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POESIA E MÚSICA DA RESISTÊNCIA

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14
Out16

As Forças de Conservação e de Transformação na Europa na Idade Moderna

António Garrochinho


Que Classes Sociais se Ligavam as Forças de Transformação? Qual a Influência do Liberalismo nas Decisões de Ambas as Forças? Os Conservadores Conseguiram Deter o Avanço do Liberalismo e do Nacionalismo dos Povos Europeus?
Holanda Idade Moderna
Na Europa, a primeira metade do século XIX foi marcada pela tentativa de afirmação das forças de conservação sobre as forças de transformação. E, momentaneamente vencedoras, as de conservação se ligavam ao feudalismo em franca decomposição e se empenhavam em sufocar o nacionalismo, suprimir as liberdades individuais e restaurar o Absolutismo. Eram representadas pela nobreza e pelo clero.
Mas, essa restauração absolutista não foi bem recebida devido a vários fatores como a independência da América Latina, a impossibilidade de apagar os efeitos da ação revolucionária nas instituições, como por exemplo, na monarquia entre os quatro poderes (o Moderador, reforçamento do Absolutismo, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, contribuições revolucionárias). A França de Luís XVIII e o Brasil de Pedro I tiveram Constituições desse tipo, conciliador.
As forças de transformação – momentaneamente contidas – eram representadas pela burguesia e pelo proletariado urbano, desenvolvidos com a Revolução Industrial. De início, as revoluções ocorreram em nome do liberalismo e do nacionalismo, baseado na determinação dos povos; reivindicavam-se liberdade para os povos disporem de si mesmos, liberdade de falar, de imprensa, de comércio e liberdade política asseguradas por governos constitucionais parlamentaristas. O Liberalismo foi a ideologia da burguesia, pois ao defender os direitos ou liberdades dos indivíduos justificava a sua ascensão política, paralela à socioeconomia.
De 1815 a 1848 houve uma valorização do liberalismo e, de 1848 em diante, houve a valorização do nacionalismo, mesmo porque as forças de transformação cindiram-se nas revoluções de 1848, o socialismo, ligado ao proletariado, surgiu como força revolucionária.
América Colonial InglesaApós a derrota de Napoleão em Leipzig os representantes dos vencedores se reuniram em Viena (set / 1814) para solucionar os problemas consequentes da Revolução Francesa. Esse Congresso contou com a participação dos dirigentes de quase todos os Estados europeus afetados pelas conquistas napoleônicas.
Os principais objetivos do Congresso eram refazer o mapa político europeu, visando uma partilha da Europa entre a Inglaterra, a Rússia, a Áustria e a Prússia e restaurar o regime Absolutista. Vários obstáculos se opunham aos propósitos dos vencedores como a oposição à burguesia – fortalecida com a Revolução Industrial – a difusão das ideias liberais, as transformações políticas, territoriais, econômicas e sociais ocorridas durante a Revolução Francesa e as divergências entre as grandes potências.
Embora se tratasse de uma assembleia internacional, as decisões do Congresso de Viena foram tomadas em reuniões secretas e, aproveitando-se das rivalidades entre os “Quatro Grandes”, o representante da França invocou o Princípio da Legitimidade a fim de que a França não fosse dividida entre esses 4 países.
Segundo esse princípio, as dinastias reinantes antes de 1789 deveriam ser restauradas e cada país europeu deveria readquirir os territórios que possuía no período anterior à Revolução Francesa. Qualquer alteração territorial somente teria validade se tivesse o consentimento do legítimo proprietário (a França).
As decisões do Congresso de Viena estabeleceram modificações jurídicas, políticas e territoriais onde a França ficou isolada e perdeu vários territórios como Tobago, Santa Lúcia e Ilhas Maurício, além de pesadas indenizações.
A Inglaterra foi a grande beneficiada com a abolição do tráfico de escravos e a livre navegação dos mares e rios, além de vantagens territoriais como a ilha de Malta (importante ponto estratégico no Mediterrâneo), as ex-colônias holandesas, a colônia do Cabo (África do Sul), a ilha de Ceilão (próxima à Índia), a Guiana e as ilhas Corfu, Maurício, Tobago, Trinidad e a Tasmânia.
Navegação Portuguesa
Dessa forma, a Inglaterra pôde se expandir livremente fora da Europa, consolidando o seu poderia marítimo e comercial, estabelecendo um equilíbrio de forças na Europa em que os Estados mutuamente se anulavam; porém, o seu principal êxito foi o enfraquecimento da França, sua tradicional rival.
A Prússia anexou parte da Polônia (e regiões do Reno), aumentando seu território consideravelmente e, à Áustria, coube a outra parte da Polônia (e os territórios italianos da Venécia e Lombardia), além da tutela da maioria dos Estados italianos.
A Rússia ficou com a maior parte da Polônia, readquirindo a Finlândia e, a Alemanha que, apesar do fortalecimento da Prússia, continuou como um país fraco e dividido em vários Estados independentes que formavam a Confederação Germânica – sob a presidência da Áustria. A Itália ficou sob a influência da Áustria e, a Bélgica, em processo de industrialização, foi incorporada à Holanda, formando o Reino dos Países Baixos.
O período que se seguiu ao Congresso de Viena marcou o restabelecimento das monarquias absolutas e de várias dinastias depostas em diversos Estados europeus – como a dos Bourbon – na França (Luís XVIII), Espanha (Fernando VII) e Nápoles (Fernando IV).
Assim, o Congresso de Viena representou uma tentativa das forças de conservação deter o avanço do liberalismo e do nacionalismo dos povos (poloneses, belgas, alemães, gregos, e italianos), bem como das classes urbanas desenvolvidas com o capitalismo (burguesia e proletariado).
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