em seguida, para o exílio. A família instala-se na capital soviética, até se separarem, em 1965.

Isaura e Ana viajam para Bucareste. Isaura trabalha na Rádio Portugal Livre e Ana receberá frequentes visitas do pai. Ana terá dois filhos com quem o avô manterá muito afetuosas relações (apesar das distâncias: viviam entre a casa do pai, na Austrália, e a da mãe, na Bélgica). Mais tarde, nasce um terceiro neto de Cunhal de um outro relacionamento de Ana Jonas de Ro, internacionalmente conceituado artista plástico, que viveu em Berlim e agora em Londres, e que tem ligações a Hollywood, nomeadamente através do blockbuster Cloud Atlas.

6 - 1961: O Exílio





A resistência organiza-se, agora, a partir do estrangeiro. Define-se a estratégia do PCP para o derrube do fascismo e instalação de um regime democrático, em Portugal.

Cunhal estabelece contactos com os principais líderes do movimento comunista internacional, aprofunda relações, pontes políticas com a restante oposição antissalazarista (agregando socialistas, liberais, católicos, republicanos e monárquicos) dão-se em Argel e Praga as célebres reuniões com Humberto Delgado, e com os movimentos de libertação das colónias.

Por outro lado, aumenta o seu comprometimento com a linha pró-soviética. Publica o famoso documento Rumo à Vitória, no qual, em oito pontos, estabelece as prioridades para um Portugal democrático: "Destruir o fascismo; liquidar o poder dos monopólios; realizar a reforma agrária; elevar o nível de vida dos trabalhadores; democratizar a instrução e cultura; libertar Portugal do imperialismo; direito à imediata independência das colónias; seguir uma política de paz e amizade com todos os povos."

7 - 1974: O 'Dia Inicial'



O dia 25 de abril apanha-o em Paris. A disciplina impõe-se à emoção e não o faz desmarcar uma reunião. O último Avante! clandestino, de abril de 1974 aliás, com um grafismo notável tem três parangonas inesquecíveis: "Escalada da Tortura"; "Não Dar Tréguas ao Fascismo"; "Aliar à Luta Antifascista os Patriotas das Forças Armadas". Nesse mesmo dia, a comissão executiva do PCP apela ao povo para "que se una e lute para que o fascismo seja liquidado para sempre e instauradas as liberdades democráticas! Para que cesse imediatamente a guerra colonial e acabe o colonialismo! Para que Portugal se liberte do domínio dos monopólios e do imperialismo estrangeiro!". Álvaro Cunhal tem direito a uma receção calorosa, a 30 de abril, no aeroporto de Lisboa: as suas primeiras palavras, aos microfones das rádios e televisão, são: "Confiança, confiança." Ao fim de 40 anos de luta, prisões, privações, clandestinidade e exílio, Eugénia Cunhal deixa-se ficar atrás da multidão: o último abraço pertence-lhe.

Soares também lá esteve: "Cunhal entre um soldado e um marinheiro, em cima de um tanque lembrava Lenine, no seu regresso." Da Portela segue diretamente para uma reunião com Spínola, ovacionado nas ruas. O general do monóculo, Presidente da Junta de Salvação Nacional, disse-lhe que o Avante! deveria sair sem a foice e o martelo e sem se intitular órgão central do PCP. Ao que Cunhal responde: "Não sei como é que vão fazer isso, nem a PIDE conseguiu." A cena do soldado e do marinheiro repetirse-á num 1.º de Maio estrondoso de aclamação popular, no então estádio da FNAT, em Alvalade, quando Soares e Cunhal se voltam a encontrar, já com alguma frieza. Nas décadas que se seguiram, até hoje, é reconhecida ao PCP a preocupação com o estrito cumprimento da lei e respeito institucional. Terá sido uma herança deÁlvaro Cunhal, que nunca tentou chegar ao poder pela via não legal, como se chegou a insinuar.

Dizem que a irredutibilidade dele liquidou o partido e a sua força eleitoral: há quem defenda exatamente o contrário. No entanto, nunca perdoaria as dissidências.

8 - 1992: Passagem de testemunho

Álvaro Cunhal quis correr, ele mesmo, a cortina do seu próprio espetáculo, embora nunca se tenha retirado verdadeiramente da política. Com 79 anos, 31 de secretário-geral, rende a guarda. Sucede-lhe Carlos Carvalhas, no XIV Congresso, em Almada. Para o acolher é criado um cargo especial: o de presidente do Conselho Nacional. O último discurso, enquanto líder, dura duas horas e, no final, é aplaudido durante mais de três minutos. Há lágrimas na assistência. "Passei uma dúzia de anos na prisão, 11 seguidos e oito completamente isolado numa cela, isto é muito duro mas houve companheiros meus que estiveram mais de 20 anos presos. Fui torturado quase até à morte, mas o certo é que houve alguns mortos na tortura, porque se recusaram a fazer declarações. Estive mais de 10 anos clandestino, mas houve camaradas meus que estiveram mais de 20, mais de 30, a ser perseguidos pela polícia, sem nunca desistir da luta pela liberdade em Portugal."

9 - 1994: Autoria







Se dúvidas restassem ficou eliminado o tabu literário. Cunhal assume a autoria de todas as obras assinadas com o pseudónimo Manuel Tiago. Logo em dezembro de 1975, foi editado Até Amanhã, Camaradas, com uma nota inicial em que se esclarecia que o original datilografado fora encontrado no meio de um arquivo, com uma pequena folha apensa e agrafada, onde se lia, "em rabisco apressado, o nome de Manuel Tiago, pseudónimo, de certeza. Foram consultadas pessoas que poderiam dar, eventualmente, indicações, conduzindo à identificação.

Sem resultado.

O autor fica assim merecendo o título de 'homem sem nome', tal como as personagens do seu livro". Esta foi a mais ambígua e discutida das suas ficções.

Sendo um romance neorrealista, transgride-lhe as regras: não se limita ao retrato e à denúncia das condições de vida do proletariado e camponeses.

Pelo contrário, o foco desvia-se para o duro quotidiano dos militantes comunistas na clandestinidade, as fugas, as prisões, a morte, as provações e privações. Mesmo assim, Cunhal continuou sempre a negar que aquelas circunstâncias narradas se baseassem em experiências pessoais baseavam-se sim, dizia, nas vivências compósitas de inúmeros camaradas.

Manuel Gusmão afirma estarmos "perante um dos poucos romances de herói coletivo da literatura portuguesa".

Urbano Tavares Rodrigues não hesitou em colocá-lo na prateleira das obras maiores do neorrealismo.

10 - 2005: A Morte



A morte de Álvaro Cunhal, já bastante debilitado, e de visão muito diminuída, embora ainda lúcido, é anunciada pelo Comité Central do PCP com "profunda mágoa e emoção", às 5 horas e 54 minutos do dia 13 de junho de 2005. Dois dias depois, realiza-se um funeral de Estado. Decretou-se o luto nacional, e milhares de pessoas, em cortejo fúnebre, percorreram, durante mais de duas horas, a avenida desde a Praça do Chile até ao Alto de São João. Agitavam-se cravos, muitas bandeiras vermelhas e palavras de ordem, jorravam muitas lágrimas e a consternação era visível. Foi a sua última grande manifestação de massas. Antes de a urna entrar no forno crematório, entoaram-se a Internacional e o Hino Nacional.



visao.sapo.pt

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13
Jun18

OLHÓ AVANTE ! - HIPOCRISIA E VERDADE

António Garrochinho



Manuel Rodrigues 

Hipocrisia e verdade

Dizendo-se muito preocupado com o nível da taxa de natalidade em Portugal, o presidente do PSD, Rui Rio apresentou na passada segunda-feira o documento «Uma Política para a Infância» com medidas que estima possam custar entre 400 a 500 milhões de euros «em situação de cruzeiro».

Ora, conhecendo nós o modo como o PSD tem contribuído, no governo e fora dele, para o aumento do desemprego nomeadamente entre os jovens; conhecendo nós a convergência entre PS, PSD e CDS sempre que se trate de agravar a legislação laboral ou manter as suas normas gravosas com consequências nefastas na contratação colectiva, salários, horários, férias, vínculos laborais, condições de trabalho que tanto penalizam as famílias (como aconteceu ainda há pouco), ficamos a perceber quão «sinceras» são as preocupações de Rui Rio com a natalidade em Portugal.

Por sua vez, o PCP entregou na AR um conjunto de iniciativas que pretendem contribuir para a promoção dos direitos das crianças e também para a sua efectivação: alargamento do abono de família, com vista à sua universalização; reforço dos direitos dos pais no acompanhamento aos filhos, em situação de doença crónica e oncológica ou em situações de acidente; reforço dos cuidados de saúde primários, designadamente naquela que é a área da saúde infantil com a garantia de um médico e um enfermeiro de família ou até um pediatra nos cuidados de saúde primários, entre outras.

Questões como as da natalidade são, de facto, indissociáveis dos direitos das crianças e seus pais e só é possível resolvê-las com políticas que valorizem os trabalhadores, como faz o PCP. Mas, para o PSD, juntamente com PS e CDS, a prioridade é o défice orçamental, não é o défice demográfico, por mais que proclamem o contrário. E, sempre que estão em causa interesses do grande capital, as medidas vão todas para ele. 
À velocidade de foguete.



www.avante.pt

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13
Jun18

13JUNHO2018 - O MUNDO MARAVILHOSO DOS GRAFFITIS

António Garrochinho










































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13
Jun18

HITLER E A GALINHA

António Garrochinho


Henrique Dias Freire in facebook
Em uma de suas reuniões, consta que Hitler pediu que lhe trouxessem uma galinha.
Agarrou-a forte com uma das mãos enquanto a depenava com a outra.
A galinha, desesperada pela dor, quis fugir mas não pôde.
Assim, Hitler tirou todas suas penas, dizendo aos seus colaboradores:
"Agora, observem o que vai acontecer".
Hitler soltou a galinha no chão e afastou-se um pouco dela.
Pegou um punhado de grãos de trigo, começou a caminhar pela sala e a atirar os grãos de trigo ao chão, enquanto seus colaboradores viam, assombrados, como a galinha, assustada, dolorida e sangrando, corria atrás de Hitler e tentava agarrar algumas migalhas, dando voltas pela sala.
A galinha o seguia fielmente por todos os lados.
Então, Hitler olhou para seus ajudantes, que estavam totalmente surpreendidos, e lhes disse:
"Assim, facilmente, se governa os estúpidos.
Viram como a galinha me seguiu, apesar da dor que lhe causei?_
Tirei-lhe tudo..., as penas e a dignidade, mas, ainda assim ela me segue em busca de farelos."
"Assim é a maioria das pessoas, seguem seus governantes e políticos, apesar da dor que estes lhes causam e, mesmo lhe tirando a saúde a educação e a dignidade, pelo simples gesto de receber um benefício barato ou algo para se alimentar por um ou dois dias, o povo segue aquele que lhe dá as migalhas do dia."

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13
Jun18

SANTA BÁRBARA DE NEXE

António Garrochinho
Morreu o Simplício

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13
Jun18

SANTO ANTÓNIO DAS MARCHINHAS

António Garrochinho




SANTO ANTÓNIO DAS MARCHINHAS
DAS NOIVAS, MANJERICOS, CANTIGUINHAS
JÁ QUASE NÃO GOSTO DE TI
É O QUE O PREÇO DA SARDINHA
NÃO É PRÁ MINHA BOLSINHA
DE TÃO CARA QUE NUNCA VI
AG

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13
Jun18

OS NAZIS NÃO SÃO ASSIM TÃO DUROS POIS NÃO ? SÃO LOUCOS, COVARDES, ASSASSINOS, FALSOS, E NÃO DEVERIAM ESTAR NESTE MUNDO

António Garrochinho
VÍDEO








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13
Jun18

PEDOFILIA, O BRANQUEAMENTO

António Garrochinho

PEDOFILIA E COMO ELES VÃO ESCAPANDO INDEMNIZADOS E AINDA POR CIMA COM A COLABORAÇÃO DE OUTROS QUE AJUDAM A BRANQUEAR ESTAS FIGURAS HEDIONDAS.

DO QUE LEIO NA NET APETECE-ME DIZER :

QUEM BRANQUEIA CRIMES DE PEDOFILIA SUFICIENTEMENTE PROVADOS APESAR DAS MANOBRAS DOS ADVOGADOS E DOS POLÍTICOS RECHEADOS DE PODER E DINHEIRO. 
QUEM OS BRANQUEIA PARA MIM, ESTÁ ABAIXO DO CU DO PORCO COMO SE DIZ NA GÍRIA POPULAR.

IGNORAR ESTES CRIMES, FINGIR QUE NÃO EXISTEM E EXISTIRAM É A POCILGA COMO SER HUMANO.

QUEM OS DEFENDE BASEANDO-SE NA CÉLEBRE PRESUNÇÃO DA INOCÊNCIA E DAS ARTIMANHAS NOS MEANDROS DA JUSTIÇA, É TÃO CRIMINOSO COMO QUEM OS PRATICA.

CRIMINOSO E SUJO QUE NEM A PUTA QUE O PARIU !


António Garrochinho

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13
Jun18

VÍDEO - HUMOR - MOMENTOS TRUMP

António Garrochinho


VÍDEO



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13
Jun18

13 de Junho de 1231: Morre Santo António de Lisboa, em Pádua

António Garrochinho


Fernando de seu nome de baptismo, Santo António de Lisboa, ou Santo António de Pádua, nasceu por volta de 1195, em Lisboa, e morreu a 13 de Junho de 1231, em Pádua, na Itália. Aos vinte anos professou a vida religiosa entre os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de S. Vicente de Fora. Ordenado sacerdote em 1220, fez-se frade franciscano no eremitério de Santo Antão dos Olivais, partindo depois para Marrocos em missão de apostolado aos muçulmanos. Foi dos mais categorizados representantes da cultura cristã no período de transição da pré-escolástica para a escolástica. Figura notável pela sua erudição, impôs-se também pelo exemplo na pregação solene e doutrinal, na discussão com os hereges e no ensino nas escolas conventuais. Por isso, é ainda hoje considerado uma das personalidades franciscanas mais significativas.

 A sua fama de santidade levou-o a ser canonizado pela Igreja Católica pouco depois de falecer, distinguindo-se como teólogo, místico, asceta e sobretudo como notável orador e grande taumaturgo. Santo António de Lisboa é também tido como um dos intelectuais mais notáveis de Portugal do período pré-universitário. Tinha grande cultura, documentada pela colectânea de sermões escritos que deixou, onde fica evidente que estava familiarizado tanto com a literatura religiosa como com diversos aspetos das ciências profanas, referenciando-se em autoridades clássicas como Plínio, o Velho, Cícero, Séneca, Boécio, Galeno e Aristóteles, entre muitas outras. O seu grande saber tornou-o uma das mais respeitadas figuras da Igreja Católica do seu tempo. Leccionou em universidades italianas e francesas e foi o primeiro Doutor da Igreja franciscano. São Boaventura disse que ele possuía a ciência dos anjos. Hoje é visto como um dos grandes santos do Catolicismo, recebendo larga veneração e sendo o centro de rico folclore. Foi canonizado pelo papa Gregório IX, em 30 de Maio de 1233. Em Pádua foi erigida uma conhecida basílica em sua memória, e lá se encontram as suas relíquias.

Santo António de Lisboa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014.
wikipedia (imagens)

Santo António em pintura de Alvise Vivarini
Ticiano - O milagre da cura do pé amputado, 1511, Scuola del Santo, Pádua

Santo António em pintura de Alvise Vivarini
Ticiano - O milagre da cura do pé amputado, 1511, Scuola del Santo, Pádua
Santo António pregando aos peixes, em Guimarães

Publicada por Carla Brito

 http://estoriasdahistoria12.blogspot.com

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13
Jun18

13 de Junho de 1654: O Padre António Vieira prega o "Sermão de Santo António aos Peixes"

António Garrochinho


Peça oratória de Padre António Vieira, proferida três dias antes do jesuíta partir para Lisboa, na cidade de São Luís do Maranhão (Brasil) em 1654, na sequência dos litígios entre jesuítas e colonos do Brasil, por causa da escravização dos índios.

Construindo o sermão sob a forma de alegoria, Vieira faz considerações sobre virtudes e vícios humanos. Esta oratória apresenta uma construção literária e argumentativa notáveis. Fina ironia e forte sátira percorrem o texto assim como uma exuberante linguagem barroca, rica de sugestões alegóricas e de recursos estilísticos. 

As partes constituintes do sermão são o exórdio, a invocação, a exposição ou informação, a confirmação e a peroração. 

No exórdio, Pe. António Vieira parte do conceito predicável "Vós sois o sal da terra". E, tal como Santo António,também ele dirige a sua palavra aos peixes, dado que não é ouvido pelos homens. 

Segue-se a invocação à Virgem Maria.

Durante a exposição ou informação, Pe. António Vieira explica as propriedades do sal e, por paralelismo, a importância das pregações para salvar os homens. Louva depois as virtudes dos peixes e repreende, em seguida,os seus vícios. 

Na confirmação, apresenta as qualidades dos peixes: o santo peixe de Tobias tem o dom de sarar da cegueira e repelir os demónios; a rémora tem força e poder; o torpedo possui a faculdade de eletrizar; o quatro-olhos tem a capacidade de vigiar. 

Na segunda parte da confirmação, Pe. António Vieira indica, primeiramente, numa visão de conjunto, os defeitos dos peixes. Em seguida, particulariza a crítica: os roncadores são convencidos e soberbos; os pegadores,parasitas e oportunistas; os voadores, ambiciosos e presunçosos; o polvo, hipócrita e traidor, contrapondo-se a Santo António, modelo de candura, sinceridade e verdade.

Na peroração ou epílogo, o pregador faz uma última advertência aos peixes. Exorta-os a sacrificarem a Deus o respeito e a reverência. 

Antes de terminar o sermão, com um admirável hino de louvor, Pe. António Vieira confessa-se pecador, em oposição aos peixes.

Sermão de Santo António aos Peixes. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens) 

Ficheiro:Padre António Vieira.jpg
Padre António Vieira
Santo António pregando aos peixes
Ficheiro:Santo Antonio 01b.jpg

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13
Jun18

13 de Junho de 1888 : Nasce Fernando Pessoa

António Garrochinho

Poeta, ficcionista, dramaturgo, filósofo, prosador, Fernando Pessoa é, inequivocamente, a mais complexa personalidade literária portuguesa e europeia do século XX. Após a morte do pai, partiu com sete anos para a África do Sul onde o seu padrasto ocupava o cargo de cônsul interino. Durante os dez anos que aí viveu, realizou com distinção os estudos liceais e redigiu alguns dos seus primeiros textos poéticos, atribuídos a pseudónimos,entre os quais se salienta o de Alexander Search. Com dezassete anos, abandona a família e regressa a Portugal,com a intenção de ingressar no Curso Superior de Letras. Em Lisboa, acaba por abandonar os estudos, sobrevive como correspondente comercial de inglês e dedica-se a uma vida literária intensa. Desenvolve colaboração com publicações (algumas delas dirigidas por si) como A República, Teatro, A Águia, A Renascença, Eh Real, O Jornal,A Capital, Exílio, Centauro, Portugal Futurista, Athena, Contemporânea, Revista Portuguesa, Presença, O Imparcial, O Mundo Português, Sudoeste, Momento. Com Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros, entre outros,leva, em 1915, a cabo o projeto de Orpheu, revista que assinala a afirmação do modernismo português e cujo impacto cultural e literário só pôde cabalmente ser avaliado por gerações posteriores. Tendo publicado em vida,em volume, apenas os seus poemas ingleses e o poema épico Mensagem, a bibliografia que legou à contemporaneidade é de tal forma extensa que o conhecimento da sua obra se encontra em curso, sendo alargado ou aprofundado à medida que vão saindo para o prelo os textos que integram um vastíssimo espólio. Mais do que a dimensão dessa obra, cujos contornos ainda não são completamente conhecidos, profícua em projetos literários,em esboços de planos, em versões de textos, em interpretações e reflexões sobre si mesma, impõe-se, porém, a complexidade filosófica e literária de que se reveste. Dificilmente se pode chegar a sínteses simplistas diante de um autor que, além da obra assinada com o seu próprio nome, criou vários autores aparentemente autónomos e quase com existência real, os heterónimos, de que se destacam - o seu número eleva-se às dezenas - Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, cada um deles portador de uma identidade própria; de uma arte poética distinta; de uma evolução literária pessoal e ainda capazes de comentar as relações literárias e pessoais que estabelecem entre si. A esta poderosa mistificação acresce ainda a obra multifacetada do seu criador, que recobre vários géneros (teatro, poesia lírica e épica, prosa doutrinária e filosófica, teorização literária, narrativa policial,etc.), vários interesses (ocultismo, nacionalismo, misticismo, etc.) e várias correntes literárias (todas por si criadas e teorizadas, como o paulismo, o intersecionismo ou o sensacionismo). Elevando-se aos milhares de milhares as páginas já publicadas sobre a obra de Fernando Pessoa, e, muito particularmente, sobre o fenómeno da heteronímia, uma das premissas a ter em conta quando se aborda o universo pessoano é, como alerta Eduardo Lourenço, não cair no equívoco de "tomar Caeiro, Campos e Reis como fragmentos de uma totalidade que convenientemente interpretados e lidos permitiriam reconstituí-la ou pelo menos entrever o seu perfil global. A verdade é mais simples: os heterónimos são a Totalidade fragmentada [...]. Por isso mesmo e por essência não têm leitura individual, mas igualmente não têm dialéctica senão na luz dessa Totalidade de que não são partes,mas plurais e hierarquizadas maneiras de uma única e decisiva fragmentação. (p. 31) Avaliando a posteriori o significado global dessa aventura literária extraordinária revestem-se de particular relevo, como aspetos subjacentes a essas múltiplas realizações e a essa Totalidade entrevista, entre outros, o sentido de construtividade do poema (ou melhor, dos sistemas poéticos) e a capacidade de despersonalização obtida pela relação de reciprocidade estabelecida entre intelectualização e emoção. Nessa medida, a obra de Fernando Pessoa constitui uma referência incontornável no processo que conduz à afirmação da modernidade, nomeadamente pela subordinação da criação literária a um processo de fingimento que, segundo Fernando Guimarães, "representa o esbatimento da subjetividade que conduzirá à poesia dramática dos heterónimos, à procura da complexidade entendida como emocionalização de uma ideia e intelectualização de uma emoção, à admissão da essencialidade expressiva da arte" bem como à "valorização da própria estrutura das realizações literárias" (cf. O Modernismo Português e a sua Poética, Porto, Lello, 1999, p. 61). Deste modo, a poesia de Fernando Pessoa "Traçou pela sua própria existência o quadro dentro do qual se move a dialética mesma da nossa Modernidade", constituindo a matriz de uma filiação textual particularmente nítida à medida que a sua obra, e a dos heterónimos, ia, ao longo da década de 40, sendo descoberta e editada, a tal ponto que, a partir da sua aventura poética, se tornou impossível"escrever poesia como se a sua experiência não tivesse tido lugar." (LOURENÇO, Eduardo, cit. por MARTINHO,Fernando J. B. - Pessoa e a Moderna Poesia Portuguesa - do "Orpheu" a 1960, Lisboa, 1983, p. 157.)

Fernando Pessoa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
wikipedia (Imagens)



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Fernando Pessoa em 1914
Ficheiro:Pessoacopo.jpg
"Fernando Pessoa em flagrante delitro": dedicatória na fotografia que ofereceu à namorada Ophélia Queiroz em 1929

Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.


Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu



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Jun18

QUADROS

António Garrochinho


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Jun18

13 de Junho de 1908: Nasce Maria Helena Vieira da Silva

António Garrochinho

  

Natural de Lisboa, onde nasceu no dia 13 de Junho de 1908, Maria Helena Vieira da Silva instala-se definitivamente em Paris em 1928. Aí descobre a cor, em Matisse e Bonnard, e uma toalha aos quadrados, que retém de um pormenor de um quadro deste último, haveria de entrar em ressonância com a sua própria pintura.Inspira-se ainda em Paul Klee e frequenta, com o marido, Arpad Szenes, as aulas de Roger Bissière, pintor pós-cubista. O início da maturidade da sua obra pode datar-se a partir do quadro Pont transbordeur (1931). Nesta época são já patentes os elementos que hão de definir a sua pesquisa estética: uma conceção do espaço anti-renascentista, ao não assumir o volume ou a perspetiva como um fim em si, e uma conceção da pintura como"escrita", repetindo elementos, quadriláteros ou círculos, percorrendo as tramas das famosas Bibliotecas e Florestas. O mundo exterior surge neste universo através da cor e da luz, e frequentemente a memória da luz e dos azulejos lisboetas habitará as suas telas. Durante a Segunda Guerra Mundial partiu para o Brasil e nos quadros da época instala-se a angústia de um espaço povoado de criaturas fugazes e encurraladas. Guerra ou O Desastre (1942) é sem dúvida o quadro mais representativo destes tempos conturbados. Ao voltar para Paris,Vieira da Silva vê a sua reputação aumentar. O prémio da Bienal de São Paulo (1962) vem coroar um trabalho seguido atentamente pelo meio cultural português. Seguem-se as exposições, as retrospetivas, as consagrações.A sua pintura esteve patente, designadamente, na Europália, em Bruxelas, em 1992. Esse foi, precisamente, o ano da sua morte. 

Vieira da Silva. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Fundação Calouste Gulbenkian
  
Le désastre ou La guerre

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Jun18

13 de Junho de 2005: Morre o poeta Eugénio de Andrade

António Garrochinho


Poeta português, Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu a 19 de Janeiro de 1923 no Fundão, e faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto. Em 1947 ingressou na função pública, como funcionário dos Serviços Médico-Sociais, e em 1950 fixou residência no Porto. Manteve sempre uma postura de independência relativamente aos vários movimentos literários com que a sua obra coexistiu ao longo de mais de cinquenta anos de actividade poética. Revelando-se em 1948, com As Mãos e os Frutos, a que se seguiria, em 1950, Os Amantes sem Dinheiro, o seu nome não se encontra vinculado a nenhuma das publicações que marcaram, enquanto lugar de reflexão sobre opções e tradições estéticas, a poesia contemporânea, embora tenha editado um dos seus volumes, As Palavras Interditas, na colecção "Cancioneiro Geral" e tenha colaborado em publicações como Árvore, Cadernos do Meio-Dia ou Cadernos de Poesia. É, aliás, nesta última publicação, editada nos anos quarenta, que se firmam algumas das vozes independentes, como Ruy Cinatti, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Jorge de Sena, que inaugurariam, no século XX, essa linhagem de lirismo depurado, exigente, atento ao poderda palavra no conhecimento ou na fundação de um real dificilmente dizível ou inteligível, em que Eugénio de Andrade se inscreve. Foi um dos poetas portugueses mais lidos e traduzidos, mantendo ao longo de uma longa e fecunda carreira uma certa unidade de temas e de recursos formais.

A escolha dos inofensivos substantivos "pureza" e "leveza" para referir a sua obra derivará talvez da noção do impulso de purificação que a sua poética confere às palavras através da exploração de um léxico essencial até à exaltação. Quando Maria Alzira Seixo fala do caminho que esta poesia percorre "na senda do rigor da lápide"("Every poem is an epitaph", já dizia Eliot) levanta o véu de um dos pontos fulcrais desta poesia que, nas palavras do próprio Eugénio de Andrade (Rosto Precário), se afirma como o "lugar onde o desejo ousa fitar a morte nos olhos". Falar desta obra como morada da "leveza" e da "pureza" é encobrir o que nela há de ofício de paciência ede desesperada busca. Talvez seja preferível falar da força básica de um léxico de tal maneira investido da radicação do corpo do objecto amado no mundo e na sua paisagem que é capaz de impor o desejo da luz no coração das trevas da mortalidade. Eugénio de Andrade surgirá, assim, como o poeta da "correlação do corpo coma palavra" (Carlos Mendes de Sousa), da sexualidade trabalhada verbalmente até atingir uma "zona gramatical cega" (Joaquim Manuel Magalhães) onde o referido sexual não tem género gramatical referente porque o discurso em que vive pertence já a uma dimensão cuja musicalidade representa a recuperação de uma voz materna intemporal.

Eugénio de Andrade foi elemento da Academia Mallarmé (Paris) e membro fundador da Academia Internacional"Mihail Eminescu" (Roménia). Para além de tradutor de vários autores, cujas obras recriou poeticamente (García Lorca, Safo, Borges), e organizador de várias antologias poéticas, é autor de obras como Os Afluentes do Silêncio(1968), Rosto Precário (1979), À Sombra da Memória (1993) (em prosa), As Mãos e os Frutos (1948), As Palavras Interditas (1951), Ostinato Rigore (1964), Limiar dos Pássaros (1976), Rente ao Dizer (1992), Ofício da Paciência(1994), O Sal da Língua (1995) e Os Lugares do Lume (1998).

Recebeu ao longo da sua vida vários prémios: Pen Clube (1986), Associação Internacional dos Críticos Literários(1986), Dom Dinis (1988), Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores (1989), Jean Malrieu (França,1989), APCA (Brasil,1991), Prémio Europeu de Poesia da Comunidade de Varchatz (República da Sérvia, 1996),Prémio Vida Literária atribuído pela APE (2000) e, em maio de 2001, o primeiro prémio de poesia "Celso Emilio Ferreiro" atribuído em Orense, na Galiza. Em 2001, a 10 de maio, Eugénio de Andrade foi homenageado na Universidade de Bordéus por altura da realização do "Carrefour des Littératures", tendo sido considerado um dos mais importantes escritores do século XX. Estiveram presentes várias ilustres personalidades, entre elas o Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio. A 10 de Julho foi distinguido com o Prémio Camões e, ainda no mesmo ano, foi lançado um CD com poemas recitados pelo próprio autor. Em 2002, foram atribuídos os prémios PEN 2001 e Eugénio de Andrade recebeu o prémio da área da poesia pela sua obra Os Sulcos da Sede.No dia em que comemorou o seu octogésimo aniversário foi homenageado na Biblioteca Almeida Garrett do Porto.

Em 1991, foi criada na cidade do Porto a Fundação Eugénio de Andrade. Para além de ter servido de residência ao poeta, esta instituição tem como principais objectivos o estudo e a divulgação da obra do autor assim como a organização de diversos eventos como, por exemplo, lançamentos de livros, recitais e encontros de poesia.

A 22 de Março de 2005 foi distinguido, juntamente com a escritora Agustina Bessa-Luís, com o doutoramento"Honoris Causa", atribuído pela Universidade do Porto durante a cerimónia do 94.º aniversário da sua fundação

Eugénio de Andrade. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
JN



Poema à Mãe

No mais fundo de ti, 
eu sei que traí, mãe 

Tudo porque já não sou 
o retrato adormecido 
no fundo dos teus olhos. 

Tudo porque tu ignoras 
que há leitos onde o frio não se demora 
e noites rumorosas de águas matinais. 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo 
são duras, mãe, 
e o nosso amor é infeliz. 

Tudo porque perdi as rosas brancas 
que apertava junto ao coração 
no retrato da moldura. 

Se soubesses como ainda amo as rosas, 
talvez não enchesses as horas de pesadelos. 

Mas tu esqueceste muita coisa; 
esqueceste que as minhas pernas cresceram, 
que todo o meu corpo cresceu, 
e até o meu coração 
ficou enorme, mãe! 

Olha — queres ouvir-me? — 
às vezes ainda sou o menino 
que adormeceu nos teus olhos; 

ainda aperto contra o coração 
rosas tão brancas 
como as que tens na moldura; 

ainda oiço a tua voz: 
          Era uma vez uma princesa 
          no meio de um laranjal...
 

Mas — tu sabes — a noite é enorme, 
e todo o meu corpo cresceu. 
Eu saí da moldura, 
dei às aves os meus olhos a beber, 

Não me esqueci de nada, mãe. 
Guardo a tua voz dentro de mim. 
E deixo-te as rosas. 

Boa noite. Eu vou com as aves. 

Publicada por Carla Brito
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Jun18

Capitalistas e políticos espanhóis empenhados no saque e crimes contra a Venezuela

António Garrochinho

UE: “Una democracia de mierda”

Espreitando na web a Venezuela deparamos sem surpresa o constante na pequena prosa em castelhano do site da Frente Antiimperialista Internacionalista. Entre a imensa matéria ali constante salientamos a acusação a capitalistas e políticos espanhóis apostados no reacionarismo contra a revolução bolivariana, concretamente contra a Venezuela e seu povo.

Tais empresários e políticos de Espanha, país aqui ao lado de Portugal, certamente saudosos do fascismo franquista, também garantem a sustentação da “oposição criminosa” que mantém “o brutal cenário de violência fascista” no país. São esses mesmos espanhóis os aliados das multinacionais que são o sustento e o cérebro do reacionarismo e instabilidade provocada pelos EUA e pelo grande capital internacional cuja pátria é o cifrão.

O país aqui ao lado, Espanha, ainda agora se livrou de um governo em imensos aspetos prófranquista, mascarado de democrático, chefiado por Rajoy, mas nem por isso faz sentido almejar que o novo governo – dito socialista – arrepie caminho nas suas atitudes e exerça o controle dos capitalistas e políticos espanhóis que interferem criminosamente contra a Venezuela na perspetiva de libertarem e porem em funcionamento pleno a exploração capitalista selvagem que Chavez combateu e Maduro secunda.

Também a UE vai por via de um secretismo bacoco participando nos boicotes e instabilidade que visa derrubar o governo e regime eleito na Venezuela. UE que é afinal dominada por empórios capitalistas que comandam as suas decisões e “compram” eleitos e não eleitos que a dirigem de acordo com o diretório capitalista que explora o mundo e os povos. É o que tanto vamos vendo e sentindo ao sobreviver no quotidiano europeu.

Como poderá ser dito em castelhano:  “UE: Una democracia de mierda”.

Carlos Tadeu | PG

El Régimen de la Transición y el capital español en el saqueo de América latina. Narcotráfico, paramilitarismo e imperialismo

Ponencia presentada en el Seminario “Geopolítica y Relaciones Internacionales en el siglo XXI”, organizado por el ISRI. La Habana, Cuba, del 25 al 27 abril de 2018.

“Una nueva sucesión de golpes de Estado2, más o menos encubiertos, recorre nuevamente América Latina en un intento de revertir las alianzas aintiimperialistas que siempre han tenido a Cuba como eje y que Chávez recreó. Los tambores de guerra contra la Venezuela Bolivariana no dejan de resonar, buscando nuevas vías tras el brutal escenario de violencia fascista protagonizado en 2017 por una “oposición” criminal financiada y dirigida por multinacionales extranjeras, como ha ocurrido una vez tras otra en la desangrada Patria Grande. La novedad desde el golpe contra Chávez en 2002 es que los resortes que mueven la banda armada que perpetra el crimen están dirigidos, también, por capitalistas y políticos españoles”.

Ángeles Maestro. Web del Frente Antiimperialista Internacionalista, 6 de mayo de 2018


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Jun18

ARTE EM PAPEL POR LISA LLOYD

António Garrochinho

A artista Lisa Lloyd começou a criar artesanato de papel há cerca de 6 anos. Inicialmente, ela criava sua arte durante seu tempo livre, pois trabalhava em projetos de design gráfico e animação. Seu primeiro projeto foi um beija-flor de papel 2D. A partir de então, ela percebeu o quanto adorava trabalhar com papel e como achava a experiência relaxante, quase meditativa. Com o passar do tempo, ela se tornou membro do Paper Artists Collective - um grupo formado por artistas de papel incrivelmente talentosos do mundo inteiro.
Mais tarde, ela começou a experimentar modelos 3D e desafiou a si mesma, a cada projeto, em criações mais complexas. Seu grande momento foi uando ela foi convidada para criar um passarinho azul de papel para a revista Waitrose Magazine, do Reino Unido. Ela passou 5 dias fazendo um dos modelos. As penas eram todas cortadas à mão, o corpo era feito de centenas de peças também cortadas à mão. Como você está prestes a ver, sua maior inspiração de trabalho vem da natureza. Ela é inspirada nos padrões, simetria, cor, geometria e textura da natureza. Dê uma olhada no seu trabalho impressionante abaixo:
 
arte de papel

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Jun18

HUMOR NAS PINTURAS CLÁSSICAS

António Garrochinho

As 7 Pinturas mais hilárias do mundo da arte clássica 

Quando pensamos em arte, provavelmente pensamos em obras clássicas e sérias, ou modernas e revolucionárias, que transmitem imagens ora severas, ora bucólicas. No entanto, há uma série de obras de arte que foram criadas para fazer o espectador rir, e são tão importantes quanto muitas outras. Aqui estão sete dessas obras-primas divertidas!

 
1. La Clairvoyance (A Clarividência) - René Magritte, 1936
As 7 Pinturas mais hilárias do mundo da arte clássica

O olhar divertido e ousado de artistas surrealistas, como René Magritte e Salvador Dalí, influenciaram décadas de humor gráfico, desde histórias em quadrinhos à série Monty Python, além de muitos outros. Neste autorretrato, Magritte demonstra sua inteligência inovadora estudando um ovo para pintar o futuro pássaro.
2. The Flatterers (Os Bajuladores) - Pieter Brueghel the Younger, 1592
As 7 Pinturas mais hilárias do mundo da arte clássica
Pieter Brueghel the Elder era conhecido como o “Camponês Brueghel”, por sua caótica vida de classe baixa na Holanda, enquanto seu primeiro filho, Brueghel the Younger, era conhecido como o “Inferno Brueghel”, por todas as suas representações dos assuntos mais sombrios na arte. Nesta pintura, ele faz uma pausa nas chamas para mostrar sua inteligência e inventa uma metáfora visual atemporal para os ‘puxa-sacos’.
3. The Experts (Os Especialistas) - Alexandre-Gabriel Decamps, 1837
As 7 Pinturas mais hilárias do mundo da arte clássica
Quando a Academia Francesa de Pintura rejeitou vários trabalhos de Decamps por serem muito experimentais, ele respondeu com essa pintura ‘amorosa’. Ele retrata vários críticos de arte sérios como chimpanzés, analisando em excesso uma paisagem barroca. Este estilo, onde os macacos imitam o comportamento humano, é chamado de singerie, e remonta ao Egito Antigo.
4. Parody of the Fauve Painters (Paródia dos Pintores Fauvistas) - Robert W. Chanler, 1913
As 7 Pinturas mais hilárias do mundo da arte clássica
Quando a Exposição Internacional de Arte Moderna (Armory Show) de 1913 levou o trabalho de Duchamp, Picasso e Matisse para Nova York para sua primeira grande exibição, nem todos os espectadores apreciaram seu estilo. Chanler, uma artista local, ficou particularmente ofendido com os nus desenhados por Matisse e criou a “Paródia dos Pintores Fauvistas”, onde Matisse interpreta um chimpanzé, cercado por alguns alunos adoradores e telas controversas
5. Youth Making a Face (Jovem Fazendo Uma Careta) - Adriaen Brouwer, 1632-35
As 7 Pinturas mais hilárias do mundo da arte clássica
Os artistas holandeses da Era de Ouro adoravam cenas da vida cotidiana, algumas idealizadas, outras nem tanto. O garoto rude e zombeteiro dessa pintura faz uma careta para um pintor também rude; Brouwer, conhecido por sua aparência desleixada, certa vez comprou um terno chique para um casamento, apareceu para jantar e imediatamente começou a despejar comida em  toda a roupa nova. “Como foi o terno, e não o homem que o usava que foi convidado, ele merece um banquete”, disse Brouwer.
6. Escaping Criticism (Escapando da Crítica) - Pere Borrell del Caso, 1874
As 7 Pinturas mais hilárias do mundo da arte clássica

Antecipando os surrealistas, os artistas espanhóis ousaram nas linhas entre realidade e imagem com a fuga desesperada do menino com olhos esbugalhados de sua prisão na galeria. Uma trompe-l'oleil (ilusão de ótica) tão convincente pode ter confundido e divertido os espectadores do século XIX. Certamente é o que muitos usuários da internet sentem nos dias de hoje, na necessidade de fugir das trollagens.
7. L.H.O.O.Q. - Marcel Duchamp, 1919
As 7 Pinturas mais hilárias do mundo da arte clássica

Famoso por ter apresentado um mictório para uma exposição de arte, Duchamp continuou a revolucionar a arte com suas obras satíricas,com objetos pré-fabricados levemente modificados para assumir um novo significado. Nesta pintura, Duchamp brinca sobre os valores do Renascimento desenhando um Van Dyke nas obras-primas de Da Vinci. O título também é uma piada: faladas em voz alta, as letras imitam a frase francesa “Elle a chaud au cul”, que literalmente se traduz em “Ela é gostosa no traseiro”.


www.tudoporemail.com.br
Fonte: rd

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Jun18

Fatos e curiosidades sobre a vida do Alan Turing

António Garrochinho


Após 64 anos de sua morte, o legado do homem que ajudou a pôr fim na Segunda Guerra 

alan turing (Foto: Divulgação)
Há 64 anos, uma dose de cianeto pôs fim à vida daquele que é considerado o pai da computação: o inglês Alan Turing. Em seus 41 anos, o matemático acumulou diversos feitos. Ele foi um dos responsáveis por descobrir o local exato onde as tropas nazistas estariam em 6 de junho de 1944, que culminou no desembarque de 155 mil soldados aliados na Normandia, fato que entrou para a história como Dia D.
Seu legado não se limita aí. Hoje ele dá nome a uma lei inglesa, criou o teste usado para testar a qualidade da inteligência artificial e até já foi tema de uma versão comemorativa do jogo Monopoly. Listamos abaixo esses e outros fatos importantes - ou curiosos - sobre uma das mentes mais brilhantes do século XX.
Criança prodígio
Alan Mathison Turing nasceu em 23 de junho de 1912 em Londres, Inglaterra. Ainda na infância, já dava sinais de ser mais inteligente que a média. Aos 13 anos, teve a oportunidade de estudar na Sherborne School, em uma prestigiada escola da capital inglesa, mas tinha um problema: ficava a quase 100 quilômetros de onde morava.
No primeiro dia de aula, uma greve impediu que os trens circulassem. Nada que impedisse Turing, que pedalou a distância para não perder a aula.
A leitura do jovem cientista
A lista de livros retirados por Turing na biblioteca da escola, entre 1928 e 1930, veio a público recentemente e revela que, já naquela época, matemática e física eram seus assuntos favoritos. O único romance na lista era uma história real. No livro The Escaping Club, o autor,  A. J. Evans, conta suas experiências durante a Primeira Guerra Mundial.
Turing atleta
Desde a infância a corrida era o esporte favorito do matemático. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele corria mais de 60 km entre uma instalação militar secreta do governo britânico, Bletchley Park, e Londres, para atender à reuniões.
Ele chegou a participar das eliminatórias para representar seu país nas Olimpíadas em 1948, completando a maratona em 2 horas e 46 minutos. Onze minutos depois do campeão olímpico daquele ano. Uma lesão na perna, porém, acabou com sua carreira de atleta.

Ódio aos EUA
A descoberta de 148 cartas escritas por Turing revelou uma característica bem peculiar. Entre manuscritos e rascunhos de suas teorias, diversos convites para que palestrasse em universidade. Ao receber uma vinda dos Estados Unidos, respondeu categoricamente: “Não gostaria da viagem, e eu detesto a América".
Gênio incompreendido
As peculiaridades de Turing não param por aí. Em suas pedaladas, ele costumava utilizar uma máscara de gás alegando que era para combater suas alergias. A corrente de sua bicicleta sempre caia.
No lugar de consertar, aprendeu a reconhecer o momento exato que ia escapar e descia da bike, impedindo que a corrente saísse. Em Bletchley Park, sua caneca de chá era famosa por estar sempre acorrentada ao aquecedor, isso quando não estava usando. Era para impedir que fosse usada por seus colegas de trabalho.
Biólogo Turing
Em seu único paper publicado na área, em 1952, buscou explicar como padrões repetidos se desenvolveram em organismos vivos. É como a sequência de Fibonacci, vista em flores e caracóis. Para Turing, muitos desses padrões vinham da atuação de um tipo específico de hormônios, denominados morfogênicos, sobre as células.
Essas substâncias secretadas pelas células promovem ou inibem as influências de cada uma sobre várias funções biológicas, seja a produção de um pigmento ou a regulação do seu crescimento. A difusão desses morfogênicos pelos tecidos do organismo seguiriam padrões matemáticos, o que explicaria a repetição de formas, cores e texturas entre os seres vivos. Sua teoria, no entanto, nunca foi comprovada pela ciência.
Computador teórico
Em um de seus artigos, sobre números computáveis, defendeu que existem problemas que não têm solução e que nem toda afirmação lógica está apta a ser comprovada a partir de qualquer sistema formal da matemática. A conclusão contradiz a teoria do matemático David Hilbert, que acreditava ser impossível existir na matemática algo cuja verdade nunca pudesse ser descoberta. Idealizou um processo mecânico que conseguisse dizer quando um procedimento lógico poderia ser comprovado ou não.
Foi assim que nasceu a Máquina de Turing, um aparelho hipotético que mudaria de função conforme a necessidade, baseando todo seu funcionamento em um grande número de cálculos em sistema binário permitindo definir e, quando possível, resolver problemas por meio de uma sequência de etapas. Vem daí a lógica do algoritmo e de toda a computação moderna.

 
Máquina de Turing (Foto: Reprodução)
O visionário
Muitas décadas antes da Inteligência Artificial chegar aos smartphones, Turing criou um teste que a Siri ainda está longe de passar. Em 1950, ele já antevia que um dia o processamento das máquinas alcançaria o desempenho do cérebro humano. No artigo Maquinaria Computacional e Inteligência introduziu o conceito de “jogo da imitação”. Assim, uma máquina passaria em um teste de Turing ao conversar com um ser humano sem que esse perceba se tratar de uma inteligência artificial. 
Agente Secreto
Em uma mansão vitoriana na cidade de Bletchley, um grupo de gênios contratados pelo serviço de inteligência britânico foi reunido durante a Segunda Guerra Mundial para desvendar o código militar alemão gerado pela Enigma, máquina de criptografia supostamente impenetrável.
Com a equipe, o matemático começou a trabalhar na produção de uma máquina chamada “a bomba”. O instrumento identificava pontos fracos da codificação e foi responsável por revelar a posição das tropas alemãs, o que ajudou a encurtar muito a guerra.
Xadrez para PC
Um dos gênios contratados para decifrar os códigos alemães era um campeão de xadrez. Ele então desenvolveu, com lápis e papel, o programa Turochamp, idealizado para antever as possibilidades de movimentos de peças nas duas próximas jogadas, e escolher o melhor.
Embora nenhum computador existisse para colocar em prática aquele algoritmo, isso aconteceu em 2012. O mestre do xadrez Garry Kasparov jogou contra o programa de Turing, e ganhou fácil, em apenas 16 jogadas. “Eu compararia com um dos primeiros carros - hoje você pode rir deles, mas ainda assim são um grande feito”, disse o campeão na época.
Homofobia mata
Turing quase se casou com o colega de equipe Joan Clarke, mas, quando ele lhe confidenciou que era gay, ela preferiu não manter o compromisso. O matemático se envolveu com um jovem chamado Arnold Murray e, depois de ter sua casa arrombada por um amigo do amante, denunciou o caso à polícia.
Acabou sendo preso por “indecência” após declarar ingenuamente às autoridades sua orientação sexual, considerada então ilegal. Talvez por sua importância para o governo, ofereceram liberdade a Turing sob a condição de que se submetesse a um “tratamento” com injeções de estrogênio sintético. Uma castração química com hormônio feminino.
Maçã envenenada
No dia 7 de junho de 1954 Turing morreu por ingestão de cianeto. O matemático teria envenenado uma maçã e comido para pôr fim à própria vida. Afinal, sua vida não estava muito fácil. Perseguido por ser gay, perdeu seu emprego e estava falido. Os hormônios femininos, além de ter o tornado impotente, fez com que crescesse seios.
Mas há controvérsias
Jack Copeland, um estudioso sobre a vida de Alan Turing defende que não existem evidências que comprovem que ele tenha realmente se suicidado. A maçã nunca foi testada para comprovar a presença de cianeto, ele deixou uma lista de afazeres para o dia seguinte, algo incomum para quem pretende se suicidar, e seus amigos contavam que ele andava tranquilo antes de sua morte. A mãe de Turing defende que ele provavelmente tenha se envenenado acidentalmente enquanto testava com produtos químicos no laboratório de sua casa.
Reconhecimento póstumo
Apesar de seu papel fundamental no desfecho da Segunda Guerra Mundial, o mundo demorou para conhecer essa história. As informações foram mantidas confidenciais até a década de 70. As técnicas que Turing usou para decodificar as mensagens nazistas só foi levada à público em 2013.
Perdão Real
Somente em 2009, o primeiro ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pediu desculpas publicamente em nome do governo britânico. “Alan e muitos outros milhares de homens gays que foram condenados por leis homofóbicas foram tratados terrivelmente”, disse Brown.
“Em nome do governo britânico e de todos aqueles que vivem em liberdade graças ao trabalho de Alan, eu estou muito orgulhoso de dizer: me desculpe, você merecia coisas muito melhores.” Sua condenação, porém, só foi perdoada em 2013, emitido pela realeza britânica.
Lei de Turing
Somente no ano de 1967, as leis do Reino Unido deixaram de considerar a homossexualidade crime. Entretanto, somente em 2017 uma lei cancelou a condenação de todos aqueles homens que foram injustamente perseguidos antes do fim da legislação homofóbica. Cerca de 15 mil dos 65 mil condenados naquele tempo ainda estão vivos. A lei foi batizada com o nome da mais famosa vítima da homofobia institucionalizada na Inglaterra.
O jogo de Turing
Quando não estava decifrando códigos nazistas em Bletchley Park, Turing costumava jogar Monopoly - mais conhecido no Brasil por sua versão Banco Imobiliário - com o filho de um outro matemático, Max Newman. O jovem William Newman, no entanto, havia adaptado o jogo, utilizando as ruas da cidade de Bletchley. Em 2012, para celebrar o centenário de seu nascimento uma versão do jogo foi produzida com seu nome e as alterações de William, até hoje está à venda no museu instalado na antiga instalação militar secreta.


revistagalileu.globo.com

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13
Jun18

Modelo do Instagram compartilha a «triste» realidade da mídia social

António Garrochinho
Amanda Lee tem milhões de seguidores no Instagram, especificamente 12,1 milhões. Cada um de seus posts ganha em média de 300.000 a 600.000 curtidas, além de render lhe, logicamente, milhares de dólares por cada endosso ou propaganda que ela faz de forma sub-reptícia. É fácil imaginar que ela esteja vivendo a vida perfeita, certo? Bem, não é exatamente assim, de acordo com uma entrevista que ela deu a revista Cosmopolitan.


Apesar da fortuna e de sua beleza estonteante, Amanda admitiu que conquistar a fama do Instagram exigiu muito trabalho duro de sua parte, e ela eventualmente teve que pagar o preço:
Modelo do Instagram compartilha a «triste» realidade da mídia social 01
- "Uma vez que conquistei todos os seguidores, eu reavaliei as coisas, tipo... essa é realmente eu? Por minha saúde mental não quero ficar tão envolvida na perfeição. Eu quero estar mais confiante em mim mesmo sem me esforçar tanto", disse Amanda.
Modelo do Instagram compartilha a «triste» realidade da mídia social 02
Seus seguidores gostam muito de seus posts de fitness inspiradores, mas sobretudo de suas fotos picantes. Ela está totalmente ciente disso:
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- "Eu sempre quis apelar para todos, mas deixei me seduzir pelas respostas das pessoas e pela busca de manter esse físico curvilíneo e construir uma marca sexy."
Modelo do Instagram compartilha a «triste» realidade da mídia social 04
Como a maioria das pessoas, Amanda confessa que ela passa um tempo antes de escolher quais fotos postar. Usa filtros, edita o rosto e o corpo usando um aplicativo separado e finalmente posta.
Modelo do Instagram compartilha a «triste» realidade da mídia social 05
- "As pessoas podem pensar que eu literalmente saio, clico e pronto: foto perfeita! Mas não é assim que funciona", explicou.
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Olinda Fields, mãe de Amanda e fotógrafa, é geralmente quem faz as fotos da filha:
Modelo do Instagram compartilha a «triste» realidade da mídia social 07
- "Ela ainda fica ansiosa. Há muita pressão para acompanhar as postagens diárias e as pessoas tendem a criticar sua aparência. Ela fica sobrecarregada. Há um lado da Amanda que ninguém vê."
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Apesar de exibir uma forma invejável, Amanda ainda se sente mal consigo mesma de vez em quando. Ainda que fique feliz com todos os elogios on-line, sabe que isto é apenas a Internet:
Modelo do Instagram compartilha a «triste» realidade da mídia social 09
- "Eu leio os comentários fico tipo: "Isso é ótimo, mas é só o Instagram Amanda. As pessoas não conhecem o seu verdadeiro eu"."
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Ela conta que muitas vezes fica tietando outros perfis do Instagram que são melhore que o seu:
Modelo do Instagram compartilha a «triste» realidade da mídia social 11
- "As pessoas podem olhar para mim e pensar: "Seu corpo é incrível", mas eu olho para as páginas de outras meninas e penso: "Oh meu Deus, ela é tão perfeita!""
Modelo do Instagram compartilha a «triste» realidade da mídia social 12
Na entrevista Amanda teve confessou que deu uma calibrada nos seios e usou Botox, mas deixou muito claro que sua bunda é 100% autêntica.
Modelo do Instagram compartilha a «triste» realidade da mídia social 13
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13
Jun18

A PROFESSORA FEMINISTA QUE DEFENDE O DIREITO DE ODIAR OS HOMENS

António Garrochinho


A polarização da política de identidades está chegando a novos níveis estratosféricos. Após o sucesso, o movimento #MeToo parece ter dado lugar a surtos mais radicais do feminismo que levam a desvirtuar um movimento de justiça ao transformá-lo em uma guerra dos sexos. Um caso bastante notável ficou em evidência faz alguns dias quando o Washington Post publicou um artigo de opinião escrito por Suzanna Danuta Walters, professora da Universidade do Nordeste, em Boston, e diretora de uma publicação de estudos de gênero, chamada Signs.

Professora feminista americana defende o direito a odiar todos os homens
Suzanna pergunta-se inicialmente "por que não podemos odiar os homens?", e depois lista as diferentes injustiças e violações de direitos humanos que as mulheres estão submetidas -segundo ela, de maneira universal-. Sem dúvida, a injustiça ou desigualdade é alarmante e requer contínua atuação e influência na consciência coletiva, mas Suzanna apela à noção da feminidade como vítima que deve ser isenta e a lutar sem quartel pelo sentido da existência da mulher (após a morte de Deus, só nos restam "religiões" seculares como o feminismo, o socialismo, o conservadorismo, o neoliberalismo, etc.) Sua solução é "a ira feminina" e que os homens, sem mais nem menos, devem entregar o mundo às mulheres:
De modo que, homens, se realmente estão #WithUs [#Conosco] e não querem que os odiemos pelos milênios de aflições que produziram e das quais se beneficiaram, comecem com isto: ajudem para que possamos nos sustentar sem que nos derrubem com golpes.

Prometam votar unicamente por mulheres feministas. Nós podemos lidar com isso. E por favor, deem-se conta de que suas lagrimas de crocodilo já não serão secadas por nós. Temos todo o direito de odiá-los. Fizeram-nos muito mau. #BecausePatriarchy[#DevidoAoPatriarcado]. Já é hora de jogar duro a favor da Equipe Feminista. E ganhar.
Chama a atenção que o Washington Post, um dos meios com mais tradição e prestígio nos Estados Unidos, publique isto. Não porque Suzanna não deva ter o direito de se expressar -inclusive ainda que seja literalmente uma propagadora do discurso de ódio, a primeira emenda americana defende este direito-, senão porque o WP e outros meios sempre foram críticos com a polarização na sociedade, com as fake news e posturas políticas baseadas em emoções e não em informação objetiva e racional.

Certamente, a mídia se enriquece ao abrir o leque a uma maior diversidade de opiniões, mas um meio sério e responsável não tem por que, supostamente em aras da liberdade de expressão ou da "igualdade de gênero", ajudar a publicar ideias cáusticas, que apelam a uma verdadeira animadversão e inclusive convite à violência.

Estas ideias sugerem que a violência -à que são submetidas as mulheres- deve ser contestada com violência e que a desigualdade deve ser contestada com desigualdade, mas no outro extremo. Ou talvez o WP pense igual a Suzanna e então isto é um sintoma de uma condição geral sumamente preocupante da atualidade, especialmente porque a política de identidades parece estar dominando tematicamente as universidades, reduzindo a educação superior a um pleito de sexos e a uma luta de poder.

Os argumentos de Suzanna não só são fundamentalistas; incorrem em uma série de falácias. Por exemplo, supor que todas as mulheres são feministas e estão alinhadas com os postulados do feminismo, buscam o poder e desejam ter as coisas que os homens zelosamente guardam para si. Ademais, como seu artigo deixa muito claro, não existe tal coisa como um feminismo único que possa ser claramente definido, motivo pelo qual é absurdo pensar que as mulheres em conjunto possam ser "feministas", nesse caso, extremistas.
Professora feminista americana defende o direito a odiar todos os homens
De qualquer forma, é altamente reducionista e dicotômico postular uma realidade dividida em dois bandos em conflito, as mulheres (todas) e os homens (todos) -ela mesma diz que todos os homens devem ser incluídos no mesmo balaio de defensores do patriarcado e opressores das mulheres-, com o risco de que, se isso não for feito, o estado opressivo e a impunidade reinante nunca cessará.

Suzanna fala de "ele", o homem em geral, mas também necessariamente de lambuja de qualquer homem em particular -marido, pai, filho e demais- e questiona as verdadeiras intenções de "ele":

- "Será que talvez, se realmente ele estivesse ao nosso lado, isto tudo não teria acabado faz muito tempo?"

Este razoamento não admite meio-tom: todos os homens somos agentes do patriarcado -seu pai, seu filho, seu amigo- e portanto, não se deve confiar em nenhum -a menos de que abertamente se declare um "mangina" e se submeta a seu mandato-.

Assim, Suzanna contra-ataca as ideias medievais de que "todas as mulheres são bruxas" ou que as mulheres são essencialmente pecaminosas (ideias que certamente não eram universais dentro da Igreja, senão que eram -da mesma maneira que as ideias de Suzanna não são as que representam o feminismo- as ideias de uma interpretação radical da Bíblia) com um argumento que leva implícita a ideia de que todos os homens são opressores, violadores (ao menos, dos direitos das mulheres) e ineptos. Isto é obviamente uma versão caricaturesca da realidade, e bastante perigosa, por verdade.

É também uma falácia sustentar que não é ilógico odiar todos os homens. Obviamente, é ilógico -e mais ainda, desumano- odiar a todo um grupo pelas faltas de uns tantos. Qual é a diferença entre dizer: por que não podemos odiar todos os homens? E por que não podemos odiar todos os brancos? Ou os negros? Vocês já podem imaginar aonde isto vai nos levar se seguir obstinadamente pelo mesmo caminho.

A razão pela qual todos os homens não devem ser odiados é a mesma razão pela qual os judeus, os mexicanos os iraquianos, [coloque sua opção aqui], não devem ser odiados. Inclusive, odiar a todos os homens é ainda mais irracional e perigoso, simplesmente porque é uma grande misantropia, que estende ainda mais a faixa do ódio. 

Para não seguir promovendo a cultura do ódio e da polarização, é importante mencionar que as ideias de Suzanna não representam o grosso do feminismo e que seria igualmente estúpido e irresponsável generalizar e sugerir que todas as feministas são fundamentalistas e odeiam os homens e demais. Certamente, há lugar no mundo para o feminismo.

No entanto, pessoalmente parece-me importante diferenciar entre o que é uma busca de justiça e uma franca luta de poder. O discurso onde tudo é visto em termos de poderio, de grupos que buscam se impor a outros, é um tanto míope: esquece que os grupos, e os sexos em particular, buscam também se unir, se ajudar, se amar. Não me parece ingênuo enfatizar isto; é parte indispensável da necessária (re)educação para transformar a dinâmica social. A meu julgamento, Jung disse de maneira perfeita:

- "Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro."

Não há dúvida de que o mundo é uma constante disputa para evoluir, mas também há colaboração -e o ser humano tem a capacidade de dirigir sua evolução biológica através da inteligência e da compaixão-. Esta concorrência colaborativa, esta tensão no centro da vida, significa buscar igualdade de oportunidades sem anular as diferenças e recompensar justamente os resultados sobressalentes, a própria variedade (algo que já faz a natureza).

Não há nada de errado na busca do "empoderamento" de grupos ou pessoas "desempoderadas", mas o fim não justifica os meios. A motivação correta para retificar a desigualdade é o desejo de justiça, não de vingança e, mais ainda, o amor e não o ódio. Este seria o verdadeiro feminismo, a verdadeira influência do poder matriarcal. Buda disse certa vez que:

- "O ódio jamais pode cessar com ódio. O ódio só pode cessar com amor. Esta é uma lei eterna."
Professora feminista americana defende o direito a odiar todos os homens
Suzanna Danuta Walters.
No final o ódio causa mais mal a quem odeia do que ao odiado. O ódio transforma as mulheres em vítimas. Não acho que as mulheres realmente se sintam cômodas ou gostem de se identificar com a vítima, se definirem como vítimistas. É verdade que a história está cheia de injustiças e, portanto, é uma possibilidade entendível assumir o estado de "vítima".

No entanto, se falamos de "empoderamento" das mulheres como indivíduos é uma contradição promover o discurso do vitimismo (ou coitadismo), além de cometer a falácia de transpor o estado de vítima de uma mulher em específico -que, digamos, foi violada- a todas as mulheres, que não são vítimas só por serem mulheres. Em lugar da cultura da vítima, existe a possibilidade heroico-empática, de líderes civis como King e Gandhi. O próprio Martin Luther King defendeu o caminho criativo e "redentor" do amor, em detrimento do caminho destrutivo do ódio.

Não pude evitar o clichê de falar do amor como solução milagrosa a tudo, porque acho que neste caso em especial seja admissível. Pois finalmente o que está em jogo é o amor e a própria criatividade, que são em grande parte a relação energética entre o feminino e o masculino, o fogo vital que surge dos opostos.

É até ridículo pensar que os homens e as mulheres possam se odiar sistematicamente -significaria um mundo em suspense, uma abdicação do ser-. O que o homem no fundo sente pela mulher é amor. O que a mulher no fundo sente pelo homem é amor. Esse amor é às vezes misterioso, mágico e cheio de temor e dúvidas. É um amor tanto biológico (desejo) como espiritual (compaixão).

Quando este amor não encontra saída pode produzir frustração e violência, mas segue existindo um instinto de unidade, ternura e felicidade. O fato de que esse amor não seja onipresente no mundo se deve à ignorância -como a de Suzanna-. A ignorância não se elimina com ódio e violência, se elimina com amor e sabedoria.

É por isso que acho importante, às vezes, entrar neste tipo de discussões politizadas -ainda que costumo evitá-las no MDig-, porque um artigo como o de Suzanna só contribui ao ódio e à ignorância e faz com que este clima de tensão beligerante fique cada vez mais inflado e provoque a desconexão entre os dois princípios criadores cuja dança é a própria vida.
Fonte: WP.


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13
Jun18

CARTOON

António Garrochinho

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13
Jun18

PÃO PÃO QUEIJO QUEIJO

António Garrochinho





OS QUE RENEGAM A SUA ORIGEM, CULTURA, E A SUA HISTÓRIA.

OS GRANDES AMANTES DO ESTRANGEIRISMO NAS MAIS VARIADAS VERTENTES CULTURAIS E QUE DEPOIS TAMBÉM QUEREM IMPLEMENTAR NA VIDA SÓCIO POLÍTICA DO NOSSO PAÍS OS COPIANÇOS, A FALTA DE CRIATIVIDADE ETC,ETC, QUEREM FAZER-NOS CRER QUE SÃO INTELIGENTES, INOVADORES, E QUE NOS VENDEM ALGO DE BOM E POSITIVO PARA A NOSSA MANEIRA DE ESTAR NO MUNDO.

ANTES PELO CONTRÁRIO! NA MAIORIA, SÃO UNS BURROS QUE APESAR DOS CANUDOS QUE EXIBEM, NÃO TIVERAM CAPACIDADE PARA APRENDER A POTENCIAL RIQUEZA DA NOSSA CULTURA, E PARA ALÉM DO DESPREZO NOJENTO QUE DEDICAM AO QUE É NOSSO, SÃO UNS INÚTEIS A QUEM SÓ INTERESSA O DINHEIRO FÁCIL VENDENDO TRALHA E LIXO QUE NUNCA PODERÁ OMBREAR COM A CULTURA PORTUGUESA, A VERDADEIRA, TODA ELA UM TESOURO QUE OS MAIS HONESTOS VERDADEIRAMENTE RECONHECEM.

ATREVO-ME A DIZER QUE UMA CERTA GERAÇÃO ARVORADA EM "PAPAGAIOS DE SALA" PARA ALÉM DE SEREM UNS ABÉCULAS DIPLOMADOS, FORAM, SÃO, OS DESTRUIDORES DAQUILO QUE EM PORTUGAL ERA RICO NO TEATRO, NO CINEMA, NA LITERATURA, NA RELAÇÃO HUMANA ENTRE O NOSSO POVO.

ESTES ABÉCULAS, PARA LÁ DE NADA CONSTRUIREM, VIVEM À SOMBRA DOS INCAUTOS, VIVEM DAS ESMOLAS QUE O CAPITALISMO LHES VAI ARRANJANDO, A TROCO DO LIXO QUE DEPOIS APRESENTAM EM EXPOSIÇÕES E WORK SHOPS.

A TROCO DE ALGUM RECONHECIMENTO OCO DÃO ENTREVISTAS E APRESENTAM AS SUAS POSIÇÕES DESFASADAS E DIREITISTAS ASSUMIDAS PARA AGRADAR À CANALHA QUE LHES PERMITE VIVER NA ILUSÃO DE QUE SÃO ALGUÉM.

NÃO FALTAM POR AÍ EXEMPLOS DA MISÉRIA FRANCISCANA DESTES ARTISTAS, PSEUDO INTELECTUAIS, POLÍTICOS, ESCRITORES DA TRETA, FIGURAS DA ARTE (TIPO MATRAFONA DE VERSALHES) A FAMIGERADA JOANA DE VASCONCELOS CONSTRUTORA DE FALOS DAS CALDAS E CANDEEIROS DE PRESERVATIVOS ETC

PORTUGAL ESTÁ REPLECTO DESTAS MISÉRIAS QUE SUGAM DINHEIRO EM EXPOSIÇÕES DE MERDA E USUFRUEM DE SUBSÍDIOS QUE EMBOLSAM, DANDO EM TROCO O RIDÍCULO, O DISPARATADO, O INUSITADO ROTULADO DE ARTE.

NÃO FALTA POR AÍ GENTE A VENDER MERDA QUE A BURGUESIA COMPRA PORQUE NÃO PERCEBE E É INCULTA, MAS GOSTA DE EXIBIR A RIQUEZA E O LUXO.
NÃO FALTAM POR AÍ NEGOCIATAS ENVOLVENDO A GOVERNAÇÃO E ALGUMA CLASSE POLÍTICA ONDE EMPRESÁRIOS MAMÕES RECEBEM FORTUNAS, E NÃO SÃO, NUNCA FORAM, OS AGENTES NECESSÁRIOS À CULTURA QUE TEMOS E QUE PRETENDEMOS VER RECONHECIDA.


António Garrochinho

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13
Jun18

Vídeo promocional do Município de São Brás de Alportel premiado cá e lá fora

António Garrochinho
Vídeo promocional do Município de São Brás de Alportel premiado cá e lá fora

O vídeo promocional do Município de São Brás de Alportel, apresentado ao público em julho, por ocasião da Feira da Serra 2017, acaba de ser consagrado como “Melhor Filme Português” e “Segundo Melhor Filme Promocional”, a nível internacional, no Festival Internacional Finisterra Arrábida Film Art & Tourism, onde concorreram 500 filmes de 70 países.
O prémio foi entregue no passado dia 31 de maio, em Sesimbra ao vídeo “São Brás de Alportel…onde Viver Sabe Bem!” produzido pela produtora algarvia New Light Pictures por iniciativa do Município de São Brás de Alportel, no âmbito da sua estratégia de promoção turística “Porta aberta à Serra, Janela sobre o Mar”.
Conforme explica nota da autarquia,"rodado em vários locais do concelho de São Brás de Alportel, contando com a participação da comunidade, sem recurso a atores profissionais, o vídeo conta uma história, onde o passado se funde com o presente, numa profusão de olhares sobre a natureza, a cultura e as tradições das gentes, o património edificado e natural e os sabores de um ontem que se pode tocar hoje. Ingredientes fundamentais e motivo de atração e de visita para, cada vez mais, turistas nacionais e internacionais que querem conhecer o coração do Algarve".

vídeo



www.algarveprimeiro.com

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13
Jun18

Depois de Paulo Pedroso, tribunal europeu avalia se justiça violou direitos de Carlos Cruz

António Garrochinho

Estado português tem três meses para decidir se recorre da decisão que o obriga a pagar 68 mil euros a Paulo Pedroso. No dia 26, juízes de Estrasburgo avaliam se tribunais portugueses violaram direitos da defesa de Carlos Cruz. O ex-apresentador quer reabrir o seu caso.
Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, Moldávia, Curtea, Direitos do Homem, Convenção Europeia dos Direitos do Homem

Oito anos depois das primeiras condenações no processo Casa Pia, o caso está de volta à actualidade. No dia em que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) condenou o Estado português a pagar 68.550 euros a Paulo Pedroso, desde logo por considerar que o ex-ministro do Trabalho esteve cinco meses detido preventivamente sem motivos suficientemente “plausíveis”, Carlos Cruz viu redobrada a esperança de um desfecho igualmente favorável na queixa que apresentou àquele tribunal com o objectivo de poder requerer a abertura do julgamento que o condenou a seis anos de cadeia.
“As queixas têm teores diferentes. Paulo Pedroso lutou por uma indemnização num processo em que não foi pronunciado e Carlos Cruz luta por um acórdão que diga que o julgamento não respeitou os princípios de um processo equitativo. Mas esta decisão representa um bom presságio, até porque há pontos comuns”, reagiu o advogado do ex-apresentador de televisão, Ricardo Sá Fernandes, para lembrar que o objectivo do seu cliente é “poder reabrir o processo para mostrar que é inocente”.


“Tenho essa convicção inabalável. É uma batalha da minha vida mostrar que houve neste processo violação dos direitos da defesa”, acrescentou Sá Fernandes.
No acórdão que será publicado no próximo dia 26, o tribunal europeu pronunciar-se-á sobre a queixa apresentada pelo ex-apresentador de televisão mas também pelos restantes arguidos: o médico Ferreira Dinis, condenado a sete anos, o antigo provedor-adjunto da Casa Pia, Manuel Abrantes (cinco anos e nove meses) e o embaixador Jorge Ritto (seis anos e oito meses). Apesar de terem sido apresentadas com um ano de diferença, o TEDH apensou as quatro queixas, por admitir que as questões levantadas pelos diferentes arguidos podem ser “susceptíveis de pôr em causa o princípio de um processo equitativo”.
No caso de Carlos Cruz, que saiu em liberdade condicional em 2016, cumpridos dois terços da pena, os juízes europeus terão de avaliar se foi violado o direito a ser julgado num “prazo razoável”: o julgamento prolongou-se por seis anos.
Cruz alega ainda que o processo não acautelou o seu direito à presunção de inocência e que foi impedido de aceder às declarações das vítimas na fase de investigação/inquérito, além de, diz, ter sido mantido na ignorância quanto aos motivos da sua detenção, desde que esta ocorreu, a 31 de Janeiro de 2003, até ter sido notificado da acusação, a 29 de Dezembro do mesmo ano. 

No caso de Pedroso, o tribunal de Estrasburgo entendeu que a prisão preventiva do ex-ministro do Trabalho e da Solidariedade, entre Maio e Outubro de 2003, prolongou-se sem que as suspeitas de abuso de menores que sobre ele recaíam fossem suficientemente plausíveis. “Os argumentos usados para justificar a sua detenção não eram relevantes ou suficientes”, lê-se na nota emitida nesta terça-feira, quinze anos volvidos desde que Pedroso esteve preso. 

“O segredo de justiça”


Mas não foi só. Além de terem falhado ao não procurarem “medidas alternativas” à prisão, o tribunal português negou o acesso de Pedroso a peças processuais fundamentais como os testemunhos e os relatórios médicos das vítimas.
Na altura, conjugaram-se a necessidade de preservar “o segredo de justiça” e o princípio da confidencialidade dos relatórios médicos bem como a situação de “alta vulnerabilidade” das vítimas. Mas eram as peças que sustentavam as suspeitas que tinham levado à prisão do dirigente socialista. E, na presença de um conflito entre “dois direitos fundamentais” (o de alguém contestar a legalidade da sua detenção e a protecção da privacidade das vítimas), os juízes de Estrasburgo concluíram que poderia ter sido encontrado “um equilíbrio justo” se das peças processuais fossem retirados os elementos susceptíveis de levar à identificação das vítimas. 
O tribunal europeu não considerou, contudo, como alegou Pedroso, que o ex-governante não tenha sido informado das razões da sua detenção.
O agora representante de Portugal no Banco Mundial em Washington foi uma das dez pessoas acusadas em Dezembro de 2003 por abuso sexual de menores institucionalizados na Casa Pia. O seu envolvimento no caso recua a 22 de Maio de 2003, altura em que foi preso preventivamente por ordem do juiz Rui Teixeira. Poucos meses depois da sua libertação, o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa determinaria, em Maio de 2004, que Pedroso não iria afinal a julgamento por haver, entre outras coisas, “sérias dúvidas” sobre a sua identificação como eventual abusador por parte das vítimas.
Pedroso acusou o Estado português de o ter detido ilegalmente e conseguiu que o tribunal de primeira instância lhe reconhecesse o direito a ser indemnizado em 137 mil euros. Mas, em 2011, o Supremo Tribunal sentenciou que não havia lugar ao pagamento de qualquer indemnização. Já o TEDH entendeu que sim. “O que está aqui em causa”, interpreta o advogado Teixeira da Mota, é “uma interpretação demasiado restritiva por parte do Supremo Tribunal da disposição legal que diz que o Estado só é responsável por indemnizar quando tenha havido ‘erro grosseiro’ na apreciação dos pressupostos da medida privativa de liberdade”. E a lição a retirar daqui, no entender deste advogado, não questiona a actuação dos tribunais portugueses no processo Casa Pia no seu todo mas apenas a necessidade de o direito penal e do código do processo penal “serem sempre lidos à luz da Constituição e da Convenção Europeia dos Direitos do Homem”.
Ao PÚBLICO, o Ministério da Justiça lembrou nesta terça-feira que Portugal tem três meses para recorrer desta decisão à “Grande Chambre”. “A nossa representante no TEDH está a analisar o acórdão para tomar uma decisão”, adiantou a assessora de imprensa de Francisca Van Dunem.

“Só hoje voltei a ser verdadeiramente livre"

Paulo Pedroso reclamava cerca de 450 mil euros, o TEDH reconheceu-lhe o direito a 68.550 euros: 41.555 para o ressarcir de “custos e despesas”, 14 mil euros por danos pecuniários, em que se inclui a perda de salários, e os restantes 13 mil por danos morais. Mas “uma indemnização de um euro já seria suficiente”, tinha declarado Pedroso, através do seu advogado, Celso Cruzeiro. E, horas depois, no seu blogue, Pedroso escreveu: "Só hoje [terça-feira] voltei a ser verdadeiramente livre."
Dizendo ter sido tratado "de modo ilegal, injusto e atentatório dos direitos humanos", num texto intitulado "Ponto final, finalmente", qualificou como "monstruosa" a acusação que lhe foi feita. "Quem errou, intencionalmente ou por negligência, soube que hoje saiu derrotada neste processo a sua visão autoritária do processo penal" que diz ter sido baseada "no abuso da ocultação de provas e na manipulação mediática de processos judiciais".  


Já o ex-casapiano Pedro Namora, advogado que se destacou na denúncia dos casos de abusos sexual na instituição, considerou que a decisão do tribunal europeu teria sido diferente "se os juízes tivessem ouvido as crianças que acusaram Paulo Pedroso". "Esta decisão há-de ser judicialmente muito equilibrada, mas não tem em conta o essencial que é a dor das vítimas", declarou ao PÚBLICO. 
"Esta vitória do doutor Paulo Pedroso acaba por se dever a questões processuais que, em Portugal, se aplicam a noventa por cento dos arguidos comuns. Tanto quanto percebi, o tribunal não se pronuncia sobre o fundo da questão. E, para mim, Paulo Pedroso continua a ser uma pessoa por quem sinto uma profunda repugnância", acrescentou o autor do livro A dor das crianças não mente que escreveu a propósito do processo Casa Pia.

 https://www.publico.pt

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13
Jun18

SINAIS DE FOGO – TIRANETES, MACACOS E JORNALISTAS – por Soares Novais

António Garrochinho



 
aviagemdosargonautas.net

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13
Jun18

CARLOS REIS – CHICO BUARQUE

António Garrochinho


(*) https://www.youtube.com/watch?v=SJSeYOLPnX4

VÍDEO







aviagemdosargonautas.net

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13
Jun18

ALGARVE 16 Acordeonistas algarvios brilham em Alcobaça e Santarém

António Garrochinho





Jovens acordeonistas algarvios brilham no 23.º Troféu Nacional / 3.º Concurso Internacional de Acordeão “Cidade de Alcobaça” que se realizou entre 8 e 10  de Junho.
Entre 8 e 10 de Junho realizou-se o 23.º Troféu Nacional (o mais antigo e prestigiado em Portugal) e o 3º Concurso Internacional de Acordeão em Alcobaça, onde participaram mais de 60 acordeonistas de várias nacionalidades, alguns já vencedores dos mais importantes concursos mundiais de Acordeão. Este evento contou com um painel de jurados oriundos de vários países (Portugal, Espanha, Rússia, Itália, República Checa, Bélgica e França) e reconhecidos mundialmente na prática e/ou no desenvolvimento  deste instrumento fortemente enraizado em Portugal.
O Algarve esteve bem representado através de vários jovens que venceram inclusivamente diversas categorias a concurso. Do Professor algarvio Nelson Conceição e com o apoio da Associação Grupo dos Amigos de Loulé, Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe, Município de Loulé, Direcção Regional de Cultura do Algarve e Apexa, participaram 16 alunos obtendo as seguintes classificações:
JOÃO PALMA (Loulé)
1º Prémio 23º Troféu Nacional Junior Varieté;
1º Prémio 3º Troféu Internacional de Alcobaça Junior Varieté;
1º Prémio 23º Troféu Nacional Livre Solista Concerto;
2º Prémio Troféu Internacional de Alcobaça Solista Concerto;
1º Prémio 23º Troféu Nacional Cat. Duo B;
1º Prémio 3º Troféu Internacional de Alcobaça Cat.Duo B;
1º Prémio 23º Troféu Nacional Cat. Orquestra Varieté;
2º Prémio 3º Troféu Internacional Alcobaça Orquestra Varieté;
PEDRO GONÇALVES (Olhão)
1º Prémio 23º Troféu Nacional Livre Solista Varieté;
1º Prémio 3º Troféu Internacional de Alcobaça Solista Varieté;
1º Prémio 23º Troféu Nacional Cat. Duo B;
1º Prémio 3º Troféu Internacional de Alcobaça Cat.Duo B);
1º Prémio 23º Troféu Nacional Cat. Orquestra Varieté;
2º Prémio 3º Troféu Internacional Alcobaça Orquestra Varieté;
MARIANA COELHO (Albufeira)
1º Prémio 23º Troféu Nacional Juvenil Varieté;
2º Prémio 3º Troféu Internacional de Alcobaça Solista Varieté;
1º Prémio 23º Troféu Nacional Cat. Orquestra Varieté;
2º Prémio 3º Troféu Internacional Alcobaça Orquestra Varieté;
MIGUEL COELHO (Messines)
1º Prémio 23º Troféu Nacional Cat. Duo A;
2º Prémio 3º Troféu Internacional de Alcobaça Cat.Duo A);
4º Prémio 23º Troféu Nacional Cat. Infantil1;
4º Prémio 3º Troféu Internacional de Alcobaça Cat. Infantil 1);
MATILDE SOUSA (Albufeira)
1º Prémio 23º Troféu Nacional Cat. Duo A;
2º Prémio 3º Troféu Internacional de Alcobaça Cat.Duo A);
1º Prémio 23º Troféu Nacional Cat. Orquestra Varieté;
2º Prémio 3º Troféu Internacional Alcobaça Orquestra Varieté;
TIAGO CONCEIÇÃO (Loulé)
2º Prémio 23º Troféu Nacional Cat. Iniciados 2;
4º Prémio 3º Troféu Internacional Alcobaça Cat. Iniciados 2;
ORQUESTRA FOLEGARVE constituída por: HUGO AFONSO (Almancil), CARINA DUARTE (Quarteira); ANDRÉ MARTINS (Albufeira), DAVID MENDES (Paderne), LARA COELHO (Albufeira), TOMÁS ALEXANDRE (Loulé), MATEUS MARRACHINHO (Guia),RODRIGO VELOSO (Loulé), PEDRO RAMOS (Bordeira), INÊS FARIA (Bordeira) ; JOÃO PALMA (Loulé); PEDRO GONÇALVES (Olhão); MARIANA COELHO (Albufeira), MATILDE SOUSA (Albufeira)
1.º Prémio 23.º Troféu Nacional Cat. Orquestra Varieté;
2.º Prémio 3.º Troféu Internacional Cidade de Alcobaça Orquestra Varieté;
De realçar ainda que no fim de semana passado realizou-se o 3.º Troféu Nacional em Santarémonde 3 destes jovens participaram obtendo os primeiros lugares nas respetivas categorias:
João Palma (1.º Prémio Sénior Varieté)
Pedro Ivan Gonçalves (1.º Prémio Júnior Varieté)
Tiago Conceição (1.º Prémio Iniciados e 1.º Prémio na Cat. Prémio Renzo Ruggieri)


planetalgarve.com

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13
Jun18

Segurança Social e Santa Casa alimentam especulação imobiliária

António Garrochinho
Depois do polémico leilão de casas com «rendas acessíveis» pela Câmara Municipal de Lisboa, a Segurança Social repete o esquema e a Santa Casa lançou um programa para jovens com rendas até 966 euros.

https://www.abrilabril.pt/sites/default/files/styles/jumbo1200x630/public/assets/img/6006.jpg?itok=ufdwAlOn
Lisboa é a cidade onde os preços da habitação são mais elevados
Lisboa é a cidade onde os preços da habitação são mais elevados
Apesar de o leilão que a Câmara Municipal de Lisboa lançou através do programa de «renda acessível» ter resultado no cancelamento do mesmo – por os valores terem chegado aos 760 euros –, há outra entidade pública a repetir a iniciativa na capital.
A Segurança Social colocou em leilão, para arrendamento, um T2 no Restelo. A base de licitação ultrapassa largamente os 350 euros dos leilões da Câmara Municipal de Lisboa: 1150 euros, um valor muito próximo da média por metro quadrado. Recorde-se que este é um valor base, que poderá subir substancialmente e ultrapassar o valor médio pelo qual as casas estão a ser arrendadas na cidade de Lisboa. A grande diferença é que é a Segurança Social a fazer o negócio.
Também a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, uma entidade que também está sob a tutela do ministro Vieira da Silva, tem um programa para arrendamento jovem a decorrer, cujas candidaturas abrem na próxima segunda-feira.
Neste, os preços das rendas oscilam entre os 400 e os 996 euros, e as 12 casas (dez das quais são T0 ou T1) localizam-se nas freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior. Para que um jovem até aos 35 anos (os destinatários do programa) que ganhe o salário mínimo nacional possa pagar a renda mais baixa, terá que assumir uma taxa de esforço de 77%, em termos líquidos – sobram pouco mais de 100 euros.

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13
Jun18

Balada do fumo negro - António Dias Lourenço

António Garrochinho



Balada do fumo negro

Eu te saúdo, ó fumo negro das fábricas
Eu te saúdo!
Aí onde maculas o azul
Onde rolas ao sabor da ventania,
Há homens que o carvão tingiu de negro
Homens verdes, brancos, amarelos
Homens cor do cimento e da ferrugem,
Homens sem raça!
Homens sem cor!
Eu te saúdo, ó fumo negro das fábricas!
Tu que és negro resíduo
Desse estupendo cadinho
Onde se fundem tragédias.
Eu te saúdo, ó fumo negro das fábricas!
Nessa raça de homens que não têm raça,
Nessa raça de homens que não têm cor.
Eu te saúdo
Pelos rostos banhados de suor,
Verdes, brancos, amarelos,
Cor do cimento e da ferrugem
Que o carvão risca de negro.

António Dias Lourenço
1915-2010

Este poema, escrito por um jovem serralheiro mecânico de 24 anos chamado Antonio Dias Lourenço, foi publicado no Mensageiro do Ribatejo edição de 9-7-
1939, página 3 e inserido em ‘A Foz em Delta’ de Manuel Gusmão, pág. 63, 2018.

PUBLICADA POR CID SIMOES 
voarforadaasa.blogspot.com


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13
Jun18

INTERNACIONAL TRABALHO INFANTIL - Conflitos e desastres fazem aumentar trabalho infantil na agricultura

António Garrochinho
Depois uma década sempre a descer, o número de crianças que trabalham na agricultura passou de 98 milhões, em 2012, para 108 milhões, hoje, denuncia a FAO no 
Dia Mundial contra o Trabalho Infantil.
https://www.abrilabril.pt/sites/default/files/styles/jumbo1200x630/public/assets/img/7511.jpg?itok=fajh_Nek
O número de crianças trabalhadoras aumentou cerca de 10% desde 2012, o que se deve, em grande medida, a conflitos prolongados e desastres naturais
O número de crianças trabalhadoras aumentou cerca de 10% desde 2012, o que se deve, em grande medida, a conflitos prolongados e desastres naturaisCréditos
A organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) afirma na nota hoje emitida que «esta tendência preocupante não só ameaça o bem-estar de milhões de crianças, mas também mina os esforços para para acabar com a fome e a pobreza no mundo».
De acordo com o organismo das Nações Unidas, «70% do trabalho infantil a nível mundial ocorre na agricultura», pelo que «é vital enquadrar o trabalho infantil nas políticas agrícolas nacionais e abordar o problema a nível familiar». A não ser assim, defendem os responsáveis da FAO, «agravra-se-á ainda mais a pobreza e a fome nas zonas rurais».

TRABALHO INFANTIL

– quase três de cada quatro crianças envolvidas no trabalho infantil fazem-no na agricultura;
– hoje, há mais 10 milhões de crianças a trabalhar na agricultura do que em 2012;
– dos 152 milhões de crianças trabalhadoras, a grande maioria (108 milhões) trabalha na agricultura, pecuária, silvicultura ou aquacultura;
– cerca de 70% do trabalho infantil é trabalho familiar não remunerado;
– a incidência do trabalho infantil nos países afectados por conflitos armados é 77% mais elevada que a média mundial;
– cerca de metade de todo o trabalho infantil no mundo ocorre em África: 72 milhões (a grande maioria no sector agrícola); segue-se a Ásia: 62 milhões de crianças.
Os conflitos prolongados, os desastres naturais e a migração são apontados como causas principais do aumento referido nos últimos seis anos. A FAO acrescenta que as crianças que trabalham na agricultura «são expostas a múltiplas ameaças», em que se incluem «os pesticidas, as condições inadequadas de saneamento no campo, as temperaturas elevadas e a fadiga decorrente da realização de trabalhos que exigem grande esforço físico durante períodos prolongados».
«O trabalho infantil é um problema mundial, «que prejudica as crianças, causa prejuízos ao sector agrícola e perpetua a pobreza rural», afirma a FAO, sublinhando que, «ao serem obrigadas a trabalhar muitas horas, as crianças vêem diminuir as possibilidades de irem à escola e de desenvolverem as suas capacidades», o que acabará por interferir «com as suas possibilidades de aceder a oportunidades de empregos decentes e produtivos no futuro».
Definindo o trabalho infantil como trabalho que «não é adequado para a idade de uma criança, afecta a sua educação ou pode causar dano à sua saúde, segurança e moral», a FAO sustenta que o combate à pobreza rural e a defesa da educação são fundamentais na abordagem ao combate ao trabalho infantil.


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13
Jun18

Quando duas gerações talentosas se encontram

António Garrochinho


Quando duas gerações talentosas se encontram, dá nisso!

Quando duas gerações talentosas se juntam, o resultado é maravilhoso. É o que você verá no vídeo a seguir, onde Almir Sater e Paula Fernandes cantam um dueto da canção 'Jeito de Mato'. Não dá vontade de parar de ouvir...
VÍDEO

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13
Jun18

A Fina Arte do Pintor Kal Gajoum

António Garrochinho

A pinturade Kal Gajoum é, para dizer o mínimo, de tirar o fôlego. Nascido em Trípoli em 1968, o interesse de Gajoum pela arte surgiu precocemente: ele participou de sua primeira competição de pinturas quando tinha apenas 10 anos de idade e realizou sua primeira exposição em 1983, aos 15 anos. Como você está prestes a ver neste artigo, suas pinturas são verdadeiramente fascinantes e magníficas.

 
arte do pintor kal gajoum tudoporemail

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Sua arte é inspirada principalmente por paisagens urbanas. Ele se especializou em óleo sobre tela, principalmente com o uso de espátulas.
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Ele conheceu esta técnica através de um amigo da família, que havia estudado na Escola de Artes Leonardo da Vinci, em Roma. 
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Na arte de Gajoum, é possível sentir o calor e energia que ele tenta passar em seus quadros - qualidades frequentemente esquecidas por artistas contemporâneos. 
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Além dessa técnica, Gajoum também aprendeu a pintar aquarelas e obras em estilo parisiense, em Paris.
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Seus quadros são tanto modernos quanto tradicionais; tão poderosos quanto delicados. Complexos e, ao mesmo tempo, simples. 
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Jun18

O ESTADO DE ISRAEL - O OVO DA SERPENTE

António Garrochinho

por Breno Altman

Os violentos ataques militares de Israel contra civis palestinos, na cerca divisória da Faixa de Gaza, com dezenas de mortos e centenas de feridos, em manifestações pacíficas, são apenas o retrato mais recente de um processo nefasto desde o seu nascedouro.

O sionismo, fonte ideológica do Estado de Israel, forjado por Theodore Herzl e seus seguidores no final do século XIX, desde a pia batismal carregava os genes das teratologias praticadas por Benjamin Netanyahu.
Essa doutrina apresentava-se, nos primórdios, como expressão politico-cultural da legitima reivindicação do povo judeu à emancipação e à construção de sua própria nação, em resposta a séculos de expropriação e perseguição. A mensagem, ao menos no início, parecia resplandecer como libertária e democrática, arrastando vastos contingentes judaicos que estavam integrados a correntes socialistas nos países adotivos de seus ancestrais.
Ao contrário de outros movimentos de libertação nacional, empenhados em expulsar invasores de fronteiras que não lhes pertenciam, contudo, a concretização da empreitada sionista na Palestina representou, desde o início, um sonho de independência às custas da colonização de outra etnia, os árabes, que há muito tinham repovoado a região.
Não é à toa que o sionismo, inicialmente laico, se funde com ramos religiosos para criar uma narrativa de direito histórico à Terra Prometida, remontando-o à trajetória dos tempos bíblicos.
A teoria de Herzl, assim, sempre se assentou sobre uma contradição fatal, que acabaria por expurgar seus valores mais humanistas: a soberania de um povo através da submissão de outro povo somente poderia redundar em opressão, violência e guerra.
A criação do Estado de Israel, em 1948, impulsionada pelo Holocausto, refletiu a enorme autoridade moral das ideias sionistas. Lideranças e intelectuais árabes, atormentados com o isolamento do pós-guerra, muitas vezes abraçaram o antissemitismo e a negação do genocídio judaico, facilitando ainda mais a estratégia de seus inimigos.
A partilha aprovada pelas Nações Unidas em 1947, dividindo a área em litígio entre duas pátrias, acabou por ser rechaçada pelos grupos palestinos e países árabes. Desorganizados, desunidos e mal-armados, provocaram espiral bélica cujo resultado foi a expansão territorial de Israel.
A ameaça externa, desde então, passou a configurar novo álibi para o colonialismo sionista, levando a guerras ilegais de anexação que abalaram a hipótese de um Estado palestino. Aliado aos Estados Unidos a partir do início dos anos 50, Israel logo se transformou em um dos países militarmente mais poderosos do mundo, além de ganhar proteção no Conselho de Segurança da ONU para violar resoluções internacionais em seu desfavor.
Essa dinâmica também afetou as estruturas de Israel, cada vez mais assemelhado a um híbrido sistema de castas. Para a maioria dos judeus, um país moderno, democrático e relativamente justo. Para os árabes-israelenses, que constituem 20% da população interna, um regime segregacionista e cidadania de segunda classe. Para os árabes-palestinos, que vivem nos territórios ocupados depois da Guerra de 1967, um apartheid brutal e implacável.
No final de abril, o governo Netanyahu conseguiu aprovar no parlamento, na primeira de três votações necessárias, nova lei básica, com poderes constitucionais. Por esse novo estatuto, o árabe deixa de ser a segunda língua oficial, bairros exclusivamente de judeus são legalizados, as leis religiosas passam a orientar a Justiça e Israel torna-se oficialmente identificado como uma nação judaica.
São passos firmes, em marcha batida, para um Estado teocrático, racista e colonial, chocando o ovo da serpente fertilizado há mais de cem anos.
Breno Altman é jornalista e fundador do site Opera Mundi. 


operamundi.uol.com.br

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13
Jun18

Juiz determina prisão de ex-primeira-dama de El Salvador, Vanda Pignato

António Garrochinho




Pignato é investigada em caso de lavagem de dinheiro e peculato; juiz fala em 'risco de fuga', mas ex-esposa de Mauricio Funes tem saúde debilitada
O juiz Salomón Landaverde ordenou nesta segunda-feira (11/06) a prisão da ex-primeira-dama de El Salvador Vanda Pignato, que era casada com Mauricio Funes (FMLN) quando este ocupava a presidência do país (2009-2014) .

Ela é acusada, junto a mais 31 pessoas, de participar de um esquema de lavagem de dinheiro e peculato, com valores que chegam a US$ 351 milhões, na época do governo do hoje ex-marido. A Procuradoria alega que Pignato recebeu vantagens indevidas do empresário José Miguel Menéndez Alvear, que seria um “testa de ferro” de Funes.
Pignato nega irregularidades e, segundo Francis Varquero, sua advogada, a decisão de Landaverde de pedir a prisão foi “surpreendente”. A ex-primeira-dama, afirma a defensora, está em estado de saúde “muito grave” e, por isso, não compareceu à audiência.
O juiz, no entanto, ordenou a prisão da ex-primeira-dama por “risco de fuga”, apesar de o próprio Ministério Público pedir penas alternativas.
Em 2015, Pignato descobriu um câncer de endométrio, que a afastou das atividades públicas – ela é secretária de Inclusão Social do país. “Ela está incapacitada, depois de estar hospitalizada no Hospital da Mulher. Foi provada a debilidade de sua saúde, mas a representação técnica sempre esteve aqui”, disse a advogada.
Advogada, Pignato foi primeira-dama de El Salvador entre 2009 e 2014. Ela nasceu em São Paulo e militou durante muito tempo no PT. Em 1992, se mudou para San Salvador, para representar o partido no país, e se tornou diretora do Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil na capital. A hoje secretária foi casada com Mauricio Funes até outubro de 2014.
Wikimedia Commons

Juiz salvadorenho decretou prisão da ex-primeira-dama Vanda Pignato



Reações
O pedido de prisão foi rechaçado pelo FMLN e por dirigentes do partido. "Denunciamos arbitrariedade e atitude revanchista contra a companheira Vanda Pignato. Lutadora tenaz pelos direitos das mulheres #VandaNãoEstáSozinha", afirmou o partido, por meio do Twitter.



FMLN Oficial
✔@FMLNoficial

@FMLNoficial Denunciamos arbitrariedad y actitud revanchista e inhumana contra la compañera Vanda Pignato. Luchadora tenaz por los Derechos de las Mujeres #VandaNoEstasSola
05:54 - 12 de jun de 2018
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Já para Norma Guevara, dirigente histórica do FMLN, Pignato "fez mais pela diginidade das mulheres do que jamais faria a direita". "Alcemos a voz por seu direito de não ser injustamente perseguida", afirmou.



Norma Guevara@guevara_tuiter

La Doctora Vanda Pignato ha hecho por la dignidad de las mujeres lo que jamás haría la derecha. Enseñar a defenderse, a exigir respeto. Ahora es víctima de un atropello. Alcemos la voz por su derecho a no ser injustamente perseguida.
05:03 - 12 de jun de 2018
  • 331
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Também líder histórica do grupo, a deputada Nídia Diaz diz que a ex-primeira-dama é "perseguida e vítima de uma trama". "Minha solidariedade ante a seu estado de saúde. Peço a Deus que a dê força nestes momentos no qual deve prevalecer um devido processo de justiça, baseada na verdade. #Vanda Não Está Sozinha", disse.



Nidia Díaz@Nidia_FMLN

Vanda Pignato ha trabajado incansablemente por devolver la dignidad y derechos a las mujeres salvadoreñas bajo el programa ícono mundial: Ciudad Mujer. Luchadora contra el cáncer. Hoy es víctima de una trama. Mi solidaridad ante tanta persecución a la que ha sido expuesta. pic.twitter.com/KYFZkaG7zx
06:04 - 12 de jun de 2018
  • 215
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13
Jun18

Será que a comunidade internacional acredita no Pai de Natal?

António Garrochinho


Uma pesquisa google, em 24 de Abril, deu isto
 Outra pesquisa, na mesma data, isto dava

As datas, porque são simultâneas, parecem induzir o juízo que Kim foi a correr fazer o que achava que tinha que fazer para evitar a concretização da ameaça. A imprensa, chegou a passar essa mensagem subliminar. Trump chegou a afirmar isso. Fica uma pergunta. E depois outra.

A pergunta: o que leva mais tempo, destruir uma base nuclear ou fazer uma conferência de imprensa?
A outra: A comunidade internacional acredita no Pai de Natal? 

De qualquer forma, um encontro histórico 




http://conversavinagrada.blogspot.com

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13
Jun18

A orquestra vermelha

António Garrochinho

ATENÇÃO! ESTE ARTIGO QUE SE ENCONTRA EM FRANCÊS PODE SER TRADUZIDO PELO TRADUTOR QUE ESTE BLOGUE TEM INSERIDO OU BASTA SIMPLESMENTE CLICAR COM O BOTÃO DIREITO DO RATO E ESCOLHER A LÍNGUA PORTUGUESA



Suzanne Cointe, du mouvement musical engagé dans les années trente au réseau l’orchestre rouge, par Jacques Sapir

Suzanne Cointe est une figure, aujourd’hui tombée dans l’oubli, mais dont l’importance est indéniable tant dans la vie culturelle des années 1930 que dans la guerre contre le nazisme. Le livre que Christian Langeois[1] lui consacre est intéressant à plus d’un titre, Fille du général Georges Sosthène Cointe, militante communiste dans les organisations culturelles que le PCF construisit dans le milieu musical dans les années trente, et membre du fameux réseau de Léopold Trepper, que les allemands avaient surnommé L’orchestre rouge, elle méritait à l’évidence cette bibliographie qui la sort de l’oubli[2]



UN LIVRE DOUBLE

Ce livre rappel tut d’abord le milieu d’origine de Suzanne Cointe, de petits notables de province qui profitèrent des canaux de promotion sociale ouverts à la fin du Second Empire et au début de la Troisième République. La carrière du père de Suzanne, le général Georges Sosthène Cointe en est une illustration. Le milieu d’origine de Suzanne Cointe est donc conservateur et patriote. Elle s’en écartera sans rompre cependant avec lui. Puis, il décrit tout d’abord l’atmosphère, mais aussi les organisations, que le PCF avait créé dans le milieu de la musique de la fin des années 1920 à la seconde guerre mondiale en cherchant à resituer la personnalité et le rôle de Suzanne Cointe. Les chapitres qui y sont consacrés sont certainement les plus intéressants de l’ouvrage.
On y croise nombre de personnages illustres, mais aussi les noms de certains des militants qui furent le fer de lance de la MOI, la Main d’œuvre Immigrée, une organisation qui porta une grande part de l’activité militaire de la résistance communiste de juin 1941 à fin 1942[3]. En cela, il s’avère un utile ajout aux livres qui furent consacrés au Groupe Manouchian[4].

Puis, dans les trois derniers chapitres, il cherche à retracer la trajectoire de Suzanne Cointe dans le réseau de Léopold Trepper et d’établir son engagement précis. Rappelons que Léopold Trepper, d’abord militant sioniste d’extrême gauche, fut recruté par l’Internationale Communiste et puis enfin par le GRU[5]. Le général Ian K. Berzin, qui devait être une des victimes des purges de 1937, le chargea avec Richard Sorge et Alexandre Radô, de monter un réseau ostensiblement dirigé contre l’Angleterre, mais en réalité contre l’Allemagne Nazie[6]. Les trois hommes, Trepper, Sorge er Radô, figurent en haut du Panthéon de l’espionnage par la qualité des renseignements que leurs réseaux récoltèrent[7]. Il suit alors Suzanne Cointe de la Simex, la société-écran crée par Trepper pour camoufler, mais aussi financer, ses activités, dont elle sera une des fondées de pouvoir jusqu’à son arrestation par le police allemande, les tortures à laquelle elle fut probablement soumise, et son exécution à Berlin.

QUI ÉTAIT SUZANNE COINTE ?

Suzanne Cointe n’avait donc pas le profil d’une militante communiste habituelle. Fille de général, comme on l’a dit, elle fut élevée dans des valeurs où le patriotisme jouait un fort grand rôle. Mais la musique tenait aussi une place importante dans la vie familiale. Il n’est donc pas étonnant qu’elle se soit destinée à l’enseignement de la musique après des études dans divers conservatoires. Elle partagea alors la vie de Jean-Paul Le Chanois, plus jeune qu’elle de cinq ans, de 1925 à 1931-32. Le Chanois lui fit probablement connaître Jacques Prévert. Mais, il semble bien qu’elle n’eut besoin de personne pour connaître divers responsables du PCF et de l’Internationale Communiste. Elle est ainsi fichée dès la fin des années 1920 par la police française comme « boite aux lettres » pour l’Internationale Communiste. Dès le début des années trente, elle est en contact avec des émigrés allemands, mais aussi des émigrés juifs de cette diaspora d’Europe centrale qui fut une pépinière d’artistes (on pense à Kosma ou Eisler) mais aussi de militants. Il est plus que regrettable que Christian Langeois n’ait pas étendu son travail de recherches aux archives et du Parti Communiste et de l’IC, ainsi que dans les archives soviétiques. Les responsabilités qui furent par la suite confiées à Suzanne Cointe impliquent qu’un dossier à son nom avait été ouvert par l’IC. Il est ainsi évasif sur son adhésion possible au PCF. Mais, on sait à travers d’autres exemples qu’il y eut des adhésions directement à l’IC (et donc au mouvement communiste) dont les militants, voire les responsables du PCF n’eurent pas connaissances.

Jean-Paul Le Chanois

L’ACTION DU PARTI COMMUNISTE DANS LE DOMAINE ARTISTIQUE

Une partie importante du livre est consacrée aux organisations inspirées par le PCF ou directement sous sa direction, dans le milieu musical. Il suit alors Suzanne Cointe dans le mouvement culturel qui lui sert de terreau mais aussi de contexte. Or, et c’est justement ce qui est intéressant, il s’agit d’un mouvement à la fois culturel et politique. La stratégie du PCF, mais aussi celle de l’IC, était à l’époque de constituer une véritable contre-culture permettant au « peuple » de se réapproprier les fleurons de la culture dite « bourgeoise » (Beethoven, Debussy, Ravel, Wagner), de se frotter aux diverses avant-gardes culturelles (Auric, Durey, Honegger, Milhaud) mais dans une perspective clairement politique. La partie la plus intéressante du livre porte donc sur la Fédération Musicale Populaire, la Maison de la Culture, mais aussi la Chorale populaire de Paris, associé à l’AEAR (Association des écrivains et artistes révolutionnaire), dont Suzanne Cointe fut la cheville ouvrière, assumant sa direction en 1935 avec Peters Rosset. Elle dirigea cette Chorale populaire de Paris notamment pour le film de Jean Renoir La vie est à nous tourné en 1936.
Pour autant, ce contexte fut-il aussi consensuel que Langeois le décrit ? On peut en douter. Des conflits de « ligne » politique, ou d’interprétation de la « ligne » existaient. Une partie des sympathisants liée au Groupe Octobre fut plus que troublée tant par les purges staliniennes en URSS que par les pratiques des envoyés du PCF en Espagne[8]. L’effritement de ce bel appareil que le PCF avait réussi à constituer à partir de 1937 et 1938 ne fut pas uniquement dû au reflux des luttes populaires et à la chute du gouvernement de Front Populaire. Il eut été honnête de le rappeler.

POUR UN USAGE POPULAIRE DE LA CULTURE

Ce livre décrit l’œuvre pionnière d’un Albert Roussel, ou d’un Charles Kœchlin, mais aussi d’un Peters Rosset, marquant la convergence, vers le milieu des années trente, entre le projet politique du PCF et les mouvements les plus avancés dans le domaine culturel et musical. En cela, il éclaire bien la participation du PCF à cette tentative pour réunifier tant la culture « classique » que la culture dite « populaire ». C’est certainement la meilleure partie de l’ouvrage. On comprend, mais sans que cela ne soit réellement expliqué par l’auteur, que le qualificatif de « bourgeois » tend essentiellement à qualifier les usages de cette culture mais non son contenu. De ce point de vue, on est aux antipodes des discours et de l’idéologie des multiples « révolutions culturelles » qui se sont déroulées dans le XXème siècle et qui, confondant culture et usage de la culture, on construit le mythe d’une « culture bourgeoise » contre laquelle devaient se dresser les masses populaires.
C’est un point important qui montre l’intelligence d’une stratégie visant à intégrer divers usages mais au profit d’un contenu commun. De ce point de vue, cette stratégie artistique est toujours aujourd’hui d’actualité, et elle conserve son contenu novateur, car trop souvent la revendication d’une culture « populaire » se fait en privilégiant la notion d’usage et de pratique au détriment du contenu, qui est alors identifié à certaines de ces pratiques. On comprend alors pourquoi l’auteur s’est étendu sur ce point, et il a eu parfaitement raison. Car, même si cette tendance à confondre culture et usage de la culture est ancienne, il est clair qu’elle est très présente dans le monde actuelle avec une segmentation de la culture suivant des lignes communautaires, segmentation qui ne peut qu’appauvrir dramatiquement le contenu culturel général.

SUZANNE COINTE, ET LE RÉSEAU TREPPER

Cependant, si le livre est assez détaillé sur ce que fait Suzanne Cointe, il reste en retrait sur ce qu’elle est. On ne parle plus guère de sa vie privée après sa rupture avec Le Chanois, si ce n’est pour dire qu’elle ne rompit jamais avec sa famille, dont les opinions étaient certainement plus réactionnaires que les siennes. De même, les trois chapitres consacrés à la période de L’orchestre rouge sont largement inspirés des ouvrages (excellents) de Gilles Perrault sur ce sujet[9]. Mais enfin, présenter ce réseau comme essentiellement composé de militants passe sous silence l’appareil militaire (le GRU[10]) qui n’était pas moins important[11]. Christian Langeois cède, ici, à une forme de romantisme, ce qui n’est pas le cas de Perrault. En fait, la nature du militantisme lié à l’Internationale Communiste pouvait s’apparenter à la discipline d’un service lié aux forces armées. Ici encore, si le rôle de Suzanne Cointe est décrit et si sa décision de rester jusqu’au bout à son poste à la Simex est expliqué, on a peu d’éléments pour comprendre ses choix. Il est clair qu’elle dû trouver dans sa participation au réseau de Léopold Trepper la possibilité de réconcilier son patriotisme familial et son engagement politique. Il est dommage que l’auteur n’ait pas ici approfondi ses recherches, car cette trajectoire n’est pas unique. Il faut ici rappeler le rôle intégrateur à la Nation française de la MOI. La nature profonde de la MOI dans le Parti communiste fut en effet d’être : «Un lieu de convergence entre identité communiste, identités étrangères» et (ce qu’on avait insuffisamment dit jusque-là) «identité française»[12]. La guerre et la Résistance jouèrent probablement le même rôle pour Suzanne Cointe. La MOI a ainsi joué un rôle tant d’intégration de minorités immigrées à la Nation française, que de reconfiguration de cette « identité française », dont on comprend bien qu’elle ne peut-être que politique et historique, ces deux processus étant en réalité intimement liés. Ici encore, même si ce n’était clairement pas l’objectif de ce livre, on regrette que Christian Langeois ne se soit pas arrêté sur ce point. Il avait là, très probablement, une des clefs nécessaires pour comprendre l’évolution personnelle de Suzanne Cointe.

Ian Karlovitch Berzine
L’ombre de Berzine, héro méconnu
Les responsabilités de Suzanne Cointe indiquent qu’elle avait la confiance de l’appareil international du PCF, mais aussi celle de Moscou. Il convient de rappeler la trajectoire du général Berzine. Il fut à l’origine de la constitution du groupe des « maitres-espions » auquel Trepper, Sorge, Radô mais aussi Moshe Milstein, Rolf et Ruth Werner, Walter Krivitsky, Manfred Stern et Willi Lehmann appartenaient[13]. Mais, et ceci est peut-être plus intéressant, Berzine, qui avait été directeur du GRU (ou de ce qui en tenait lieu) de 1924 à 1935, fut envoyé en Espagne dès juillet 1936. Sous le pseudonyme de « général Grishin », il commanda le premier corps expéditionnaire russe et réorganisa les forces républicaines. Il fut à l’origine de la nomination du Général Miaja, un vieux général populaire aux yeux des Espagnols. Il galvanisa et organisa la défense de Madrid par les Brigades internationales et par l’Armée Républicaine espagnole, stoppant l’avance jusque-là inexorable et rapide des franquistes. Il rédigea au printemps 1937 un rapport pour le Kremlin où il dénonçait le massacre des anarchistes et des militants du POUM par Alexandre Orlov et les hommes du NKVD, indiquant que ce massacre injustifié et inutile privait la République de nombreux combattants valeureux, démoralisait les troupes, et servait les franquistes. Ce rapport déclencha une violente controverse et Vorochilov, qui se sentait visé, encourut les reproches de Staline. Rentré à Moscou à la fin du printemps 1937, il fut rétabli dans son poste de directeur du GRU. Mais Vorochilov, qui soutenait Orlov et le NKVD, intrigua pour que Berzine soit arrêté par le NKVD à l’automne 1937. Accusé de trotskisme et de trahison au profit du IIIe Reich, il fut condamné à mort le 29 juillet 1938 et exécuté le jour même[14]. La désignation par Berzine de Trepper, Sorge et Radô dans les premiers jours de l’automne 1937 peut ainsi être considérée comme le « testament » de celui qui fut l’un des plus grands responsables du renseignement soviétique[15]. La personnalité de Berzine reste mal connue hors des cercles spécialisés[16], mais il est clair que sa loyauté était double : à l’Union soviétique (et non à Staline….) et à l’idéal communiste qu’il avait embrassé très tôt dans sa jeunesse.
On voit ainsi que nous ne sommes pas strictement dans le monde des militants mais plus dans celui des militaires, même si ces derniers peuvent avoir une éthique militante. Cette réalité, ainsi que ce qu’elle implique, semble avoir échappé à Christian Langeois.
Ce livre est donc important car il ressort de l’ombre dans laquelle elle était tombée la figure de Suzanne Cointe. Il est aussi important car il donne au lecteur des informations intéressantes sur la politique culturelle du PCF dans les années 1930. Pour tout cela il convient de remercier Christian Langeois. Mais, ce livre est aussi critiquable par les manques et les oublis. Et surtout, on en saura plus à sa lecture sur ce que Suzanne Cointe à fait que qui elle était. Or, ceci reste, il ne faut pas l’oublier, le but d’une biographie…
Notes
[1] Langeois C., Les chants d’honneur – De la chorale populaire à l’orchestre rouge – Suzanne Cointe (1905-1943), Paris, Le Cherche-Midi, coll. Documents, 2016, 187 p., avec un index des noms.
[2] Notons cependant la notice à son nom dans le « Maitron », http://maitron-fusilles-40-44.univ-paris1.fr/spip.php?article20295
[3] Bartosek K., Gallissot R., Peschanski D. (dir.), De l’exil à la résistance. Réfugiés et immigrés d’Europe centrale en France. 1933-1945, Paris, Presses universitaires de Vincennes/Arcantère, 1989, 283 p
[4] Holban B., Testament. Après 45 ans de silence, le chef militaire des FTP-MOI de Paris parle…, Paris, Calmann-Lévy, 1989, 324 p.
[5] Le rôle du GRU dans les services de renseignement soviétiques fut, pendant longtemps, sous-estimé. Voir Haslam J., Near and Distant Neighbors : A New History of Soviet Intelligence, New York, Farrar, Straus and Giroux, 2015.
[6] Горчаков О. А. Ян Берзин — командарм ГРУ. С-Пб., «Нева», 2004 [Gortchakov O.A., Ian Berzin – Commandant du GRU, Saint-Pétersbourg, Néva, 2004]
[7] Si cela est une évidence pour Trepper et pour le réseau de Sorge Ramsay, un doute subsiste pour Radô et son réseau Lucy, qui aurait servi de boite postale pour des informations provenant du décodage des transmissions allemandes par les britanniques (Ultra).
[8] Sources privées.
[9] Voir Perrault G., L’Orchestre Rouge, Paris, Livre de poche, 1967
[10] Voir Kolpakidi A.I., et D.P. Prokhorov, Империя ГРУ. Очерки истории российской военной разведки [L’empire GRU. Essais sur l’histoire du renseignement militaire russe], Moscou, Olma-Press, 1999.
[11] Besse. J-P et Bourgeois G., La véritable histoire de l’Orchestre rouge, Paris, Nouveau monde éditions, 2015
[12] Voir la recension de l’ouvrage de «Bartosek Karel, Gallissot René, Peschanski Denis (dir.), De l’exil à la résistance. Réfugiés et immigrés d’Europe centrale en France. 1933-1945 » faite par Levy C., in Vingtième Siècle. Revue d’histoire, Année 1989, n° 24 pp. 141-142
[13] Willi Lehmann, capitaine de la SS et membre haut placé de la Gestapo, recruté en 1929 par le GRU, sera un de ceux qui transmettront au printemps 41 au Kremlin l’annonce de la prochaine opération Barbarossa, Kolpakidi A.I., et D.P. Prokhorov, op. cit..
[14] Gortchakov O.A., Ian Berzin – Commandant du GRU, op.cit..
[15] Ian K. Berzine fut réhabilité en 1956 et lavé de toutes les accusations qui avaient été portées contre lui.
[16] Ici encore, et je le regrette, je dois faire référence à des sources privées, collectées entre 1994 et 2001 en Russie.

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Jun18

SEM PAPAS NA LÍNGUA - SOBRE A CIMEIRA TRUMP COM KING JONG UN.

António Garrochinho

Não escondo a minha simpatia pelo povo norte coreano, um povo sofrido, heróico que resistiu a muitas adversidades e agressões e resiste aos ataques do imperialismo que quer ser o pollícia e dono do mundo e que apesar de todas as mentiras e falsidades que são ditas pelos media, lutou e luta tenazmente para construir o seu país sem constituir ameaça a outras nações no sentido de agressões, roubo de recursos e extermínio de outros povos.

Ao contrário do que diz o mundo é fácil ver que este povo é realmente diferente, educado, disciplinado, e enquanto o lixo, a degradação reina nos países ditos livres e democráticos onde na governação todos os dias aparecem os escróques, os assassinos, os bandalhos do vício e do luxo, a Coreia do Norte todos os dias aumenta a sua influência naquela área do mundo mostrando um povo que tem valores e sabe construir o futuro mesmo sofrendo os habituais boicotes do mundo servil ocidental aos EUA.

O que vomitam os media e certa opinião pública falando de liberdades , de miséria, de qualidade de vida na Coreia do Norte nada é mais do que dor de cotovelo e a ânsia de destruir modelos de governação que não submissos às políticas fascistas e imperialistas da América e dos seus fantoches lacaios na Europa decadente e dominada por palhaços ignorantes e covardes com aspirações neo colonialistas.

Não sou adepto da questão nuclear VENHA ELA DE ONDE VIER e sou favorável à eliminação do armamento nuclear geral no mundo mas não sou ingénuo ao ponto de aceitar que SE TÊM QUE DESARMAR UNS EM PROL DO REFORÇO DE OUTROS, ESSES SIM OS BANDIDOS QUE TODOS OS DIAS ASSASSINAM, DILACERAM INOCENTES POR TODO O PLANETA.

Posto isto, considero que a Coreia do Norte tem utilizado com toda a legitimidade e inteligência o seu poder nuclear não como arma de agressão mas sim como demonstração que não estão dispostos a serem escravos de ninguém e ao mesmo tempo demonstrarem ao mundo que são capazes de desenvolver uma economia forte, um objectivo de vivda sem necessidade de políticas de saque, invasão e destruição no mundo.

A Coreia do Norte tem todas as possibilidades de construir o seu próprio destino sem dependências de ninguém e sim com uma política de cooperação com todos os que respeitam o seu povo e outros.
A falta de liberdades, os assassinatos, a suposta infelicidade do povo norte coreano é falsa e tendenciosa e quem dera aos que acusam este heróico povo, terem dentro das suas fronteiras gente que ainda respeita valores há muito esquecidos e não praticados no mundo capitalista.

António Garrochinho

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13
Jun18

Notícia TSF António Costa anunciou que a "GOOGLE" vai formar 1000 programadores em Portugal

António Garrochinho

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