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POESIA E MÚSICA DA RESISTÊNCIA

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14
Out16

CURIOSIDADES E FACTOS LIGADOS À MEDICINA

António Garrochinho

Trotula de Salerno – a primeira médica



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No século XI, em Salerno (Itália), havia aquilo que poderia ser chamada de verdadeira escola de medicina (precursora de uma faculdade tal qual entendemos hoje) e costuma-se dizer que era a primeira instituição desse tipo no mundo. Havia hospital-escola, consultórios com médicos renomados que atraiam pacientes de lugares distantes e uma importante produção de pesquisas e tratados sobre medicina e procedimentos. Era um universo dominantemente masculino, mas entre os profissionais teria existido a médica Trotula, que também costumava escrever tratados destinados a instruir outros médicos quanto aos métodos de tratamento e atendimento às mulheres num tempo no qual tabus religiosos, morais e legais impediam que os médicos estudassem adequadamente os problemas ginecológicos.
 São atribuídos a Trotula a autoria de pelo menos dois importantes livros a respeito da saúde feminina. Um deles aborda técnicas e procedimentos ginecológicos e obstétricos, além de apresentar uma tese incômoda na época: A ideia de que, por vezes, os homens eram a causa biológica dos problemas de concepção ao invés de apenas as mulheres. Seu segundo livro abordava procedimentos estéticos para preservar ou aprimorar a beleza feminina, incluindo tratamentos para pele e cabelos. Eram conhecimentos bem fundamentados que não eram objeto de grande interesse ou mesmo que eram “impedidos” aos médicos homens.
 No século XVI começou uma verdadeira campanha contra Trotula, que passou a ter a própria existência questionada. Seus críticos (que incluíam médicos e historiadores) argumentavam que uma mulher não estudaria e muito menos ensinaria medicina em seu tempo, surgindo então a suspeita de que, na verdade, um homem usou um pseudônimo feminino para publicar os livros, evitando com essa artimanha enfrentar problemas com as leis e com a Igreja. Havia ainda quem afirmasse que era pouco provável que uma mulher fosse mesmo capaz de produzir aqueles livros tão profundos e repletos de informações com altos rigores de embasamentos científicos.
 Hoje poucos historiadores duvidam da existência de Trotula e até deduzem que pode ter se tratado de uma mulher de origens sociais abastadas, que teve acesso privilegiado a um universo intelectual masculino e elitizado.


“Cura Gay” durante o regime nazista



Carl Vaernet


O médico dinamarquês Carl Vaernet era um experimentado e habilidoso estudioso de tratamentos hormonais. Em 1930 aderiu ao nazismo oficialmente, passando a militar no braço do Partido Nazista na Dinamarca. Foi trabalhar no campo de concentração de Buchenwald, onde passou a realizar seus experimentos hormonais para pretensiosamente “curar” gays. Os testes envolveram pacientes do sexo masculino e maioria foi submetida a um ineficaz coquetel de hormônios, contudo 17 deles tiveram que passar por um procedimento bem mais radical: O implante de uma glândula que teria como objetivo produzir hormônios masculinos suficientes para que houvesse uma mudança na condição dos “pacientes”. Mais uma vez não houve nenhum resultado positivo, pois nenhum passou pela mudança pretendida e algumas das cobaias humanas acabaram morrendo por conta de complicações pós-operatórias. Enfim, ninguém foi “curado”.
Vaernet escapou após a queda do nazismo, tendo vivido foragido no Brasil e na Argentina, onde morreu em 1965.


Tratamento de hemorroida na Idade Média


 

Ao que parece, nada era mesmo fácil na Idade Média. A iluminura do século XII de procedência não definida (pode ser holandesa ou inglesa) demonstra o quanto certos procedimentos médicos poderiam ser aterrorizantes. Aqui está retratado um método cirúrgico para tratar hemorroidas.


A evolução das próteses



A preocupação com a adequação de pessoas mutiladas ou que padeciam de deficiências levou alguns inventores, médicos e curiosos a uma produção de artefatos para “substituir” os membros necessários para as vidas daqueles que faziam uso dessas criações. As próteses nem sempre eram confortáveis, muitas vezes incomodavam e até feriam, mas o desenvolvimento desses projetos foi representando uma trajetória para o aprimoramento das próteses.
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Século 16: Projeto do braço direito de Gottfried “Götz” Von Berlichingen
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Século 16: Projeto do braço direito de Gottfried “Götz” Von Berlichingen
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1580: Mão de ferro
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1580: Mão e braço de ferro

Alexander Bogdanov – O cientista que morreu tentando ser imortal


Bogdanov

O controvertido Alexander Bogdanov (na foto jogando xadrez dom Lênin) era dotado de múltiplas habilidades e de uma inteligência fenomenal, além de grande inquietação intelectual.
 Foi comunista e integrante de primeira hora do partido bolchevique e abandonou, mas rompeu com os comunistas mesmo antes da Revolução Russa. Foi embora da Rússia para nunca mais voltar e condenou a opressão do regime implantado pelos revolucionários, apesar de manter-se filem aos ideais socialistas e ainda gozar de respeito por parte de Lênin e Stalin.
 Era médico e serviu atendendo feridos durante a Primeira Guerra Mundial e já naquela época escrevia ensaios de economia que antecipava que seu país desenvolveria um grande complexo militar-industrial. Mas além da medicina e da economia política ele também demonstrava aptidões como filósofo, poeta, romancista e até escreveu um ensaio científico precursor da cibernética.
 Sua imensa curiosidade o levou a considerar a possibilidade da imortalidade. Empreendeu seu conhecimento de hematologista para promover experimentos em si mesmo e considerou que a renovação sanguínea era a chave para prolongar indefinidamente a vida. Teorizou sobre isso e promoveu incontáveis transfusões de sangue, relatando os efeitos que elas lhe causavam. Registrou que receber diversas transfusões de sangue alheio (sobretudo de doadores jovens) melhorou sua vista, impediu queda de cabelo, rejuvenesceu sua pele e todos que o cercavam confirmavam isso. O problema é que ele pouco verificava a qualidade do sangue recebido e acabou realizando transfusão de um estudante doente de malária. O resultado não foi outro: Bogdanov… mas o doador continuou vivo!

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